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Jogos: Análise – Guardians of Hyelore (Tower Rush)

Tower Rush reinventa-se em Guardians of Hyelore, um jogo de tower defense com recrutamento de unidades. Será a mudança de título suficiente para deixar marca?

 

Guardians of Hyelore, anteriormente denominado Tower Rush, é jogo de estreia da Megaglope Studios, distribuído por Freedom Games, muito dentro do estilo que Clash Royale nos habituou. A premissa é bastante simples: acumular moedas para conseguir recrutar guerreiros de diferentes classes (warriors, support, archers, e mages) para avançar pelo campo de batalha em direcção à torre adversária. O jogo é bastante linear na concretização deste conceito, e faz um bom trabalho em explicar as suas mecânicas através de tutoriais espalhados pelos diferentes menus. A jogabilidade consiste na gestão estratégica em tempo real das moedas ganhas, e é apoiada pelas diferentes melhorias que se podem ganhar e comprar fora dos níveis para fortalecer as unidades ou o Guardian, um maior e mais forte guerreiro de uma das quatro classes, escolhido previamente pelo jogador. 

Guardians of Hyelore tem os ingredientes para ser um jogo divertido e desafiante, mas tende demasiado para esta última característica, tornando-se facilmente frustrante. 

A minha experiência com Clash Royale não é muita, mas durante muitos anos joguei diferentes jogos de browser de tower defense, facto que, aliado à minha experiência com videojogos, me fez crer que o modo de dificuldade “normal” se adequasse a mim (apesar de preferencialmente jogar em modo difícil). Escolhido o modo normal, aprendi as mecânicas de jogo e lá me aventurei por Guardians of Hyelore. 

Escolhi como Guardian um Spellcaster, um mágico, e acho que foi aqui que começou a minha queda. Após passar os primeiros três níveis com um tempo consideravelmente longo, comecei a desconfiar se o meu Guardian seria o adequado. O jogo passa uma mensagem frequentemente nos ecrãs de carregamento, anunciando que mudar de Guardian pode ajudar a completar um nível. Mas aqui surge uma grande falha: eu já tinha evoluído três habilidades do meu Guardian. Trocá-lo por outro implicava ou escolher um mais fraco, ou gastar diamantes, a moeda para transacções nos menus, para reiniciar os pontos de habilidade e poder fortalecer um novo Guardian. Optei pela segunda e lá passei o quarto nível com outra classe de Guardian 

E cheguei ao quinto nível do jogo, o nível que me deu fortes camadas de nervos. Caros leitores, eu sou um jogador muito paciente, às vezes até demais. Mas tentar passar seis vezes o mesmo nível, a mudar constantemente de Guardian e a gastar diamantes para o fazer, parece-me um pouco demais. Chateado com o jogo, decidi recorrer a uma solução bastante normal quando se fica preso nalguma secção de um jogo: grinding. Voltei ao primeiro nível, e fui ganhar alguma experiência extra para tentar subir de nível. Tal não foi a minha surpresa quando só via zeros azuis no campo de batalha, e quando ganhei percebo que recebi zero experiência.  

Repetir níveis em Guardians of Hyelore não oferece experiência, só permite melhorar a pontuação. E até essa é progressivamente reduzida quantas mais vezes se repete o nível. 

Agora em modo furioso, decidi então render-me e mudar para o nível de dificuldade “fácil”, deparando-me com mais uma surpresa: para o fazer, tinha de começar o jogo todo de novo. E muito embora estejamos a falar de apenas quatro níveis, a frustração foi tal que fiquei uns três dias amuado com o jogo. 

Lá o fiz, e a experiência no modo “fácil” foi bastante mais prazerosa. Guardians of Hyelore tem momentos divertidos, como a sensação de ganhar após uma luta mais complicada. Visualmente, não é o jogo mais agradável de sempre. Os inimigos são uma mistura de criaturas com claras influências noutros jogos, que nem sempre casam bem com a estética dos níveis, ou até mesmo entre si. As unidades do jogador são humanos com um modelo simples, e as suas cores não se distinguem especialmente, tornando difícil por vezes perceber quantas unidades temos de cada classe. Ajuda a isto os contadores por baixo dos botões de recrutamento, mas eu pessoalmente prefiro olhar para os meus guerreiros do que para um número. Os níveis dividem-se em 6 áreas principais, que afectam o cenário da batalha e pouco mais. O jogo passa-se todo num plano 2D, com as unidades a percorrer o ecrã da esquerda para a direita. Não há obstáculos, não há armadilhas, não há caminhos secretos. Como tal, o jogo nem permite o posicionamento das unidades, obrigando-as sempre a partir da torre do jogador. Quando a batalha está mais avançada e estamos a conseguir conquistar terreno no lado inimigo, torna-se frustrante ter de esperar que os reforços atravessem o campo até chegarem. 

O foco principal de Guardians of Hyelore é claramente os quadros de pontuação. E o problema é que o quadro é regido pela melhor pontuação obtida entre todos os níveis. Não há quadros individuais para cada nível, e isso justifica a falta de uma opção de mudança de dificuldade para os níveis mais complicados. Em 2021, com os jogos cada vez com mais opções de adaptação de jogabilidade aos mais variados jogadores, dificilmente se compreende uma experiência como esta. 

Chegando ao nível 10, desbloqueia-se uma Arena, onde o modo de jogo é igual e o objectivo é aguentar o máximo de tempo possível. Mais do mesmo, simplesmente num modo infinito e num campo menor.

 

Caso fosse uma experiência um pouco mais equilibrada, Guardians of Hyelore podia ser mais divertido. O jogo peca por momentos em que nos vemos completamente consumidos por inimigos, sem salvação a não ser esperar por moedas para recrutar um guerreiro que rapidamente morrerá. O sistema de melhorias, embora impactante, é bastante básico e sem grande possibilidade de adequação ao jogador, e a falta de história e grafismo, tal como certas escolhas de jogabilidade, deixam bastante a desejar. Numa experiência que remonta a jogos de telemóvel, Guardians of Hyelore pouco se destaca, oferecendo uma aventura desequilibrada focada em pontuação.

Nota: 4/10

Guardians of Hyelore está disponível para PC (via Steam)

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