Jogos: Rhythm Paradise Groove – Análise
Rhythm Paradise Groove recupera a magia da série com dezenas de desafios rítmicos criativos cheios de precisão e um dos regressos mais inspirados da Nintendo.
Jogo: Rhythm Paradise Groove
Disponível para: Nintendo Switch (compatível com Nintendo Switch 2)
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: Nintendo
Editora: Nintendo
Nove anos depois de Rhythm Paradise Megamix, a Nintendo devolve uma das suas séries mais peculiares e adoradas com Rhythm Paradise Groove. Num mercado dominado por mundos abertos e campanhas intermináveis, este regresso faz exatamente o oposto. Entra em cena, apresenta uma ideia brilhante, desafia os reflexos do jogador durante poucos minutos e segue para a próxima loucura. É uma filosofia de design rara nos dias de hoje e continua a funcionar de forma quase impecável.
A maior força de Rhythm Paradise Groove continua a ser a forma como ensina ritmo sem o dizer diretamente. Ao contrário da maioria dos jogos do género, aqui quase não existem indicadores visuais para seguir. O jogador é obrigado a ouvir, a sentir a batida e a confiar no ouvido. O mais curioso é que o próprio jogo faz tudo para sabotar essa confiança, muda ângulos de câmara, elimina referências visuais, coloca objetos a tapar a ação e até apaga as luzes. Parece injusto, mas nunca é. O erro acontece porque perdemos o compasso e não porque o jogo decidiu enganar-nos.
Os 80 novos minijogos oferecem uma criatividade que poucas produções conseguem igualar. Num momento estamos a travar e acelerar um automóvel ao ritmo da música, no seguinte controlamos um caranguejo que joga voleibol com um snack, ou um robô que separa pudins perfeitos dos defeituosos usando olhos laser. Há ainda desafios mais inesperados, como interpretar uma linguagem alienígena apenas através dos sons emitidos. Cada conceito dura o suficiente para deixar vontade de repetir, sem tempo para se tornar repetitivo. Depois chegam os remixes, medleys frenéticos que misturam vários desafios numa única sequência e que representam alguns dos melhores momentos do jogo.
A simplicidade dos controlos também merece destaque. Grande parte da aventura resolve-se com o botão A e alguns momentos pedem o direcional para manter ambas as mãos ocupadas. Parece básico, mas exige uma precisão quase metronómica. Quando finalmente surge a classificação perfeita, a sensação de recompensa é enorme. O equilíbrio entre exigência e justiça continua a ser uma assinatura da série.
Nem tudo acerta na mesma intensidade. A progressão é demasiado rígida e obriga a desbloquear cada minijogo pela ordem definida, passando sempre pelo respetivo tutorial antes de avançar. Esses tutoriais são inteligentes porque ensinam a identificar espaços rítmicos que muitos jogadores nunca tinham percebido, mas o ritmo lento contrasta demasiado com a velocidade das versões finais e pode gerar alguma frustração. Também o menu principal transmite uma estranha falta de personalidade quando comparado com a explosão de cor e charme presente durante as partidas.
Fora da campanha principal existe bastante conteúdo. O modo Beatspell transforma a fórmula numa curiosa aventura inspirada em RPG, onde os feitiços dependem da cadência dos comandos e da leitura do padrão musical dos inimigos. Junta-se ainda uma coleção de brinquedos musicais, um café para descontrair entre sessões mais exigentes e um modo multijogador recheado com mais de 30 desafios cooperativos e competitivos para até quatro jogadores. É um complemento excelente e perfeito para sessões descontraídas entre amigos.
Existe apenas um aviso importante. Jogar na televisão pode introduzir atraso no áudio suficiente para comprometer a experiência, mesmo com a calibração disponível. Em modo portátil tudo responde de forma muito mais precisa e utilizar auscultadores com fio continua a ser a melhor opção.
Rhythm Paradise Groove prova que uma ideia simples continua a superar muitas produções gigantes quando é executada com confiança, criatividade e um domínio absoluto do ritmo. É um regresso que respeita o legado da série, acrescenta conteúdo relevante e mantém intacta a capacidade de transformar uma única batida em diversão pura.
Nota: 9/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





