JustWatch: os filmes de Natal
À medida que as luzes se acendem e as famílias se reúnem, o ritual cinematográfico de Natal volta a ganhar protagonismo. A análise anual do JustWatch confirma o que muitos já suspeitavam: ano após ano, regressamos a um conjunto muito específico de filmes que se tornaram parte do próprio imaginário natalício. Comédias, romances luminosos, animações reconfortantes e um punhado de clássicos continuam a guiar as rotinas de entretenimento festivo, moldando tradições familiares em dezenas de países.
O observatório JustWatch divulgou a sua lista anual dos Títulos Natalícios Mais Vistos, analisando padrões de visualização nos Estados Unidos, e não só, entre 20 de dezembro e 2 de janeiro, ao longo de 2022, 2023 e 2024.

A comédia mantém, de longe, a supremacia. É nesta categoria que se concentram os títulos com maior capacidade de revisitação obrigatória, daqueles que garantem gargalhadas mesmo à milésima visualização. Entre eles destacam-se Elf – O Falso Duende (2003), Sozinho em Casa (1990), Que Paródia de Natal (1989, National Lampoon’s Christmas Vacation) e O Grinch (2000). A fórmula vence porque oferece exatamente aquilo que o público parece desejar nesta época: leveza, humor absurdo e um espírito de celebração que atravessa gerações.
Mais discretos, mas absolutamente constantes, os romances continuam a ocupar um espaço especial nas listas de revisões. O Amor Acontece (2003, Love Actually) e O Amor Não Tira Férias (2006, The Holiday) permanecem referências incontornáveis. O público procura nestes filmes não apenas histórias de amor, mas também a familiaridade dos cenários, o conforto emocional das narrativas e uma estética que se tornou inseparável da quadra. É nostalgia, escapismo e aconchego — tudo servido com neve, luzes e música suave.

Embora em minoria, títulos de ação e clássicos continuam presentes na memória coletiva. Die Hard – Assalto ao Arranha-Céus (1988) permanece no topo do eterno debate “é ou não é um filme de Natal?”, mas o público parece não ter dúvidas: vê-se, e muito. Da mesma forma, o eterno Do Céu Caiu uma Estrela (1946, It’s a Wonderful Life) mantém a tradição viva, lembrando que há histórias que se tornam rituais, independentemente da geração.

Embora não seja, à partida, associado ao espírito natalício, Alan Rickman tornou-se uma figura curiosamente presente no imaginário desta quadra graças a dois filmes tão distintos quanto influentes. Em Die Hard – Assalto ao Arranha-Céus (1988), Rickman encarna o inesquecível vilão Hans Gruber, transformando um thriller de ação num clássico alternativo de Natal. Já em O Amor Acontece (2003), surge numa narrativa romântica e melancólica, interpretando Harry, um marido dividido entre rotina, tentação e afeto. Dois papéis opostos, mas que contribuíram para cimentar a presença discreta — e muito britânica — de Rickman nas celebrações cinematográficas desta época.

Se há disputa que ganha força a cada ano, é a que opõe Elf – O Falso Duende ao clássico Sozinho em Casa. Não é apenas uma questão de popularidade: é uma batalha entre sensibilidades natalícias.
De um lado, Elf, a comédia moderna que conquistou os públicos anglo-saxónicos, cimentando-se como o grande favorito destes mercados. O humor energético de Will Ferrell, aliado à estética vibrante e ao otimismo quase infantil, cria uma mistura que simboliza o Natal para uma geração inteira.
Do outro lado, Sozinho em Casa, que mantém domínio absoluto entre os espectadores europeus, como os belgas, italianos, franceses e espanhóis. Este filme não depende apenas da nostalgia: a sua mistura de travessuras, caricatura familiar e emoção genuína continua a renovar fãs, ano após ano. Para muitos países europeus, esta é a verdadeira tradição natalícia, tão obrigatória quanto montar a árvore.

A rivalidade entre os dois títulos reflete, no fundo, dois modos de viver o Natal:
– o Natal exuberante e ruidoso, que encontra em Elf a sua expressão máxima;
– o Natal doméstico e familiar, encapsulado na epopeia de Kevin McCallister em Sozinho em Casa.
E talvez seja precisamente esta dualidade — entre o novo e o clássico, entre o caos e a ternura — que explica por que motivo ambos continuam no topo das revisões. Porque, no fundo, todos procuramos no cinema natalício uma forma de regressar a casa — seja ela uma casa real, uma árvore iluminada em família ou apenas uma memória confortavelmente guardada. Qual é o seu título obrigatório na quadra festiva?
Feliz Natal.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

