Jogos: Análise – Forza Horizon 6
Forza Horizon 6 leva-nos até ao Japão, no que é o jogo de corridas mais ambicioso da Playground Games, já disponível na Xbox Series X|S, PC e Xbox Game Pass.
Em 2012, a Xbox quis expandir a marca Forza, cujo sucesso, desde a primeira consola, esteve focado em Forza Motorsport, um misto de simulador com jogo de corridas, que muitos apelidaram, na altura, de rival de Gran Turismo, da PlayStation. Mas o ADN desta nova jornada, com Forza Horizon, quis focar-se num mundo aberto, em corridas mais arcade e na diversão máxima.
Ao longo dos anos e de várias sequelas, Forza Horizon explorou vários cantos do planeta, desde os Estados Unidos à Europa, passando pela Austrália, o Reino Unido e o México, ajustando o jogo, cada vez mais, a um formato altamente apelativo para os jogadores, que há muitos anos imploram para que o Japão seja o próximo país escolhido. Dito e feito, eis que Forza Horizon 6 leva-nos até ao país nipónico, naquela que é a entrada mais ambiciosa até agora.
Há um intervalo de cinco anos entre este e o último jogo, que foi lançado apenas um ano depois da chegada da Xbox Series X, que marcou a nova geração de consolas. Ainda que fosse um jogo muito sólido, correspondendo a todas as expectativas, este tempo permitiu que os desenvolvedores da Playground Games melhorassem tudo aquilo que foram aprendendo sobre as consolas Xbox, bem como sobre o PC, onde também residia uma grande fatia de jogadores. O que agora nos chega é fruto da dedicação em entregar o melhor jogo de corridas alguma vez feito, ou, pelo menos, o jogo favorito de qualquer fã do género.
Posso dizê-lo de imediato: missão cumprida, sendo que, pela primeira vez em muito tempo, Forza Horizon 6 excede expectativas, e isso acontece apenas no seu lançamento inicial, sem esquecer que iremos poder contar com muito conteúdo nos próximos anos, desde carros novos a outras actividades e corridas, bem como as duas expansões habitualmente garantidas. O melhor de tudo é que esse conteúdo terá continuadamente como pano de fundo o Japão, onde a cultura automóvel é vivida de outra forma.
Não é novidade que o amor dos japoneses por automóveis personalizados, frequentemente como uma extensão da personalidade dos respectivos condutores, seja conhecido mundialmente; foi há sensivelmente duas décadas que a saga Velocidade Furiosa estreou Tokyo Drift nos cinemas, numa altura em que a customização dos modelos nipónicos era largamente admirada, muitos deles importados para os Estados Unidos, fazendo furor por todo o mundo. Eventos como o SEMA e a feira de Essen, há décadas a destacar os melhores customizadores do mundo, também impulsionaram o ambiente automóvel como o conhecemos hoje. Até no mundo das miniaturas de carros, as marcas japonesas e as casas de especialidade de customização, como Liberty Walk, Rocket Bunny e muitas outras, são adquiridas de forma quase religiosa.
Tudo isto tem contribuído para que a percepção do mundo automóvel japonês seja algo que muitos querem explorar virtualmente. Antes de Forza Horizon 6 chegar, Tokyo Extreme Racer e JDM: Japanese Drift Master capitalizaram a revitalização dessa cultura, mas de formas muito específicas entre si e com um sucesso misto junto dos jogadores, que procuravam uma experiência familiar num ambiente completamente novo; enquanto The Crew: Motorfest se focava em ser o melhor jogo de mundo aberto possível, algo que, ao longo de quase três anos, tem conseguido fazer com a introdução constante de novos conteúdos.
Ao contrário dos jogos anteriores, onde éramos imediatamente galardoados como pilotos superexperientes, em Forza Horizon 6 começamos por baixo, como meros curiosos, e, ao longo de várias corridas, tarefas e outras descobertas, vamos subindo de nível e ganhando pulseiras novas, que nos dão acesso a mais eventos. Esta jornada alucinante leva-nos à Legend Island, que é desbloqueada após recebermos a derradeira pulseira dourada e onde acontecem as corridas mais rápidas.
O caminho para o ouro não é feito apenas de meras corridas, estas, como sempre, bastante variadas. Desde carros comuns a hipercarros, de rali e de corrida, são sempre os mais específicos que nos entusiasmam, como os carros kei — uma categoria de carros japoneses, muito pequenos, leves e económicos, pensados sobretudo para a cidade e sujeitos a limites legais de dimensões e potência — e o bestial carro de capa 2025 GR GT Prototype, que é simplesmente lindíssimo de conduzir. Cada corrida tem o seu tipo de carro, permitindo explorar o grande leque de modelos disponíveis, com mais de 550 bólides no lançamento.
Inspirada no seu país anfitrião, toda a mecânica de conteúdos está integrada de forma muito directa, com os jogadores também a coleccionarem carimbos à medida que vão completando desafios. Existem também várias missões, ou trabalhos, que envolvem entregar comida a vários pontos da região ou aprender mais sobre a cultura local ao volante de um carro, enquanto exploramos as curvas e ouvimos Mei a falar, apaixonadamente, sobre a sua história. Estes são apenas dois exemplos de actividades que diversificam aquilo que o jogo tem para oferecer, aos quais se juntam centenas de itens, como cartazes e mascotes, para “destruir”, e dezenas de carros escondidos pelo mapa para serem descobertos.
Este sistema de progressão muda um pouco a abordagem habitual, em que a mistura de classes de veículos, desde os comparativamente mais lentos aos mais rápidos, surgia logo desde o primeiro momento. Desta vez, as pulseiras condicionam as classes em que as corridas decorrem, oferecendo um percurso em que é possível explorar o espectro da velocidade. No entanto, no mundo aberto, o jogador pode, naturalmente, escolher um carro de qualquer classe para explorar o enorme mapa, a qualquer momento. Essa possibilidade tem sido uma das grandes críticas de muitos jogadores, que, talvez num estado de nostalgia, têm saudades dos tempos em que os jogos de corrida nos obrigavam a apreciar o nosso carro até conseguirmos dinheiro ou nível suficiente para um mais rápido. Mas Forza Horizon nunca teve propriamente esse objectivo, procurando antes que o jogador explorasse o máximo possível da sua garagem.
Durante a primeira semana de jogo, o esplendor das flores de cerejeira não parece perder o seu encanto. Ainda que, neste momento, tenha apenas cerca de 20 horas de jogo, a pulseira dourada já é minha e ainda há muito por onde correr no jogo. As centenas de estradas ainda não foram todas bem descobertas, e há trabalho por fazer, mas pelo menos já descobri por onde andam os carros escondidos. Mais importante ainda é o regresso do Festival Playlist, os desafios semanais que irão requerer alguma dedicação ao longo dos próximos anos, sobretudo sendo esta a forma como os desenvolvedores introduzem novos modos de jogo e, principalmente, novos carros, muitos deles exclusivos e que só muito mais tarde poderão voltar a estar disponíveis. Ainda não é claro como a Playground Games tenciona disponibilizar os veículos, mas suspeita-se que seja através da venda dos mesmos nos vários pontos do mapa, onde vão surgindo carros exclusivos, incluindo vários especiais Forza Edition.
Aliado a tudo isto está um sistema gráfico altamente melhorado e mais confortável com aquilo a que a geração de consolas e placas gráficas está disposta a chegar. Na Xbox Series X, existem dois modos: Performance, cujo alvo são os 60 FPS em 4K dinâmico, e Ray Tracing (ou modo Qualidade), que corre a 30 FPS, mas eleva os detalhes gráficos a um nível que nunca tínhamos visto até hoje num jogo de corridas na consola Xbox. É simplesmente incrível como a luz e as reflexões sobre os carros, o quão viva a cidade respira no nosso televisor e o detalhe que, por momentos, poderá ser confundido com um mundo verdadeiramente real.
Entre os outros muitos detalhes de relevo estão as rádios do jogo, com uma seleção de bons temas de múltiplos géneros e com o foco nipónico, como a presença das Babymetal, com também de uma rádio com música exclusivamente japonesa, indo mais além da imersão.
Assim, Forza Horizon 6 é a derradeira experiência da série, num país cuja reputação e respeito pela cultura automóvel se reflectem num videojogo que, sem dúvida, irá satisfazer todos os tipos de fãs do género. Para melhor ou para pior, este jogo não muda radicalmente a sua fórmula, optando por refinar e melhorar, em todos os aspectos, tudo aquilo que faz a série funcionar, oferecendo algo verdadeiramente precioso nos dias de hoje.
Nota Final: 9/10
Forza Horizon 6 está disponível para a Xbox Series X|S, PC (Xbox) e PC (Steam). O jogo também está disponível para os subscritores do Xbox Game Pass Ultimate e Xbox Game Pass PC.
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.





