Jogos: Análise – GRID (2019)

Durante décadas que a Codemasters é sinónima com jogos de corridas, tendo em 1997 iniciado um rumo de jogos licenciados com TOCA Touring Car Championship e no ano a seguir, o primeiro Colin McRae Rally, onde, ao longo de vários anos e lado de outros concorrentes, como Gran Turismo e a franquia Forza, deram muitas horas de corridas para os fãs do género.

Em 2008, RACEDRIVER: GRID, prometeu e cumpriu, de certa forma, revolucionar os jogos de corrida para a então nova geração das consolas, a PlayStation 3 e a Xbox 360. Várias sequelas foram lançadas, porém, a última, GRID Autosport, lançado em 2014, não teve a recepção desejada pela crítica e o público, com várias queixas devido ao modelo de progressão da carreira e outros detalhes que tornaram o jogo frustrante.

Por outro lado, a sua franquia dos jogos oficiais de F1 têm sido aclamados por todos, restaurando a confiança da Codemasters em trazer de volta uma nova entrada, em forma de um pseudo-reboot, simplesmente intitulado GRID.

Logo de início, o entusiasmo em ver o Porsche 911 RSR dá-nos uma amostra daquilo que podemos esperar. Assim que começamos o modo Carreira, somos introduzidos a um novo mundo da GRID World Series, sendo atirados para o meio da acção frenética das corridas, conduzindo um Chevrolet Corvette C7.R, para depois prosseguir para uma corrida oval ao bom estilo do NASCAR, terminando num Volkswagen Golf GTI TCR, onde temos que recuperar a nossa posição após um grave, e espectacular, acidente.

Apesar da lista de carros ter sido revelada pouco antes do lançamento do jogo, explorar a garagem, composta de 60 carros. Velhos clássicos, vistos em jogos anteriores, como o Alfa Romeo 155 TS, ou o Ford Mustang Mach 1 Modified, que se tornam icónicos em jogos passados, estão de volta nesta nova entrada. Mas a grande surpresa reside na mão cheia de Ferraris incluídos e o Ford GT-40, ao qual se juntam corridas inspiradas pela rivalidade da prova Le Mans em 1966, que curiosamente verá a sua história a estrear no cinemas no próximo mês de Novembro.

São no total 104 provas onde poderão correr, numa variedade de disciplinas, podendo escolher entre uma enorme gama de automóveis que vos irão levar à victória. Irão viajar pelo mundo, às grandes capitais, correr em várias pistas de circuito oficiais, como Indianapolis nos E.U.A. ou Silverstone e Brands Hatch no Reino Unido; ou em pistas improvisadas pelas ruas de cidades como São Francisco, Barcelona e Xangai. Infelizmente, a escolha de locais parece algo limitada, onde variáveis como versões reverso das pistas e condições meteorológicas tentam fazer alguma diferença, podendo ser um pouco repetitivo ao fim de algum tempo. No entanto, pode-se dizer que a maior diferença de todas é podermos correr com todos os carros nestas mesmas pistas, com carros a reagirem de forma diferente aos seus desafios.

O que me leva à jogabilidade, um dos pontos mais antecipados de GRID. Por defeito, todas as assistências estão ligadas no máximo, podendo ser ajustadas ao longo de cinco níveis diferentes. Todo este ajustamento é em si um desafio, tentando encontrar um bom meio termo que seja apropriada para o nosso estilo de condução individual. Para quem preferir jogar com um conjunto de volante e pedais, terá à disposição vários menus personalizáveis, facilitando o processo.

grid

Na verdade, GRID encontra-se algures no meio de uma jogabilidade entre simulação e arcada, onde ir a fundo é encorajado, como também não inventar nas travagens e nas curvas, que podem influenciar como decorre a prova. Por vezes, se acontecer irmos parar fora da pista, em cima da relva, podemos ser penalizados com tempo, ao que o jogo assume que estamos a cortar caminho. Alternativamente, podemos levar porrada de uma ou até várias das mais de 400 personalidades de inteligência artificial que o jogo põe a correr contra nós. Estes variam na sua agressividade de condução, com alguns a fazerem tudo por tudo para destruir o nosso carro, enquanto que outros podem ignorar-nos por completo ou até tentar fazer algo de leve. De qualquer das formas, temos sempre a oportunidade de alterar o destino, utilizando a função Flashback, que nos permite voltar um bocadinho atrás no tempo e rectificar qualquer erro. No entanto, se esse mesmo erro for cometido ou voltarmos ao mundo real na altura errada, existe um atraso na utilização da função novamente, que pode ser um bocadinho frustrante, mas que faz com que queiramos ser melhores condutores.

  Blacksad é adaptado para videojogo em "Under The Skin"

Destaca-se também a inclusão do piloto Fernando Alonso, onde podemos correr contra ele e, mais tarde, tê-lo na nossa equipa a correr connosco. Adicionalmente, também podemos conduzir o seu Renault R26, devidamente licenciado.

O sistema de pontos de experiência, ganhos durante as corridas ao fazer ultrapassagens, drifts, cumprir com a linha de corrida e até fazer uma boa curva, contribuí, não só para subirmos de nível, como também desbloquear itens cosméticos, como decorações para o nosso cartão de perfil e decorações para os carros; juntamente com co-pilotos, que nos irão acompanhar nas vitórias e nas derrotas.

Falando em personalização dos nossos carros, existe uma grande variedade de designs e pinturas, não se limitando apenas às decorações originais, estando à disposição centenas de desenhos diferentes, que vão desde clássicos tradicionais de carros de corrida, a ideias mais artísticas. Estas últimas estão disponíveis nos carros todos, podendo assim se criar uma identidade individual dos vossos carros.

No fim, a pausa de cinco anos valeu a pena, já que a Codemasters aplica neste contexto muito daquilo que aprendeu com a sua franquia da F1. Muitos dos carros neste jogos não estão disponíveis noutros concorrentes, ainda mais nas suas versões de corrida ou especializados para as pistas, que só por si é uma excelente razão para adquirirem este jogo. A jogabilidade poderá não ser para todos, pelo menos inicialmente, mas as suas opções de personalização permitem que este se ajuste a todo o tipo de jogadores, dada essa oportunidade. Contudo, GRID apenas peca com o seu número reduzido de pistas onde podemos correr, esperando que numa próxima entrada o número aumente.

De notar que quem adquirir a edição Ultimate do jogo irá ter acesso a vários conteúdos a serem lançados nos próximos meses, entre os quais três temporadas de corridas, com um total de 99 eventos novos, ao qual se juntam 12 carros ainda a serem revelados. Mal podemos esperar para o que vêm daí!

Nota Final: 8/10

GRID já está disponível para Xbox One (versão em análise), PlayStation 4 e PC (Steam), e é um dos jogos de lançamento da Google Stadia, a ser lançado em Novembro.

[O Central Comics agradece à EcoPlay e à Codemasters]

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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