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Jogos: Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection – Análise

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection mistura combate estratégico por turnos com um sistema ecológico complexo, entregando um RPG ambicioso, tão envolvente quanto exigente.

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection

Jogo: Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Capcom
Editora: Capcom

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection não se limita a iterar sobre a fórmula, expande-a, reconfigura-a e, por vezes, leva-a ao limite. Já não é apenas o “Monster Hunter encontra Pokémon” que definia o spin-off. Aqui temos algo mais denso, mais sistémico e, em certos momentos, assumidamente complexo.

A mudança na direção visual diz muito. Desaparece o estilo mais leve e quase “de brinquedo” dos jogos anteriores, dando lugar a uma abordagem mais realista, ainda vibrante, mas com iluminação mais sofisticada e ambientes mais detalhados. As cutscenes têm um peso cinematográfico inesperado, embora essa ilusão se quebre ocasionalmente com pop-in de texturas ou quebras de desempenho, sobretudo na versão da Switch 2. Ainda assim, o combate mantém-se fluido, e num jogo tão dependente de ritmo e leitura de padrões, isso faz toda a diferença.

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection

A nível narrativo, o jogo aposta forte em drama político e colapso ambiental. Assumimos o papel do herdeiro de Azuria, mas também de Ranger, uma espécie de guardião dos ecossistemas num mundo que está, lentamente, a deteriorar-se. O conflito entre Azuria e Vermeil podia ser apenas mais uma guerra clássica, mas o conceito de “reflexos distorcidos”, com dois Rathalos espelhados em lados opostos, introduz uma camada temática mais interessante do que o esperado. Fala-se de dualidade, legado e desequilíbrio. Não é subtil, mas funciona.

As personagens, no geral, cumprem bem o seu papel. A estrutura de missões secundárias focadas em cada personagem, com arcos próprios, é um dos pontos fortes da narrativa. Dá profundidade e contexto emocional a um jogo que, de outra forma, podia tornar-se numa lista interminável de tarefas. Nem tudo resulta, no entanto. Rudy, o companheiro Palico, é particularmente divisivo, por vezes mais irritante do que carismático. A linha entre alívio cómico e saturação narrativa nem sempre é respeitada.

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection

Em termos de mecânicas, o jogo torna-se especialmente interessante, e exigente. O sistema de Monsties evolui para algo próximo de gestão ecológica. Já não se trata apenas de recolher ovos, trata-se de manipular habitats, restaurar equilíbrios e otimizar resultados através do investimento no ambiente. É uma ideia inteligente, mas também bastante exigente. O ciclo de chocar, libertar e melhorar regiões adiciona profundidade, embora possa afastar quem procura progressão mais direta.

O Rite of Channeling é outro sistema que praticamente vive dentro do próprio jogo. A grelha 3×3 de genes incentiva a otimização quase obsessiva. Criar “bingos” para boosts de estatísticas é satisfatório, mas introduz também um nível de microgestão que pode quebrar o ritmo. Para quem gosta de maximizar builds, é excelente. Para outros, pode parecer trabalho administrativo.

Felizmente, o combate continua a ser o pilar central. O sistema pedra-papel-tesoura, Power, Technical, Speed, mantém-se, mas é enriquecido com elementos clássicos de Monster Hunter, como partir partes específicas dos monstros e trocar de armas a meio do combate. Há um ritmo muito próprio nas batalhas, mesmo sem controlo direto total sobre o Monstie. Influenciamos mais do que controlamos, e essa nuance mantém o sistema envolvente sem o tornar excessivamente complexo.

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection

Ainda assim, surgem problemas de ritmo na fase final. Os inimigos tornam-se autênticas esponjas de dano, há picos de dificuldade pouco previsíveis e o grinding deixa de ser opcional para se tornar praticamente obrigatório. Não arruína a experiência, mas quebra alguma da fluidez da progressão.

A exploração liga tudo isto, mesmo recorrendo a convenções já familiares do design open-world. As torres para revelar o mapa já são quase um cliché, mas o sistema de progressão baseado em habilidades dos Monsties, voar, nadar, escalar, introduz uma dinâmica próxima de um Metroidvania. Voltamos constantemente a áreas antigas com novas capacidades, desbloqueando segredos antes inacessíveis. Funciona bem, apesar de não ser particularmente inovador.

E depois há os sistemas secundários. Os Poogies funcionam como colecionáveis, enquanto o sistema de monstros invasores adiciona uma camada ecológica interessante, eliminar a ameaça permite o regresso de espécies raras. O crafting mantém-se robusto, fiel às raízes da série, oferecendo uma progressão tangível que equilibra os sistemas mais abstratos.

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection

No final, Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection é um jogo de camadas. Sistemas dentro de sistemas, todos interligados. É ambicioso, por vezes em excesso. Quando tudo encaixa, é profundamente recompensador, uma máquina complexa onde cada peça tem função. Quando não encaixa, pode parecer que estamos a lutar contra o próprio design.

Nota: 8,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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