Central Comics

Banda Desenhada, Cinema, Animação, TV, Videojogos

Cinema: Crítica – O Bando de Ned Kelly

O Bando de Ned Kelly chega às salas de cinema preparado para contar a história de um dos grandes fora-da-lei australianos. Com um elenco com algumas caras conhecidas conseguirá sobreviver? 

  O Bando de Ned Kelly

Lançado inicialmente em 2019 e baseado no livro de Shaun Grant chega agora ao cinema mais uma adaptação sobre a vida de Ned Kelly. Aproveito e pergunto já ao leitor se tem na sua mente a desastrosa adaptação com Mick Jagger no papel principal? Esta adaptação, mesmo sendo baseada num livro acaba por passar a milhas desta já referida, especialmente, na forma como a história está estruturada. 

O Bando de Ned Kelly

A nossa história começa com um jovem Ned Kelly, interpretado por Orlando Schwerdt de uma forma fria, por vezes sem entender o que se passa à sua volta e, ao mesmo tempo, mostrando a inocência de uma criança e a forma como a perde ao cruzar-se com pessoas como Harry Power (Russell Crowe), que o começa a levar por caminhos menos bons. No entanto, também devemos ter em conta que esses caminhos já vêm de família, principalmente do lado da mãe Ellen Kelly, numa interpretação fantástica de Essie Davis. A matriarca desta família é talvez a personagem-chave para toda a trama, já que a influência que tem na família é o que faz com que metade da história se desenrole da forma que o faz. Porém, não dizer que as interpretações de Nicholas Hoult e Thomasin McKenzie (que apresenta aqui um papel completamente diferente do registo a que estamos habituados) são um destaque durante toda a película seria algo de errado, já que são talvez as melhores personagens que conhecemos ao longo do filme. 

Voltando um pouco atrás, tanto na sua versão jovem, como na versão adulta interpretada por George MacKay, Ned acaba sempre por estar sob pressão da mãe tornando-se este o ponto vital da história: a necessidade de afirmação e do amor e carinho da mãe, que acaba de certa forma quase por roçar campos perigosos como o incesto, são os pontos vitais para aguentarmos toda esta história. Infelizmente, MacKay traduz essa necessidade muito mal, parecendo sempre uma personagem pálida, sem reação e com gestos que nos fazem procurar o homem louco que está a tentar interpretar.  

O Bando de Ned Kelly

Porém, é no meio dessas reações pálidas que encontramos uma história dura e crua. Com momentos de violência extrema até certo ponto, o espectador vai ficar a perguntar-se quais das partes da história é que estão extremamente exageradas e aquelas que fazem sentido sem que sejam vitais. Por vezes, pode até ser difícil aguentar com a história e os momentos de pressão e demasiada emoção escondida que somos obrigados a presenciar. Além disso, existem pontos da trama completamente ridículos, como a utilização dos vestidos em batalha, que fazem os nossos protagonistas parecer uns completos loucos. 

Resta concluir que, O Bando de Ned Kelly podia ser um filme mais interessante, se não falhasse em algumas das interpretações que passam completamente ao lado do espectador e tentasse puxar uma melhor reação da parte do espectador. Penso que os Australianos estariam bem melhores sem este filme.

Nota Final: 5/10 

O Bando de Ned Kelly está em exibição nos cinemas portugueses 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.