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O sofá pode esperar: nova campanha lembra aos portugueses a magia do grande ecrã

A nova campanha da APEC e da FEVIP quer recuperar o hábito de ir ao cinema e lembrar que há emoções que não cabem num ecrã doméstico. Com Diogo Morgado como protagonista, a iniciativa arranca numa altura em que as salas portuguesas procuram recuperar espectadores e travar o encerramento de espaços de exibição.

Há filmes que se veem no sofá, no telemóvel ou no computador. Mas há experiências que pedem um grande ecrã, som envolvente, pipocas e uma sala cheia de desconhecidos a rir, a assustar-se ou a emocionar-se em simultâneo. É esta a ideia por detrás de «Sente-se. No cinema. Volte ao lugar onde se encontra», a campanha promovida pela Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas (APEC) e pela Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais (FEVIP), apresentada no Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) e lançada a 15 de outubro. Protagonizada por Diogo Morgado, a iniciativa recorre a uma cadeira vermelha como símbolo do convite para regressar à sala de cinema. O filme-manifesto conta ainda com participações de vários atores e profissionais ligados à cultura portuguesa e será divulgado nas salas, na televisão, nas redes sociais, em podcasts e noutras plataformas digitais.

Sente-se no Cinema

A campanha surge num momento de recuperação da bilheteira, mas em que a sobrevivência de muitas salas continua a preocupar o setor. Segundo os dados do ICA citados na apresentação da iniciativa, até ao final de setembro de 2026 os cinemas portugueses tinham recebido cerca de 9,2 milhões de espectadores, mais 9,8% do que no período homólogo de 2025, enquanto as receitas de bilheteira aumentaram 20%, para 64,8 milhões de euros. Ainda assim, o setor ambiciona regressar aos níveis de assistência de 2018 e 2019, quando as salas ultrapassavam os 15 milhões de espectadores por ano. A rede de exibição também encolheu: no final de setembro existiam 525 salas a reportar dados ao ICA, contra 550 um ano antes, num contexto marcado, entre outros fatores, pelo encerramento de espaços de exibição.

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Mais do que convencer o público de que o cinema é melhor do que o sofá, a campanha pretende recordar que ir ao cinema é uma experiência coletiva que começa muito antes de as luzes se apagarem. António Paulo Santos, diretor-geral da FEVIP e da GEDIPE, defende que é necessário recuperar hábitos de frequência e tornar as salas mais sustentáveis, reconhecendo também a importância de políticas públicas, sobretudo nas zonas com menor oferta. Já Fernando Ventura, diretor-geral da APEC, destaca o papel que uma maior presença do cinema português poderá ter na sustentabilidade do setor. Até ao final de setembro, os filmes portugueses ou coproduzidos em Portugal representavam apenas 3,1% dos espectadores, apesar de corresponderem a 40 das estreias em sala. A campanha deverá prolongar-se, pelo menos, até março de 2027. A mensagem é simples: há histórias que podemos ver em qualquer lado, mas, para viver o cinema em toda a sua dimensão, vale a pena sair de casa, escolher um lugar e fazer aquilo que o título recomenda. Para ver cinema, vá ao cinema.
Sente-se no Cinema!


Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

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