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Análise: Uma série do Oeste: LONESOME

Talvez à boleia do inevitável TEX, os editores portugueses de banda desenhada continuam a apostar no tema do Western. Assim como se fossem cogumelos depois duma chuvada, eis que surgem no nosso mercado várias novas abordagens ao tema. Uma delas é apresentada pela GRADIVA BD: LONESOME.

Criada por Yves Swolfs, desenhador e argumentista belga de créditos firmados, esta série conta com três álbuns já editados, álbuns esses que já se encontram também editados no mercado português pela GRADIVA BD. O próximo álbum será o fecho da série, atendendo a que o multifacetado autor, pretende reduzir o seu ritmo de trabalho nas várias séries a decorrer, a fim de dedicar mais algum tempo ao seu grupo de música rock e à pintura a óleo. Esta é a sua última série e de futuro para além das parcerias, os seus álbuns serão apenas livros autoconclusivos.

Swolfs que está ligado à banda desenhada há mais de 40 anos, criou em 1980 a série “Durango”, um Western inspirado nos filmes italianos de Sergio Leone e com muitas referências aos mesmos, num estilo algo simples, mas muito apreciado pelos fãs do género. Atualmente já com 18 títulos publicados, Swolfs apenas assegura o argumento da série, tendo desenhado os primeiros 13 volumes, e neste mês de Novembro vai ser publicado o primeiro álbum dum derivado dedicado à juventude de Durango.

Mas o tema Western e o herói solitário, são os únicos pontos de ligação entre as duas séries. Swolfs criou LONESOME quase como um divertimento.

Uma ideia que foi trabalhada ao longo de 4 anos. Inspirado nos novos filmes e séries da televisão sobre o Oeste, principalmente na série “Hell on Wheels”, em que o protagonista é fisicamente semelhante ao de LONESOME, o autor decidiu criar uma série mais complexa, em que pudesse fazer uma ligação com vários temas da atualidade. Aproveitando um facto histórico ocorrido em 1854, e os confrontos ocorridos entre abolicionistas e esclavagistas na fronteira entre o Missouri e o Arkansas ainda antes da Guerra da Secessão, Swolfs encontrou um tema e um período ainda não explorado pela banda desenhada histórica.

Mas a Guerra da Secessão é apenas uma base para chamar a atenção dos problemas económicos e financeiros que surgem sempre antes de grandes guerras, e o personagem Markham não é mais do que um falso fundamentalista como tantos que abundam por aí atualmente. Não é por acaso que a motivação para as ações de Markham, não são os ideais que apregoa, mas sim o dinheiro que lhe pagam. O autor também aproveitou a sua ligação à série “Príncipe da Noite”, para incluir um pouco de fantástico nesta série. Até ver, numa dose mínima, mas importante para o desenrolar da história…

Mas o verdadeiro tema da série é a perda de identidade do herói e a tentativa de a recuperar. Não deixa de ser curioso, que ao contrário da imagem usual das grandes pradarias do Oeste, onde costumam decorrer estas histórias, os acontecimentos dos dois primeiros volumes passam-se num vale isolado pela neve. Swolfs quer mesmo criar algo de diferente, mas ao ler alguns dos textos, pergunto-me se os homens da fronteira teriam conhecimentos para falar daquela maneira. Mas isso não belisca a obra…

Mas Swolfs no terceiro volume surpreende, ao sair da sua zona de conforto dos espaços selvagens, e coloca o seu herói em plena cidade de Nova Iorque em 1861, fazendo com que a ação passe a decorrer maioritariamente dentro de espaços fechados (casas, palacetes, armazéns), criando um dinamismo diferente dos álbuns anteriores.

Apesar disso, ao longo dos três álbuns já publicados o trama está desenvolvido de forma homogénea, sem grandes sobressaltos de volume para volume, numa leitura interessante e agradável. A arte de grande qualidade é realista da escola franco-belga e Swolfs não esconde que as suas maiores influências foram Blueberry (Giraud) e Comanche (Hermann). A paleta de cores é fantástica, sendo que as responsáveis pela colorização são a sua esposa Sophie Swolfs e pela primeira vez a sua filha Julie Swolfs, apesar de apenas a filha estar creditada nos livros.

Sem data de publicação prevista, vamos ter de esperar pelo quarto e último volume, que dizem será um pouco mais grosso, para conhecer a conclusão de todos os mistérios…

Livros em capa dura com boa encadernação, com páginas em papel acetinado de boa qualidade e boa impressão. Legendagem de fácil leitura. Preço normal para o tipo de livro.

Tempo de leitura:

lonesome 1

LONESOME – 1. A PISTA DO PREGADOR

Yves Swolfs
Editora: Gradiva BD
Livro em capa dura com 56 páginas a cores nas dimensões de 23,3 x 31,3 cm
PVP: 16,50 €

Lonesome - Vol. 2 Os Ruffians

LONESOME – 2. OS RUFFIANS

Yves Swolfs
Editora: Gradiva BD
Livro em capa dura com 56 páginas a cores nas dimensões de 23,3 x 31,3 cm
PVP: 16,50 €

Lonesome, Vol. 3 – Os Laços do Sangue

LONESOME – 3. OS LAÇOS DE SANGUE

Yves Swolfs
Editora: Gradiva BD
Livro em capa dura com 56 páginas a cores nas dimensões de 23,3 x 31,3 cm
PVP: 16,50 €

2 thoughts on “Análise: Uma série do Oeste: LONESOME

  1. Helder Diniz.
    Ainda não.
    Yves Swolfs já confirmou um quarto e último volume para fecho da série, mas sem qualquer data prevista para a sua publicação.

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