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Jogos: LumenTale: Memories of Trey – Análise

LumenTale: Memories of Trey é um RPG de captura de criaturas com uma narrativa surpreendentemente madura, apesar de também ter um tom familiar.

LumenTale: Memories of Trey

Jogo: LumenTale: Memories of Trey
Disponível para: PC, Nintendo Switch
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: Beehive Studios
Editora: Team17

LumenTale: Memories of Trey

Há jogos que não escondem as suas inspirações, e LumenTale: Memories of Trey entra sem medo nesse grupo. O RPG da Beehive Studios pega na fórmula dos monstros colecionáveis e acrescenta-lhe sistemas próprios, um mundo curioso e uma história mais ambiciosa do que a aparência colorida deixa transparecer. O resultado é uma experiência que tanto consegue encantar como frustrar.

Tudo começa com Trey, um ciborgue amnésico com um sentido de humor sarcástico e o código TD-Model: Trek Mk I gravado no corpo. Encontrado inconsciente por Ales, um rapaz marcado pela morte dos pais às mãos dos Animon, o protagonista acaba por ser incentivado pelo Professor Kapan a tornar-se um Lumen, nome dado aos treinadores deste universo. O objetivo parece simples, recuperar as memórias perdidas, mas rapidamente a aventura ganha contornos inesperados.

A narrativa é um dos pontos mais fortes. Apesar do ambiente familiar, existem temas mais pesados a surgir ao longo da campanha. Fanatismo religioso, sacrifícios humanos e conflitos ideológicos coexistem com momentos de crescimento pessoal e amizade. Trey, Ales e Nada formam um trio carismático, e o equilíbrio entre drama e humor funciona muito melhor do que seria de esperar.

LumenTale: Memories of Trey

O continente de Talea está dividido entre Mythos, mais ligado às tradições, e Logos, uma região focada na ciência. A liberdade de escolher qual das duas zonas explorar primeiro acaba por ter consequências mais tarde, algo que dá personalidade à estrutura da aventura. As histórias de cada cidade seguem uma fórmula repetida, descobrir um mistério local, derrotar uma ameaça e enfrentar o respetivo Capitão Lumen, mas o ritmo mantém-se agradável.

Explorar o mundo é divertido, pelo menos até o backtracking começar a pesar. O Holoken, uma espécie de ioiô tecnológico, é utilizado em puzzles ambientais e depende dos Animon equipados para desbloquear novas áreas. A ausência de viagens rápidas nas primeiras dezenas de horas torna algumas deslocações cansativas, embora o hoverboard venha aliviar o problema mais tarde.

Os 158 Animon são outro grande destaque. Os designs são inspirados e cheios de personalidade. É impossível não sorrir ao conhecer Smellwing, uma ave coberta por cascas de banana podres que evolui para o extravagante Toxigall. O sistema de progressão também merece aplausos. Em vez das habituais mecânicas de IV e EV, os pontos de atributos podem ser distribuídos livremente e redefinidos sem penalizações, oferecendo uma flexibilidade rara no género.

LumenTale: Memories of Trey

Já as evoluções escondidas são um caso diferente. Algumas exigências são tão obscuras que a experimentação acaba por dar lugar às pesquisas na internet. Também a Aniwiki se revela demasiado trabalhosa, obrigando a múltiplos scans em combate para completar a informação de cada criatura.

O sistema de combate é excelente. As batalhas em formato 4 contra 4 são rápidas, estratégicas e sustentadas por uma gestão inteligente dos Stamina Points. As peculiaridades individuais dos Animon e os seus traços emocionais acrescentam profundidade às decisões, enquanto os Tactical Points recompensam a exploração das fraquezas elementais. Os confrontos contra bosses gigantes conseguem ser particularmente intensos.

Infelizmente, a versão Nintendo Switch sofre com problemas técnicos graves. Quebras de desempenho, tempos de carregamento absurdos e crashes frequentes transformam algumas secções num teste à paciência. Pior ainda, vários sistemas importantes são mal explicados ou apresentam falhas nos tutoriais. Há também side quests pouco interessantes e um sistema de cartas colecionáveis bonito, mas praticamente inútil.

LumenTale: Memories of Trey

Em jeito de conclusão, LumenTale: Memories of Trey é um RPG com alma, personalidade e mecânicas inteligentes. Tem ideias muito boas, personagens memoráveis e um sistema de combate viciante. Mas também é um jogo que precisava de mais polimento. Para quem aprecia monstros colecionáveis e não se importa com algumas arestas por limar, existe aqui algo especial à espera de ser descoberto.

Nota: 7,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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