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The Mandalorian: Os Bastidores da Galáxia! – As Entrevistas originais aos Criadores.

Hoje voltamos a visitar as aventuras de Din Djarin, com mais uma ronda de entrevistas! Desta vez analisamos a produção da primeira temporada com os Realizadores, Produtores e o Compositor responsáveis por este fenómeno intergalático!


Como descreveria a sua experiência a trabalhar com os cinco realizadores da primeira temporada de The Mandalorian?
Jon Favreau: Tem sido incrível. O entusiasmo deles aparenta ser contagioso e o ambiente é muito propicio ao trabalho em equipa. Temos Taika Waititi, Rick Famuyiwa e Bryce Dallas Howard como realizadores, bem como Deborah Chow, que agora se prepara para realizar a série sobre Obi-Wan Kenobi. Ainda por cima, esta é a estreia de Dave Filoni como realizador de imagem real. Falamos muito sobre a história, e eu escrevo a maior parte, mas isso é apenas uma rampa de lançamento para os realizadores. Sempre quisemos que os realizadores estivessem envolvidos e colaborassem com toda a equipa da série, sejam eles ILM, ou Lucasfim, ou o elenco de The Mandalorian. Dessa forma, o trabalho torna-se uma divertida aventura colaborativa que acaba por desenvolver a sua própria identidade. Cada realizador tem a oportunidade de ter uma medida de autoria sobre o projeto, quase como se de um filme se tratasse. Isso difere da maioria do trabalho na televisão, pelo que tem sido bastante interessante trabalhar todos os dias neste ambiente.

Quais as qualidades em comum dos cinco realizadores?
Jon Favreau: Tem sido interessante porque todos têm historiais differentes: Cinema independente, televisão e animação. Os prerequesitos eram que precisavam de ser fãs de Star Wars, e acho que é por isso que o projeto tem sido tão coeso. Durante as rodagens, todos os realizadores me diziam “Estamos a pensar fazer isto, isto e isto.” E eu respondia, “Bem, isto é o que isso significaria e isto é o impacto disso – e esta é a regra como ela existe agora. Era assim que era em The Clone Wars. Isto era o que George Lucas dizia sempre.” Tivemos esta discussão talmúdica sobre todos os aspetos da história, mas os realizadores estavam sempre dispostos a isso. Nunca se sentiam confinados. Sentiam-se convidados a fazer parte do crescimento do cânone.

O que foi unico sobre a sua experiencia em The Mandalorian, Deborah?
Deborah Chow: Como realizadora, não é costume ter a oportunidade de interagir com outros realizadores. Eu já fiz muita televisão, mas normalmente cada um faz o seu trabalho e acabam por não colaborar. Eu penso que essa é umas das vertentes mais interessantes e fantásticas sobre esta série, o facto que todos os realizadores se conheciam bem e colaboraram. De certa forma, estivemos todos envolvidos no trabalho uns dos outros, eramos uma equipa. Ao mesmo tempo, todos tínhamos a nossa própria voz, o que é espetacular.

Como descreveria esta sua experiência como realizador, Rick?
Rick Famuyiwa: Trabalhar em The Mandalorian foi como visitar um campo de férias de Star Wars. Foi fantástico. Quando me disseram que Jon queria reunir comigo para falar do projeto a minha reação foi “Viu [o meu filme] Dope(O Caloiro da Droga)? Viu os meus filmes? Tem a certeza?” Mas acho que isso é uma prova do caráter de Jon, porque ele consegue ver todo o diferente talento à sua volta. Ele disse, “Quero trazer algumas destas novas vozes a Star Wars.” E tem sido interessante para mim porque todos os meus filmes foram influenciados por George Lucas de tantas formas diferentes. Star Wars foi o primeiro filme que vi no cinema e American Graffiti [também realizado por George Lucas] foi a influência por trás do primeiro filme que realizei, uma longa-metragem chamada The Wood. Por essas razões, trabalhar neste projeto foi um completar de ciclo maravilhoso. Estar na rodagem de The Mandalorian foi extraordinário. Jon criou este ambiente incrível no qual dizia, “Tragam a vossa voz. Tragam o vosso talento.” E todos nos apoiamos mutuamente enquanto produziamos a série. Foi um ambiente único de cinema criativo e eu estou tão orgulhoso de ter participado.

E você, Bryce? Como se sente ao fazer parte do universo Star Wars?
Bryce Dallas Howard: Acho que todos sabemos que fazer parte deste legado narrativo é um enorme previlégio e honra. Quando era criança, fez parte da tapeçaria da minha infância, pelo que tem sido emocionante continuar essa experiência de brincar com estas personagens e perder-me nesta história extraordinária. Estou imensamente grata por isso. Tive alguns dos melhores momentos da minha vida em The Mandalorian.

O seu pai- cineasta icónico Ron Howard – tem sido um dos colaboradores mais próximos de George Locas. Quais as suas primeiras memórias do criador de Star Wars?
Bryce Dallas Howard: Todos os Natais, George enviava-nos figuras de Star wars. Todos os anos, eu brincava com elas e submergia-me nesse mundo. Tinha cinco anos quando George, Kathleen [Kennedy] e o meu pai produziram Willow juntos, pelo que ele tem sido parte da minha vida já há muito tempo. George foi e é um extraordinário mentor para o meu pai. Mentoria é muito importante para ele. George é um enorme mentor para Dave Filoni e o próprio me disse que vê Dave quase como um filho. Isso é importantissimo porque isto foi George a transmitir a sua sabedoria de Star Wars. O facto de Jon ter criado esta oportunidade para todos nós, de ter sido nosso mentor… Bem, é tão honesto e genuíno à criação de George.

Taika Wititi é o quinto e último realizador da primeira temporada. Como descreveria a sua experiência de trabalhar com ele, Jon?
Jon Favreau: Quando se traz um realizador como Taika Waititi a bordo, ele claramente aceita por paixão, pois atualmente é tamanha figura de destaque. Quando Taika chega ao cenário, toda a gente fica entusiasmada porque surge uma energia diferente. Ele encontra oportunidades humoristicas constantemente e traz esse seu humor característico à história, mas também é um fã. Para mim, esse era o requisito mínimo. Não era preciso ser-se o realizador mais experiente nem era preciso ter-se trabalhado em Star Wars antes. Nem era preciso ter-se realizado em imagem real antes. O que se pedia era que estivessem dispostos a colaborar, que amassem Star Wars e que quisessem fazer algo fantástico. Tinham de ajudar a inventar esta novidade. Taika chegou como um veterano experiente com instintos formidáveis. Estou-lhe imensamente grato.

Quando lhe foi dado a conhecer o compositor, Ludwig Göransson?
Jon Favreau: [O realizador de Black Panther] Ryan Coogler falou-me bastante de Ludwig. Sempre que falámos sobre cinema, Ryan mencionava-o. Depois trabalhei com Donald Glover, que também me contou coisas maravilhosas sobre ele. Donald e Ludwig andavam a colaborar, não apenas no cinema, soube logo que o queria conhecer.

Como correu essa primeira reunião?
Jon Favreau: Eu falei-lhe sobre todas as coisas que estavam a influênciar o que eu e Dave [Filoni] estavamos a fazer com The Mandalorian, em concreto a influência dos westerns e filmes de samurai. Falámos sobre as diferentes eras da musica nesses filmes e depois, claro, falámos sobre Star Wars.

O que mais se lembra das suas primeiras discussões sobre a música de Star Wars e o perfil sonoro de The Mandalorian?
Jon Favreau: Acima de tudo, conversámos sobre como a música e a imagem se complementam, sobre como nos sentimos quando ouvimos aqueles primeiros sons. Foi difícil definir algo novo que continuasse ligado à sonoridade que o antecedia. Queriamos algo que fosse discordante, algo que refletisse que já não havia estrutura. Embora o Império fosse tirano após a revolução, o caos emerge e a música deveria refletir um pouco mais desse sabor Mad Max em conjunto com o som de Star Wars. Nós demos toda esta informação a Ludwig e surgiu esta incrivelmente estimulante palete de música e instrumentos, esta fusão de tecnologia e classicismo. Da mesma forma que a música definíra os filmes, a música agora definia a série.

Como descreve a sua apresentação a The Mandalorian, Ludwig?
Ludwig Göransson: Sinto-me previlegiado de ter começado extremamente cedo no projeto. Jon chamou-me ao seu gabinete, onde pude analisar as pranchas de temperamento, ver as ilustrações e ler os argumentos. Depois tivemos uma conversa sobre tudo. Perguntei-lhe, “Qual a sua inspiração e o que tem ouvido?”

Como lhe surgiu este empolgante novo som de Star Wars?
Ludwig Göransson: Par mim, a música de Star Wars de John Williams é a melhor banda-sonora alguma vez composta, pelo que havia sem dúvida alguma pressão – mas acredito que a única forma que tinha de fazer isto era tentar algo completamente diferente. Dave e Jon foram extremamente solidários. Eles encorajaram-me sempre a brincar com ideias novas, e foi por isso que comecei com o instrumento menos Star Wars que me lembrei, a flauta de bisel. Costumava tovar flauta quando tinha seis ou sete anos. Acho que toda a gente tocou, mas depois comprei um set de flautas e a última era uma flauta baixo. Começei a tocar e a minha reação foi, “Oh meu Deus… este som é fantástico.” Manipulei a gravação e pûs-lhe uns efeitos modernos em cima que a tornaram numa espécie de “flauta espacial”. Efetivamente, combinámos todos estes instrumentos organicos com uma produção moderna e tecnológica. Também fomos sortudos o suficiente para grafar uma orquestra com alguns dos melhores músicos de Los Angeles. Isso contribuiu para a essência orgânica. Foi o que deu alma à música.

O que lhe passou pela cabeça quando ouviu a banda-sonora de The Mandalorian pela primeira vez, Jon?
Jon Favreau:
Um dia, Ludwig visitou o cenário com a banda-sonora nums headphones. Bryce estava a realizar e Gina [Carano, que interpreta Cara Dune] tambem lá estava, portanto passamos os auriculares uns aos outros e ouvimos todas as faixas. O mais fantástico é que ele não se limitou a dar-nos uma biblioteca de música para passarmos no fundo. Cada realizador e cada episódio tinham a sua própria versão dos temas. É muito Ludwig. É perfeito.


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