Cinema: Crítica – Jiu Jitsu (2020)

Em 2017, Dimitri Logothetis, realizador conhecido pelos seus filmes Kickboxer; juntamente com Jim McGrath, lançaram a novela gráfica que representasse a sua carta de amor perante as artes marciais que tanto amam. Bastaram três anos até que uma adaptação cinematográfica de Jiu Jitsu, liderada pela mesma dupla, chegasse ao grande ecrã.

Quando Jake (Alain Moussi), um guerreiro com amnésia regressa ao seu ponto de partida para lutar contra um poderoso alienígena, Brax (Ryan Tarran), este terá que contar com o resto do seu clã de lutadores profissionais, entre eles Kueng (Tony Jaa), Harrigan (Frank Grillo), Forbes (Marrese Crump) e Carmen (JuJu Chan), para o derrotar. Pelo meio, também está Wylie (Nicholas Cage), que é o grande mestre no meio disto tudo.

Se a premissa soa tão nonsense quanto aparenta, é porque Jiu Jitsu é exactamente aquilo que esperamos dele: quase duas horas de lutas coreografadas com alguns elementos de qualquer coisa semelhante a ficção científica, ou algo do género…

Olhando para o elenco, este composto quase todo ele por actores com experiência comprovada fora do cinema nas artes marciais, inclusive Tarren, que recentemente foi considerado como um dos melhores duplos da actualidade, temos Nicholas Cage a fazer de Nicholas Cage como se fosse uma personagem tipo Raiden de Mortal Kombat, mas com um orçamento mais limitado. No entanto, ver o actor a pseudo-lutar é uma experiência de deixar qualquer um a querer desviar o olhar do desastre que está perante nós.

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Naturalmente, o filme acaba por ser tolo na sua íntegra, com coreografias visivelmente artificiais e com momentos de câmara lenta e efeitos visuais a um nível de filme de estudantes. Jiu Jitsu até tenta abordar a ideia de cenas vistas na primeira pessoa, relembrando-nos que elas funcionam tão melhor nos videojogos que nos filmes.

É triste vermos talentos como estes a serem gastos num filme aleatório, com uma futilidade cujo respeito pela modalidade é quase nula, sobretudo quando existem exemplos que promovem de uma forma mais interessante e criativa as artes marciais, como Gareth Evans, que já trabalhou com Tony Jaa no brilhante The Raid – Redenção, provando que é possível oferecer algo incrível dentro do género, para além dos filmes básicos que continuam a invadir os videoclubes, protagonizados por actores que recusam a ideia de reforma.

Jiu Jitsu não é mau, é terrível. É um terrível no sentido que é divertido vê-lo falhar miseravelmente a tentar ser algo mais do que é. Há o adicional de, se chegarmos ao fim, esperamos receber algum tipo de recompensa, nem que essa seja um pontapé na cara por qualquer um destes actores e artistas marciais. Fora isso, a única coisa que se perde é tempo, sendo mais interessante reunir estes talentos todos num ringue.

Nota Final 2/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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1 Response

  1. RC diz:

    Só um pequeno detalhe, é que além de tudo o que já está escrito na crítica, pouco ou nada de jiu jitsu tem este filme. Muitas técnicas marciais e de combate, mas de jiu jitsu muito pouco mesmo…

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