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Jogos: Devil Jam – Análise

Devil Jam mistura o caos viciante dos survivor-like com um visual infernal cheio de atitude, oferecendo uma experiência divertida e intensa.

Devil Jam

Jogo: Devil Jam
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: Rogueside
Editora: Rogueside

Devil Jam

À primeira vista, Devil Jam parece aquele conceito que quase se vende sozinho: pega na fórmula compulsiva e caótica dos roguelites do estilo survivor, veste-a com uma estética rock infernal cheia de personalidade e apresenta tudo com um visual que evoca claramente a elegância de Hades. A nova proposta da Rogueside é, desde os primeiros minutos, uma aposta fácil de recomendar. Impressiona de imediato pela atitude, pelo polimento visual e por uma premissa deliciosamente absurda: uma banda em ascensão morre precisamente no momento em que estava prestes a alcançar o sucesso e acaba recrutada pelo próprio Diabo, aqui reinventado como um executivo musical impecavelmente vestido, para derrotar a Morte e recuperar a vida.

E, verdade seja dita, resulta muito bem. Há um apelo imediato em entrar na pele de Falco, guitarra na mão, enquanto o Inferno despeja vagas sucessivas de morcegos, slimes e demónios musculados sobre o campo de batalha. O ciclo central de jogo será instantaneamente familiar para os veteranos do género, mas a temática musical dá-lhe um ritmo próprio. O grande destaque vai para a grelha inspirada num braço de guitarra, posicionada na parte inferior do ecrã, onde as habilidades são colocadas segundo uma estrutura rítmica em 4/4 e ativadas automaticamente a cada batida. É uma ideia inteligente, temática e mais do que um simples detalhe estético. As partidas começam a parecer menos uma construção aleatória de build e mais a composição de um riff destrutivo, sobretudo quando os amplificadores entram em jogo e transformam ataques vizinhos em cadeias espetaculares de explosões, estilhaços de gelo e criaturas bizarras invocadas.

Devil Jam

Visualmente, o jogo apresenta-se acima do que se poderia esperar. O estilo desenhado à mão, as linhas fortes e os efeitos de alto contraste ficam excelentes em movimento, especialmente quando o ecrã está completamente preenchido por partículas, inimigos e explosões. O jogo lida muito bem com este caos visual, embora existam pequenas falhas técnicas que quebram ocasionalmente a imersão, como alguns soluços no áudio durante as transições e certos efeitos onde se tornam visíveis hitboxes quadradas.

O ponto em que Devil Jam perde força está na longevidade. O problema não reside no gameplay momento a momento, que continua divertido, intenso e satisfatório, mas sim na rapidez com que a estrutura começa a revelar as suas limitações. Três arenas visualmente semelhantes, pouca variedade de inimigos e bosses repetidos fazem com que a repetição se instale mais cedo do que seria desejável. Depois de derrotar a Morte algumas vezes, a sensação de progressão torna-se mais mecânica do que entusiasmante, com a longa lista de missões a soar mais a tarefa administrativa do que a verdadeira descoberta.

Devil Jam

Ainda assim, é uma recomendação fácil para fãs de roguelites e bullet heavens que procurem algumas horas de diversão caótica e estilosa. Talvez não venha a tornar-se uma referência maior do género, mas durante várias horas consegue oferecer exatamente aquilo que promete: um espetáculo exagerado e muito divertido.

Nota: 7/10

 

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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