Jogos: EvoCreo 2 – Análise
EvoCreo 2 oferece um RPG de captura de monstros cheio de estratégia e mais de 300 criaturas, apesar de também sofrer de alguns problemas de ritmo.

Jogo: Evocreo 2
Disponível para: PC, iOS, Android
Versão testada: PC
Desenvolvedora: Ilmfinity Studios
Editora: Ilmfinity Studios

EvoCreo 2 tenta ser fiel ao que é, sem ser espalhafatoso. Desde o momento em que o seu mundo em pixel art de inspiração retro se abre diante do jogador, o jogo assume sem reservas as suas influências. Sim, o ADN de Pokémon é impossível de ignorar, mas, em vez de soar a imitação barata, muitas vezes parece uma verdadeira carta de amor à fórmula clássica dos monster catchers. Essa familiaridade joga claramente a seu favor, sobretudo para quem procura um RPG jogável offline, capaz de absorver facilmente mais de vinte horas de aventura. A estrutura base, com captura de criaturas, exploração e uma narrativa que se vai desenrolando de forma gradual, é clássica no melhor sentido da palavra.
A verdadeira estrela da experiência é o elenco de Creo. Com mais de 300 monstros disponíveis, EvoCreo 2 oferece aos colecionadores muito por onde se entusiasmar e, felizmente, os designs vão muito além do mero enchimento. Muitas criaturas apresentam silhuetas distintas, animações apelativas e uma personalidade surpreendente. Algumas ficam na memória quase de imediato, daqueles designs que permanecem mesmo depois de desligar o jogo. Os sistemas de evolução e prestígio acrescentam uma profundidade mecânica bem-vinda, transformando cada Creo em algo mais do que um simples conjunto de estatísticas. É aqui que o jogo começa a afastar-se da ideia de ser apenas “mais um Pokémon-like” e começa, de facto, a construir uma identidade estratégica própria.
O combate é, sem dúvida, o pilar mais forte de toda a experiência. As batalhas por turnos oferecem profundidade táctica suficiente para manter os veteranos do género envolvidos, com a gestão de cooldowns, passivas, sinergias elementais e escolhas evolutivas a alimentar um ciclo de decisão bastante satisfatório. As lutas não se resumem a escolher o ataque mais forte e seguir em frente, existe aqui uma gestão real de ritmo e controlo de combate. Em termos mais técnicos, a economia de combate está surpreendentemente bem estruturada para um RPG indie, equilibrando acessibilidade com sistemas suficientemente profundos para recompensar quem gosta de optimizar equipas.
Ainda assim, EvoCreo 2 não está isento de frustrações. A movimentação no overworld pode parecer lenta, algo que se torna mais evidente com o passar das horas. A exploração deveria transmitir entusiasmo, mas a velocidade reduzida de deslocação, combinada com a elevada frequência de encontros aleatórios, quebra por vezes o fluxo da aventura. Em certos momentos, aquilo que deveria ser uma jornada empolgante transforma-se em atrito desnecessário. Para agravar, o balanceamento ocasionalmente apresenta picos de dificuldade que obrigam a sessões de grind mais longas do que o desejável.
Apesar disso, o charme nunca desaparece por completo. O mundo é convidativo, as side quests ajudam a manter o ritmo, e existe uma genuína paixão pela filosofia old-school que transparece em cada detalhe. Pode não reinventar o género, mas percebe perfeitamente porque é que tantos jogadores se apaixonaram por ele.
No final, EvoCreo 2 é um RPG confiante, divertido e, por vezes, teimoso. Tropeça no ritmo e na originalidade, mas compensa com combate sólido e criaturas memoráveis.
Nota: 7,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.



