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Toy Story 5 (2026) – Brincar em 5G

Durante quase três décadas, Toy Story sustentou uma consistência rara entre sagas de animação, acompanhando o crescimento do público sem perder de vista a identidade que sempre marcou os seus protagonistas. Quando o terceiro filme encerrou o percurso de Andy com uma maturidade exemplar, deixou instalada a dúvida sobre a necessidade de se prolongar a trama.

Toy Story 4, realizado por Josh Cooley, foi o primeiro capítulo entregue a alguém que não integrara a direção dos anteriores e acabou por abalar a invulnerabilidade do projeto. O avanço técnico era claro, sobretudo no tratamento da luz, das superfícies e dos espaços, refletindo décadas de progresso na animação digital. Ainda assim, a separação de Woody do restante grupo e a introdução de Forky e dos brinquedos perdidos, liderados por uma Bo Peep reimaginada, afastaram muitos fãs e acenderam debates sobre as intenções por detrás destas escolhas.

Toy Story 5, por sua vez, responde com maior cautela na gestão do património afetivo e narrativo. Andrew Stanton, ligado à escrita desde o primeiro filme, junta-se a Kenna Harris e co-realiza uma continuação consciente do desgaste acumulado. Em vez de procurar outra rutura, recupera dinâmicas, gestos e marcas de personalidade reconhecíveis, reorganizando-as em torno de Jessie, a cowgirl. A decisão nasce naturalmente da insígnia de xerife que Woody lhe entrega no final anterior, e o enredo confirma que a promoção não foi apenas simbólica.

Jessie ocupa o centro dos acontecimentos, revelando a energia e a determinação necessárias para liderar o grupo, não se esquecendo a impulsividade e as inseguranças que sempre fizeram parte da personagem. A mudança de protagonismo evita que Woody volte a comandar uma história que já lhe concedeu sucessivas despedidas e permite que a comitiva preserve a sua identidade sem depender inteiramente dele.

A presença de Lilypad, o tablet que monopoliza a atenção de Bonnie e julga conhecer o único caminho viável ao seu bem-estar, conduz a pentalogia animada ao conflito tecnológico para o qual parecia inevitavelmente caminhar. O medo de ser substituído, esquecido ou considerado obsoleto acompanha-a desde a génese, aproveitando-se aqui as regras estabelecidas para explorar o confronto entre formas distintas de brincar e retirando humor da relação dos brinquedos com objetos tecnológicos cuja lógica lhes escapa.

O problema surge, contudo, nas alturas em que os tiques que condicionaram o capítulo anterior regressam, bem como naquelas em que se desfazem certas consequências que esse apresentou como definitivas. Além disso, não fosse a ligeira falta de convicção quanto ao caminho previamente escolhido, a simples existência de um quinto filme impediria que se afastasse por completo a suspeita de arrastamento.

Não obstante, Toy Story 5 encontra uma razão para existir ao erguer uma ponte entre quem viu a nave de Buzz Lightyear aterrar no quarto de Andy em 1995 e o público mais jovem que se afeiçoou ao grupo através de Bonnie. Nesta aventura alegre e terna sobre a importância de se acolher o futuro enquanto se preserva o passado, a atenção dedicada às personagens é suficiente para recuperar parte da confiança perdida pelo público, muito embora a Pixar já não possa continuar a confundir afeto com cegueira.

Classificação: 7/10

Fascinado por cinema desde cedo, começou pelas cassetes VHS de casa da avó e acabou a colecionar figuras de clássicos dos anos 80. Hoje, vê cada filme com a mesma curiosidade de então.

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