Jogos: Análise – Mafia: The Old Country
A trilogia original de Mafia foi contando com uma apreciação de culto ao longo dos anos. Em 2002, o primeiro jogo demonstrou o potencial dos novos jogos de acção em terceira pessoa, que mais tarde Grand Theft Auto iria ser reconhecido e idolatrado; em 2010, Mafia II levou a história a outros patamares, com uma história intensa e cativante; e em 2016, Mafia III, embora não inicialmente aplaudido pela crítica e os fãs, tem recebido algum amor aquando a sua reedição definitiva, lançada em 2020. O próximo passo era difícil de prever, mas a Hanger 13 e a 2K, mas a ideia de uma prequela não era nova, apenas agora houve uma história que valesse a pena contar, em Mafia: The Old Country.
Seguimos a história de Enzo, um jovem pobre, que após uma confusão ao trabalhar nas minas, é forçado a fugir. Este acaba por se dar com a família de Don Torrisi, que lhe propõem uma vida nova, inicialmente como ajudante, mas vendo a sua pessoa a subir na organização, resolvendo os muitos problemas, enquanto explora um amor secreto com a filha de Don Torrisi, Isabellla.
É ao longo de 14 capítulos que vemos uma história intensa em desenvolvimento, ao vermos Enzo a subir na família, e assim prosseguir uma vida leal junto àqueles que lhe deram uma oportunidade de ter uma vida melhor. Como tudo, o seu passado fugido também tem um papel fulcral, mas sempre com os olhos postos no futuro.
É numa abordagem bastante linear que o jogo ocorre, com uma campanha facilmente concluída numa dúzia de horas, onde o misto de acção, condução – ou andar a cavalo – e outras missões onde temos que ser mais discretos, que o jogador vê o desenrolar da personagem, intercalada com fantásticas cutscenes e vozes com grande personalidade e convicção. A isto se junta uma Sicília história bastante cativante visualmente, e uma notável amostra de autenticidade, muito bem vinda.
Por mais entusiasmantes que sejam os momentos de acção, acontece que os inimigos que perseguimos nem sempre são os mais desafiantes, e algumas das suas reacções facilitam em muito as suas próprias mortes, havendo espaço de melhoria. Também, os muitos colecionáveis tendem ser descobertos por acidente, sem grande recompensa, acabando por não oferecer grande valor de voltar a jogar as missões em busca das mesmas.
Durante a análise na Xbox Series X, houve alguns poucos momentos de grande queda de framerate, sobretudo em momentos mais intensos, algo que aparenta ser um problema transversal em todas as plataformas à data da versão do jogo, neste momento disponível; estando confiantes que o mesmo poderá ser rapidamente resolvido numa actualização futura.
Assim, Mafia: The Old Country, retira a liberdade dada em Mafia III, em troca de uma prequela focada em dar-nos a oportunidade de sermos um verdadeiro mafioso siciliano, numa história com muito coração e tiroteios, numa simples e cativante experiência contida.
Nota Final: 7.5/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.




