Cinema: Crítica – Masters of the Universe
Masters of the Universe regressa ao grande ecrã com uma nova iteração da popular série e dos brinquedos criados pela Mattel, num filme protagonizado por Nicholas Galitzine.
Quando a Mattel criou Masters of the Universe, em 1982, jamais saberia o sucesso que a obra viria a ter na cultura pop. Desde figuras de ação, séries televisivas e bandas desenhadas, foi a adaptação inicial ao cinema, estreada em 1987 e protagonizada por Dolph Lundgren e Frank Langella, que, apesar de ter sido inicialmente recebida com críticas negativas, é hoje considerada um filme de culto. Quase 40 anos depois, eis que uma nova adaptação chega ao grande ecrã, num blockbuster realizado por Travis Knight.
Seguimos a vida do Prince Adam (Nicholas Galitzine), que, depois de 15 anos separado da sua espada poderosa, se vê numa situação de vida ou morte quando regressa ao planeta Eternia, numa luta contra o poderoso Skeletor (Jared Leto). Para reclamar o seu lugar, alia-se a Teela (Camila Mendes) e a Man-At-Arms (Idris Elba), que juntos irão tornar Eternia num local pacífico.
Existe um fator de nostalgia que entra fortemente em jogo nesta nova adaptação, que funciona como uma espécie de reboot, ou pelo menos como uma versão alternativa, feita sobretudo para novos públicos – os mais puritanos poderão encontrar alguns problemas, se não forem de espírito aberto. Este é um dos pontos mais interessantes do filme: a sua abordagem a um material-base com décadas de conteúdo, numa enorme variedade de meios, que parecem todos, de certo modo, dar o seu contributo justo ao universo estabelecido e às personagens envolvidas nas mais diversas narrativas.
A modernização, ou neste caso a introdução destas personagens que passam pelo planeta Terra do presente, onde as atitudes politicamente corretas e a existência de smartphones e redes sociais tornam difícil a um jovem de outro planeta ter algum tipo de vida social sem parecer um louco, é uma linha muito vincada que o filme segue durante o seu primeiro ato. Esta é almofadada pela paródia ao exagero do macho alfa, que mais tarde serve de motivo de brincadeira no restante filme, ao lado de um conjunto de personagens com personalidades distintas e que servem para dar uma identidade muito própria a Eternia. Skeletor é um desses exemplos, também ele com uma atuação propositadamente excessivamente teatral como o conhecido vilão, permitindo que a obra não se leve demasiado a sério, como é suposto.
Por outro lado, há diversas cenas de ação pura, onde todos têm a oportunidade de mostrar os seus dotes violentos e de criar conteúdo suficiente para um filme que vive, principalmente, desses momentos. Este género de filmes sempre insistiu em definir de forma absoluta o bem versus o mal, sendo que Masters of the Universe abre espaço para uma flexibilidade menos séria em nome do entretenimento. O que não ajuda é o frequente desequilíbrio no seu tom e a inconsistência superficial no desenvolvimento das personagens tanto quanto necessário, em benefício da narrativa e nada mais.
Travis Knight conseguiu tornar, em 2018, um filme apenas sobre o Bumblebee em algo competente, com todo o apoio do universo Transformers por trás; e volta a fazê-lo aqui, também num universo nascido de uma linha de brinquedos, mas elevado a mil, com todo o tipo de detalhes, entre uma cidade vivida e personagens divertidas, e um argumento que parece querer agradar a gregos e troianos, mas sobretudo suscitar curiosidade para revisitar as séries e, claro, comprar as inúmeras figuras de ação que coincidentemente entraram agora no mercado.
Assim, Masters of the Universe é um bom ponto de partida, abrindo de forma definitiva a temporada dos blockbusters de verão, podendo ser um excelente serão no cinema para quem procura um tradicional filme-pipoca, baseado num dos mais interessantes e importantes universos da cultura pop, que vê neste filme uma oportunidade de voltar ao centro das atenções, levado a cabo pelos últimos movimentos de revivalismo de tantas outras séries que hoje celebram vários níveis de sucesso.
Nota Final: 7/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.





