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Análise BD: Lonesome 4 – O Território do Feiticeiro

Nada como sair da cidade e voltar aos grandes espaços para se ganhar uma outra energia. E foi isso que Yves Swolfs fez na sua obra mais recente. Leiam aqui a análise do livro Lonesome 4 – O Território do Feiticeiro.

Na sequência da edição em Portugal, por parte da Gradiva BD, dos anteriores volumes da série Western Lonesome (que podem descobrir aqui) foi agora publicada no nosso país, apenas dois meses depois da edição original, o quarto e último volume da série, com o título de: O Território do Feiticeiro.

E mais uma vez o autor surpreende o seu público, ao criar um argumento completamente diferente do resto da série. Depois de, no volume anterior, a ação ter decorrido em Nova York, agora saímos da grande cidade e partimos em direção aos espaços selvagens com muitas cavalgadas, tiroteios e cenas de ação muito bem elaboradas, num regresso àquilo que esperamos encontrar num livro deste género. Repetindo a fórmula estabelecida nos outros volumes, também neste álbum temos um personagem secundário a ser crucial para o decorrer do argumento, mas que morre no decorrer da história.

Em todos os volumes temos personagens cujas intervenções são fundamentais em cada um dos álbuns em que surgem, mas que custam a vida a estes personagens numa repetição algo desnecessária. Também a excessiva e superlativa eloquência de todos os personagens, já referida na anterior análise, se repete neste mais recente volume.

Mas ao ler este livro e olhando para toda a série, ficamos com a impressão que o guião no geral não foi devidamente trabalhado e houve uma escolha pela ação gráfica em vez do desenvolvimento do argumento. É um Western naturalmente violento (como todos), com um vingador solitário de gatilho fácil e ligado ao esoterismo índio, que o ajuda a resolver situações, mas no geral falta qualquer coisa. São demasiados os assuntos que terminam quase no seu início.

A questão do financiamento dos bancos europeus é referido mas não desenvolvido, o culto satânico de Cromley não tem qualquer implicação na história, e os poderes de Elijah não são determinantes, ao contrário do que se esperava. Parece que o autor teve as ideias e depois desistiu delas e não as desenvolveu. E talvez seja essa falta do golpe de asa o maior defeito da série, já que os desenhos e as cores são excecionais. Mas para quem admira o traço de Swolfs, a editora belga Le Lombard publicou uma edição de luxo a preto e branco.

A dúvida que agora se coloca é se a série acabou mesmo, ou se foi apenas o fim de um ciclo. Quase certo é que, caso haja continuação, Yves Swolfs não estará ligado a ela. Quando muito poderá ficar ligado ao argumento, mas tudo indica que não.

A maioria dos leitores portugueses tem a vantagem de não conhecer a outra criação do mesmo autor (Durango) que é completamente inédita em Portugal. Assim não existem as comparações entre as duas séries, o que naturalmente poderia acontecer, uma vez que nos primeiros treze dos dezoito volumes publicados os desenhos são da sua autoria. Porém, muitos leitores franceses já questionaram o porquê dos álbuns da série Lonesome não terem saído na coleção Durango

De assinalar a semelhança física entre o protagonista da série em análise e os protagonistas do filme Keoma (um Westernspaghetti de 1976) e da série de TV Hell on Wheels (2011-2016), também eles vingadores solitários.

Yves Swolfs que neste momento tem 69 anos, já tinha dito que pretendia reduzir o seu ritmo de trabalho e também dedicar-se à pintura e à música. Estes quatro álbuns de Lonesome demoraram em média, dois anos a serem criados, mas os últimos álbuns de Durango, em média, demoraram quatro a cinco anos a serem concluídos, sendo os desenhos de outros autores. Obras futuras de Swolfs, serão apenas álbuns únicos e autoconclusivos.

A cor deste álbum é de Jackie de Gennaro e não da esposa e filha de Swolfs (como nos anteriores), o que não deixa de ser curioso e reforça a ideia que o autor pretende não estar ligado à série.

Uma dinâmica de leitura muito boa, tanto a nível de texto como de desenho, conseguindo manter um elevado nível de interesse e provocando uma leitura contínua.

Livro em capa dura com excelente encadernação, com páginas em papel acetinado de boa qualidade e com boa impressão, como tem sido apanágio da Gradiva BD. Preço justo para o tipo de livro.

Tempo de leitura:

  • Lonesome 4 – O Território do Feiticeiro – aproximadamente 45 minutos

Eis uma série que num tema já muito batido conseguiu ser original. Um argumento que, apesar das falhas, está bem construído e um desenho de alto nível gráfico fazem com que seja uma boa aquisição para quem gosta do género. Uma série que faz boa companhia aos Western franco-belgas mais conhecidos. E afinal o protagonista que era um Solitário (Lonesome) acaba a série com um nome e uma família.

Para já Lonesome, o vingador solitário, terminou a sua tarefa, mas será que Yves Swolfs fica por aqui? Vamos esperar para ver!

Lonesome, Vol. 4 - O Território do Feiticeiro

Yves Swolfs
Editora: Gradiva BD
Livro em capa dura com 176 páginas a preto e branco nas dimensões de 18 x 25,5 cm
PVP: 20.99 €

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Lonesome, Vol. 4 - O Território do Feiticeiro

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