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Jogos: Alien: Rogue Incursion: Part One: Evolved Edition – Análise

O terror sci-fi chega às consolas com Alien: Rogue Incursion: Part One: Evolved Edition, mas tropeça ao repetir-se e cheio de problemas técnicos.

Alien: Rogue Incursion: Part One: Evolved Edition

Jogo: Alien: Rogue Incursion: Part One: Evolved Edition
Plataforma Disponível: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Plataforma testada:  Nintendo Switch 2
Desenvolvedor: Survios
Editora: Survios

Alien: Rogue Incursion: Part One: Evolved Edition

Alien: Rogue Incursion: Part One: Evolved Edition tentou captar a essência de Alien e em, certos pontos, cumpriu. Percebeu claramente a estética, o som e o desconforto daquela ficção científica industrial que Ridley Scott eternizou, mas nem sempre sabe o que fazer com isso depois da primeira rajada de tensão. O resultado é um shooter na primeira pessoa competente, por vezes intenso, mas demasiado preso às suas origens em realidade virtual para atingir o patamar de clássico moderno da licença.

A campanha coloca-nos na pele de Zula Hendricks, antiga Colonial Marine e personagem já conhecida pelos fãs mais dedicados do universo expandido. Acompanhada pelo sintético Davis 01, Zula chega ao complexo Castor’s Cradle, no planeta Purdan, após um pedido de socorro que, claro, corre pessimamente mal. Weyland-Yutani, experiências obscuras, corredores apertados e Xenomorfos aos gritos, está tudo aqui, embrulhado numa narrativa escrita por Alex White, autor de algumas das melhores novels recentes da saga Alien.

Alien: Rogue Incursion: Part One: Evolved Edition

O ambiente é facilmente o maior trunfo do jogo. O design sonoro é absurdo de bom. Cada passo metálico, cada ventilação a ranger e cada silvo distante faz o cérebro entrar automaticamente em modo de sobrevivência. O clássico Pulse Rifle M41-A soa pesado, agressivo, quase táctil, mesmo na Switch 2. A direcção artística também acerta em cheio naquele retrofuturismo sujo e opressivo que faz lembrar Hadley’s Hope. Há amor pelo material original, muito amor.

No entanto, é aqui que surgem os problemas. A primeira metade do jogo consegue equilibrar suspense e acção com relativo sucesso. O problema é que a fórmula rapidamente entra em loop. Missões de ir buscar cartões, activar geradores e regressar aos mesmos corredores tornam-se rotina. Muito da segunda metade parece artificialmente esticado através de backtracking cansativo e encontros repetitivos. O cliffhanger final reforça ainda mais essa sensação de “isto é só metade do jogo”.

Alien: Rogue Incursion: Part One: Evolved Edition

Os Xenomorfos também perdem impacto depressa demais. Em Alien: Isolation, um único Alien bastava para causar pânico absoluto. Aqui, um confronto um contra um resolve-se quase sempre com algumas balas bem colocadas. O terror surge apenas quando aparecem vários inimigos ao mesmo tempo e o carregador está quase vazio. Pior ainda, os Aliens surgem frequentemente do nada, literalmente à frente do jogador, como inimigos de galeria de tiro em vez de predadores inteligentes.

As raízes VR também continuam demasiado visíveis. As animações exageradas das mãos, a câmara ligeiramente “flutuante” e os terminais de hacking desenhados para interacção física quebram alguma da imersão tradicional. Na Switch 2, existe suporte para gyro aiming e até um curioso modo de controlo estilo rato com o Joy-Con pousado numa superfície, mas nenhuma destas opções convence totalmente. O modo Performance salva a fluidez com 60fps, embora transforme algumas texturas numa confusão baça e sem detalhe.

Ainda assim, há aqui um núcleo interessante. Quando o jogo abranda, quando as luzes falham e o detector de movimento começa a apitar, Alien: Rogue Incursion consegue capturar aquela ansiedade claustrofóbica que os fãs querem sentir. Só é pena que depois troque subtilidade por ondas intermináveis de monstros e sistemas repetitivos.

Alien: Rogue Incursion: Part One: Evolved Edition

Resta concluir que, não é o sucessor espiritual de Alien: Isolation, nem o shooter explosivo que alguns esperavam. Fica algures no meio. Num meio um pouco estranho.

Nota: 5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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