Jogos: Monopoly: Star Wars Heroes vs. Villains – Análise
Monopoly: Star Wars Heroes vs. Villains reinventa o clássico jogo de tabuleiro com mecânicas de equipa, mas nem a Força consegue esconder os seus problemas.
Jogo: Monopoly: Star Wars Heroes vs. Villains
Plataforma Disponível: PC, Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series
Plataforma testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedor: Behaviour Interactive Inc.
Editora: Ubisoft
Há adaptações que se limitam a mudar o aspeto de um jogo conhecido e há outras que tentam reinventar completamente a fórmula. Monopoly: Star Wars Heroes vs. Villains pertence claramente ao segundo grupo. A Ubisoft pegou no conceito clássico do Monopoly, atirou o objetivo de levar os adversários à falência pela janela e construiu uma experiência focada em equipas, habilidades especiais e influência galáctica. A ideia é interessante e, durante os primeiros minutos, até parece uma lufada de ar fresco para uma licença que há muito precisava de arriscar mais.
Em vez da tradicional guerra económica entre jogadores, aqui tudo gira em torno de confrontos entre Heróis e Vilões em partidas de dois contra dois ou três contra três. O dinheiro e as propriedades são partilhados pelos membros da mesma equipa, as trocas desapareceram completamente e o vencedor é decidido através de uma barra de Pontos de Influência. É uma mudança radical que torna as partidas menos previsíveis e bastante mais estratégicas. Pelo menos em teoria.
O elenco inclui 28 personagens vindas das diferentes eras de Star Wars, cada uma com habilidades ativas e passivas que alteram a forma como se joga. Há personagens capazes de roubar créditos, melhorar lançamentos de dados ou até invocar tropas para complicar a vida aos adversários. A Cantina funciona como uma loja onde é possível comprar poderes adicionais e criar algumas combinações interessantes entre colegas de equipa. Infelizmente, a lista de personagens também levanta sobrancelhas. É difícil perceber como nomes como Grogu, Din Djarin ou Lando Calrissian ficaram de fora enquanto figuras bastante menos populares ganharam lugar no alinhamento.
A maior surpresa surge nos duelos pelos terrenos. Em vez de uma simples decisão automática, os jogadores entram numa pequena arena onde lançam vários dados com física real. A possibilidade de empurrar os dados adversários para alterar o resultado acaba por ser uma das melhores ideias do jogo, acrescentando uma camada de interação que resulta genuinamente divertida.
Também a casa de Partida deixa de ser apenas um ponto de passagem. Sempre que uma equipa passa ou aterra nesse espaço, desencadeia eventos inspirados em momentos icónicos da saga, capazes de atribuir enormes quantidades de influência e modificar drasticamente o tabuleiro. O problema é que estas sequências acabam por desequilibrar demasiado as partidas. Quem controlar melhor este ciclo ganha uma vantagem difícil de recuperar, fazendo com que muito do resto da estratégia perca relevância.
Visualmente, o jogo tem personalidade. O tabuleiro holográfico apresentado por C,3PO e R2,D2, os cenários tridimensionais dos planetas e a interface inspirada nos computadores das naves criam uma identidade forte. Pena que as cinemáticas tenham um aspeto desfocado, que a dobragem seja surpreendentemente fraca e que C,3PO passe demasiado tempo a repetir comentários irritantes. A isto juntam,se alguns problemas de ritmo, animações demoradas, inteligência artificial pouco convincente e pequenos bugs que conseguem arrastar partidas bem mais do que seria desejável.
Monopoly: Star Wars Heroes vs. Villains tem boas ideias e procura modernizar uma fórmula extremamente desgastada. Algumas dessas mudanças funcionam muito bem, sobretudo os duelos de dados e a dinâmica cooperativa. No entanto, a execução fica aquém da ambição. Entre problemas de equilíbrio, ritmo lento e uma apresentação inconsistente, acaba por ser um jogo que diverte em sessões ocasionais com amigos, mas dificilmente se tornará uma referência para fãs de Monopoly ou de Star Wars.
Nota: 5,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





