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Jogos: Análise – Serious Sam Collection

O ano era 2001 e o mundo ainda estava apaixonado pela revolução dos first-person shooters, começado por DOOM, e nas inúmeras obras derivadas e muito criativas, na forma de clássicos modernos com Half-Life, Deus Ex e No One Lives Forever.

Mas foi a Croteam que levou a fórmula de DOOM para outros patamares, com ênfase nas batalhas em grandes arenas, repletas de inimigos, onde a sobrevivência era imperativa, quase tanto como a eficácia que teríamos que ter a derrotar as hordas de criaturas. Foi preciso, primeiramente, surgir com uma personagem carismática – e carisma foi algo que Sam “Serious” Stone nunca teve em falta.

O legado de Serious Sam durante os últimos 20 anos é um de memórias relativamente felizes, pelo menos para os jogadores de computador que muito adoraram o jogo original, dividido em duas partes e lançado com um ano entre ele. As suas sequelas, apelaram a um público muito nicho com uma recepção mista pelo público e pela crítica, mas a verdade é que a série nunca desistiu, tanto que Serious Sam 4 foi lançado este ano.

Talvez pela nostalgia, é com muito entusiasmo que as versões remasterizadas dos das duas partes do primeiro jogo, The First Encounter HD e The Second Encounter HD, chegam às consolas, num pacote, titulado Serious Sam Collection, que inclui as suas respectivas expansões Legend of the Beast e Jewel of the Nile, e Serious Sam 3: BFE. Por algum motivo, Serious Sam 2 ficou de fora, talvez por ser uma das entradas mais criticadas da série.

Esta viagem ao passado com gráficos de maior resolução foi um autêntico prazer de jogar, trazendo o revivalista em mim cá para fora. Foram horas de diversão em termos muito simples, onde o objectivo principal era sobreviver o máximo tempo com munição suficiente para eliminar todos aqueles que me queriam mal. Foram muitos os momentos que pensava que tinha voltado ao ano 2002, altura em que joguei os jogos originais pela primeira vez, a recomendação de um amigo de escola.

Ainda que a sua simplicidade seja inata, seja nos gráficos, com as arestas clássicas, ou a jogabilidade, que com ela traz muitas armas de diferentes formas e feitios, é um bom sentimento ver que os jogos não passaram por uma modernização desnecessária, à qual tem ainda a vantagem de ser jogada numa consola sem qualquer tipo de entrave.

A preferência pelas duas partes principais do primeiro jogo provam que a fórmula diferenciadora que a Croteam tinha há quase duas décadas atrás só se poderia traduzir num sucesso de culto, dando agora oportunidade a novas gerações de jogarem um clássico. No entanto, as expansões mudaram o cenário, algo bem-vindo após passar horas e horas por um Egipto de um mundo paralelo.

No caso de Serious Sam 3: BFE, lançado originalmente em Windows PC em 2011 e um ano depois na Xbox 360, viu o seu tom a não ser tão bem envelhecido, sendo uma experiência totalmente diferente. Considerando o salto geracional de quase uma década entre os jogos presentes, a terceira entrada é talvez a mais difícil de entranhar, com mapas confusos e monstros cuja matança é menos satisfatória.

Assim, Serious Sam Collection, ainda que não contenha todas as obras de um dos heróis mais marcantes dos jogos de acção, é uma boa surpresa que pode ser jogado casualmente, ou com um enorme desafio por trás; seja para efeitos de nostalgia ou introduzir um novo público, esta é a altura perfeita para uma lição de história de vídeojogos. Depois disto, podem ir jogar DOOM: Eternal, cujas influências carismáticas também estão igualmente presentes, num mundo muito mais denso.

Nota Final: 7/10

Serious Sam Collection já está disponível na Xbox One (versão testada), PlayStation 4 e Nintendo Switch.

Vejam também o nosso gameplay original a Playstation 4:

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