Central Comics

Notícias, críticas e novidades de banda desenhada, cinema, séries, animação, videojogos e cultura geek desde 2001.

Análise | Stupid Never Dies – Um roguelite tão caótico quanto frustrante

Stupid Never Dies mistura combate frenético, transformações monstruosas e humor absurdo num roguelite com boas ideias, mas vários problemas de execução.

Stupid Never Dies

Jogo: Stupid Never Dies
Disponível para: PC, PlayStation 5
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: GPTRACK50 Inc.
Editora: GPTRACK50 Inc.

Stupid Never Dies

Há jogos que tentam conquistar-nos pela seriedade, outros pela profundidade das suas mecânicas e depois existe Stupid Never Dies, uma aventura que parece saída de uma sessão de videojogos da era da PlayStation 2, com monstros bizarros, humor disparatado e uma identidade visual que não tem medo de ser excessiva. Desenvolvido pela GPTrack50, estúdio fundado pelo antigo produtor da Capcom Hiroyuki Kobayashi, este RPG de ação com elementos roguelite tem ideias suficientes para despertar curiosidade, embora nem todas resultem tão bem como seria desejável.

A história acompanha Davy, um zombie desajeitado que vive num centro comercial abandonado, num mundo devastado por uma guerra e por uma revolta de monstros. Depois de comer acidentalmente um raro Ovo de Fénix, ganha a capacidade de assumir a forma de outras criaturas. Convencido de que pode ressuscitar Julia, a rapariga por quem está apaixonado, aceita enfrentar KOM, o Rei dos Monstros. É uma premissa absurda, como seria de esperar, mas a forma como o jogo trata Julia, reduzida inicialmente a uma figura congelada que serve de motivação para o protagonista, pode tornar-se bastante desconfortável. A narrativa também demora a arrancar, com excesso de explicações e diálogos que testam a paciência.

A melhor ideia de Stupid Never Dies está no sistema de transformações. Ao derrotarmos determinados inimigos, podemos consumir os seus núcleos e assumir temporariamente a sua forma, desbloqueando ataques e habilidades específicas. As harpias permitem ganhar mobilidade aérea, os liches invocam esqueletos e as fadas da neve congelam adversários. Podemos guardar duas transformações em simultâneo, além da forma original de Davy, o que incentiva a experimentar combinações e adaptar a estratégia aos desafios.

Stupid Never Dies

O problema é que o combate nem sempre acompanha esta criatividade. Os ataques têm animações lentas e compromissos excessivos, tornando algumas ações frustrantes quando estamos rodeados de inimigos. Os confrontos aéreos também sofrem com movimentos pouco precisos, enquanto o sistema de mira automática falha em momentos importantes. Para piorar, o botão de mordida pode seleccionar inimigos comuns em vez dos núcleos que queremos consumir, desperdiçando recursos de cura. Numa experiência que exige reacções rápidas, estas falhas pesam demasiado.

As incursões nas masmorras acrescentam outra camada de pressão: cada tentativa começa com apenas doze minutos para avançar. É necessário escolher entre combater para recolher experiência e recursos ou correr até à próxima saída segura. A ideia cria decisões interessantes, mas morrer a meio de um combate contra um chefe porque o cronómetro chegou ao fim sabe a castigo injusto. Felizmente, a progressão permanente de experiência ajuda a compensar as derrotas, permitindo regressar mais forte.

Fora das masmorras, o centro comercial funciona como base para melhorar equipamento, desbloquear opções e acompanhar coleccionáveis. Contudo, a quantidade de moedas e materiais diferentes, aliada a melhorias pouco úteis que podem diluir as recompensas disponíveis, torna a progressão mais confusa do que precisava de ser. Perto do final, a história abranda ainda mais e obriga a repetir incursões e a recolher materiais aleatórios, prolongando artificialmente a aventura.

Visualmente, Stupid Never Dies tem personalidade. A mistura de colagens, ilustrações desenhadas à mão e elementos inspirados no cinema de monstros clássico combina bem com o humor irreverente e a estética de videojogo antigo. Infelizmente, o estilo não consegue esconder os problemas de ritmo e controlo.

Stupid Never Dies

No final, há aqui um roguelite com uma identidade própria e transformações que mereciam um combate à altura. Stupid Never Dies consegue divertir quando tudo encaixa, mas os controlos pouco precisos, a narrativa irregular e a progressão artificial impedem-no de atingir o seu potencial.

Nota: 6/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Verified by MonsterInsights