Werwulf: Robert Eggers promete com este regresso ao Terror Gótico
O novo filme de Terror Gótico de Robert Eggers não pode ser aguardado senão com a maior das expectativas. O bem sucedido realizador de A Bruxa (The Witch, 2015), O Farol (The Lighthouse, 2019) e Nosferatu (2024) dirigiu e escreveu em colaboração com o conhecido escritor islandês Sjón uma história única que promete ser um filme imperdível para quem aprecia histórias de licantropia. Com um ambiente e a narrativa estabelecidos na Inglaterra do século XIII, Werwulf promete ser um filme negro e fantástico.
Werwulf é um título deliberado mais fiel ao Inglês Antigo do que Werewolf, expressão de origem germânica que combina as palavras weraz = homem com wulfaz = lobo. Através deste filme, Robert Eggers é fiel à interpretação própria do Horror Folclórico, explorando o mito do lobisomem num contexto histórico próprio, numa época em que as populações europeias lidavam com o temor de criaturas sobrenaturais próprias de lendas e contos populares. A Idade Média favorece a escolha óbvia para um tema que lida com as superstições e os conhecimentos mágicos de outrora, cujas crenças espelham uma visão existencial medonha, onde a preocupação com a salvação da alma estava entre as prioridades de quem pouco saberia o que fazer para lidar com poderes ou forças incompreendidas, dignas de nos tentar e amaldiçoar-nos.
A autenticidade histórica e a preocupação com os detalhes é uma das apostas do realizador, que também dará especial atenção à atmosfera sombria que envolve o filme, além de procurar evitar exibir um monstro excessivamente explícito, preferindo sugerir a criatura por meio de sombras, mistério e tensão, em vez de depender apenas de efeitos visuais. Segundo o que podemos definir através do seu trailer, Werwulf manterá um carácter mais contemplativo do que focado na ação. O suspense procurará segredos profundos, dignos de reflexão, que não são prontamente esclarecidos, adivinhando-se uma carga de elevada simbologia neste filme, apesar dos expectáveis níveis de violência e teor dramático que tantos já antecipam, como é reconhecido através de cenas visualmente impressionantes. Feitiçaria, bruxaria, luto, elementos sombrios, grotescos e mistério também são ingredientes já confirmados nesta jornada de horror que explora uma maldição com consequências nefastas que pesam sobre uma família da época e a comunidade à qual pertencem.
Pesa o debate se o filme irá mesmo readaptar alguma lenda relacionada com lobisomens ou se obedecerá à sua influência e às descrições dos cronistas medievais ou dos caçadores de bruxas ou de ocultistas de séculos posteriores. Essa probabilidade, elevada mas não confirmada, deve obedecer a uma investigação cuidada que se conjuga com a própria criatividade de Eggers e Sjón, que moldaram a narrativa para levar aos ecrãs algo que já foi definido como ambicioso. Até à sua estreia, que terá lugar no final do ano de 2026, senão em Janeiro de 2027, é sempre possível que se revele mais de Werwulf.
O elenco confirmado de Werwulf é constituído pelos seguintes autores: Aaron Taylor-Johnson, protagonista do filme que, segundo o recente trailer, interpreta a personagem central ligada à maldição do homem-lobo; Lily-Rose Depp, que volta a colaborar com Robert Eggers depois de Nosferatu; Willem Dafoe, colaborador frequente de Eggers, que interpreta uma personagem ainda mantida em segredo; Ralph Ineson, Jack Morris, Bodhi Rae Breathnach, Jan Bijvoet, Ritchi Edwards, Valeriia Karaman, Hannah Harpin, Vidal Arzoni e Kate Dickie.
O mito do Lobisomem volta assim à ordem do dia, através daqueles que apreciam os projetos de Eggers, amam o Terror além de histórias tenebrosas baseadas num dado folclore nativo.

Fascinado por História da Arte e pelo Universo Criativo da Ficção, é um entusiasta consumidor de Banda Desenhada além de leitor assíduo de obras de Ficção Científica e de Terror, com particular predileção pelo Oculto e o Sobrenatural






