Jogos: God of War: Sons of Sparta – Análise
God of War: Sons of Sparta tenta reinventar Kratos numa prequela em formato Metroidvania 2D, mas a ambição e a execução raramente caminham lado a lado.
Jogo: God of War: Sons of Sparta
Disponível para: PlayStation 5
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Mega Cat Studios, Santa Monica Studio
Editora: Sony Interactive Entertainment
God of War: Sons of Sparta propõe algo interessante à partida, regressar à juventude de Kratos e explorar a sua relação com Deimos durante os tempos áureos de Esparta. A narrativa assume a forma de uma fábula contada por um Kratos já adulto à jovem Calliope, um enquadramento que encerra potencial dramático considerável, sobretudo para quem conhece o destino trágico da sua família. A ideia é sólida e emocionalmente promissora.
O problema reside no tom. O diálogo moderno, carregado de ironias e provocações quase adolescentes, cria uma dissonância frequente com o peso trágico e mitológico do universo da série. Humaniza Kratos? Sem dúvida. Acrescenta-lhe vulnerabilidade e proximidade. Contudo, também dilui parte da identidade brutal, quase operática, que sempre definiu a personagem. O equilíbrio entre intimidade e grandiosidade raramente é plenamente conseguido.
No campo da jogabilidade, a substituição das clássicas Lâminas do Caos por lança e escudo poderia ter representado uma evolução estratégica interessante. Em teoria, o sistema modular, hastes que alteram finalizadores, pontas com efeitos elementais e pomos que desbloqueiam ataques de Espírito, sugere profundidade e personalização significativa. Na prática, porém, o combate raramente atinge o impacto desejado. Falta contundência nos golpes, falta fluidez nas transições e falta, sobretudo, uma sensação de peso consistente.
O sistema de Espírito estabelece um ciclo funcional entre dano, cura e atordoamento, mas nunca verdadeiramente empolgante. Já o sistema defensivo codificado por cores transforma muitos confrontos num exercício mecânico de leitura visual, quase um teste de reflexos ao estilo “Simon Says”, em vez de uma dança visceral de ataque e contra-ataque. As batalhas contra bosses elevam a fasquia em termos de espetáculo e escala, mas ignoram efeitos de estado e reduzem as diferentes builds a variações quase cosméticas. A estratégia entra em cena, mas rapidamente dá lugar ao caos visual e a padrões previsíveis.
A exploração da região da Lacónia, incluindo áreas como a forja de Dédalo, cumpre os requisitos mínimos do género Metroidvania, mas raramente vai além disso. O pixel art é competente, com cenários bem compostos e boa utilização de luz e sombra, mas as animações revelam rigidez e pouca expressividade. O pacing é, talvez, o verdadeiro vilão, habilidades essenciais surgem demasiado tarde numa campanha que ronda as 20 horas e que transmite a sensação de ter sido artificialmente prolongada.
As dádivas associadas a Apolo, Héstia e Nice funcionam como chaves clássicas de progressão, desbloqueando novas rotas e segredos, mas raramente surpreendem ou transformam a forma como se explora o mundo. Explora-se muito, recompensa-se pouco. A sensação de descoberta, fundamental no género, acaba por se diluir.
A banda sonora de Bear McCreary mantém a solenidade e o dramatismo característicos da saga, mas soa mais a reaproveitamento estilístico do que a uma identidade verdadeiramente nova. O uso das funcionalidades do DualSense é criativo e pontualmente imersivo, mas não compensa as quebras ocasionais de framerate, pequenos problemas de sincronização áudio e alguns crashes esporádicos que prejudicam o ritmo.
No balanço final, Sons of Sparta é um spin-off competente, mas longe de memorável. Tem boas ideias, alguma alma e momentos sólidos que demonstram respeito pelo legado da série. No entanto, o ritmo arrastado, o combate inconsistente e a falta de ousadia estrutural impedem-no de atingir o patamar que o nome God of War carrega. É um exercício interessante de expansão do universo, mas não essencial.
Nota: 6/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






