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IndieLisboa 2022: Competição Internacional + Silvestre: novas vozes e os talentos de sempre

Falta menos de um mês para a abertura desta edição do IndieLisboa. A altura ideal para desvendarmos a programação de duas das secções mais aguardadas do festival – Competição Internacional e Silvestre. São filmes de geografias e contextos diferentes, com temas e abordagens estéticas distintas, mas universais na forma como usam o cinema enquanto ferramenta eminentemente política, de confronto e inquietação.

Começamos pelas primeiras obras da Competição Internacional. Destacamos Pedro, de Natesh Hedge, um seguríssimo filme sobre a dificuldade em escapar à rigidez da tradição numa pequena aldeia indiana. Pedro é um electricista de meia-idade que vive com a sua mãe e a família do seu irmão nas remotas florestas do Ghats Ocidental. Certa noite de monção mata acidentalmente uma vaca que pertence ao seu senhorio. A aldeia, incapaz de aceitar um homem que cometeu tão acto vergonhoso, responde com frieza à presença de Pedro.

Pedro

Em Freda, filme de estreia da realizadora haitiana Gessica Généus, a protagonista homónima vive com a sua família num bairro pobre de Port-au-Prince. Eles fazem a sua vida graças à sua pequena loja de rua. Confrontadas com condições de vida precárias e o aumento da violência no Haiti, cada um deles pergunta-se se deve ficar ou partir, mas Freda quer acreditar no futuro do seu país. 

Freda

Kiro Russo, um repetente no festival – e vencedor do Grande Prémio de Longa Metragem do IndieLisboa 2017, com Viejo Calavera – regressa a Lisboa com El Gran Movimiento. A premissa evoca novo choque entre tradição e modernidade – na Bolívia de hoje, Elder e os seus companheiros mineiros chegam a La Paz para exigir o restabelecimento do seu emprego. De repente, Elder começa a sentir-se doente. Com a ajuda do velho Mamá Pancha, Elder e os seus amigos encontram trabalho no mercado. Mas o estado de Elder piora, está com dificuldades em respirar. Mamá Pancha envia-o a Max, um curandeiro, eremita e palhaço, que pode ser capaz de trazer o jovem de volta à vida. 

Por falar em cura, How to Save a Dead Friend usa a qualidade fantasmagórica do cinema para recuperar a vida de alguém que já partiu. Um documentário belíssimo de Marusya Syroechkovskaya sobre o que une duas pessoas, mesmo depois da morte. 

Nas curtas-metragens, em Escasso, Clara Anastácia e Gabriela Gaia Meirelles usam a estética do mockumentary para criticar as enormes discrepâncias na sociedade brasileira;  Handbook, de Pavel Mozhar, recria, no seu próprio quarto, a partir de relatos, a repressão que os manifestantes bielorrussos sentiram em 2020, aquando da reeleição suspeita de Lukashenko. As diferenças geracionais entre uma mãe e o filho, a somar à herança da emigração, são os temas principais de Mistida, do luso-guineense Falcão Nhaga, enquanto Urban Solutions trata do passado e presente brasileiro, visto pela experiência de um porteiro de um prédio residencial que reavalia a relação com os seus empregadores. O filme, realizado por Arne Hector, Luciana Mazeto, Vinícius Lopes e Minze Tummescheit, cria uma oposição gritante entre os quintais idílicos e a presença opressiva das câmaras de vigilância. 

Convenience Store

Na secção competitiva Silvestre selecionamos filmes que arrisquem novas linguagens cinematográficas, num misto de autores consagrados e talentos emergentes. Destacamos três. Do Vietname, dirigido por Pedro Román e Mai Huyền Chi, The Girl from Dak Lak. Um filme minimalista e naturalista que acompanha a jovem Sương e a sua migração para Saigão. Conhece um pequeno restaurante onde lhe é oferecido um emprego, trabalhando e vivendo ao lado de duas outras mulheres migrantes. As três passam os seus dias juntas. Dentro das paredes áridas do restaurante, as suas manhãs são preenchidas com tarefas repetitivas, e o resto do dia com horas vazias e enfadonhas. 

A escravatura moderna é o tema central de Convenience Store, primeira obra de Michael Borodin. Mukhabbat é uma mulher uzbeque que emigrou para Moscovo para trabalhar numa loja de conveniência. Na capital russa a jovem vive na escravatura e luta para recuperar a sua liberdade enquanto um sistema de descriminação socio-económica a ignora e despreza.

1970

O documentário Nous, Étudiants!, de Rafiki Fariala, segue um grupo de amigos, estudantes de economia, na Universidade de Bangui. Navegando entre auditórios sobrelotados, flirts levianos e as pequenas negociatas que permitem aos alunos sobreviver, Rafiki mostra-nos as vidas dos estudantes na República Centro-Africana.

Na mesma secção mas já fora de competição, três nomes grandes do cinema europeu contemporâneo: Coma, híbrido live-action e animação de Bertrand Bonello, filmado em plena pandemia; Incroyable Mais Vrai, comédia de Quentin Dupieux, que regressa ao festival onze anos depois da sua passagem com o humor bizarro de Rubber; Jean-Gabriel Périot, outro nome recorrente no festival, documenta a história do proletariado francês desde os anos 50 até à actualidade em Retour à Reims (Fragments). 

Detours

 

Entre ficção e documentário, animação e cinema experimental, a programação das curtas-metragens actualiza o percurso de alguns nomes fundamentais do cinema contemporâneo e da  história do festival – a comédia de costumes moderna By Flávio, de Pedro Cabeleira,  At least I’ve been outside, de Jan Soldat (Foco Silvestre da edição de 2015 do IndieLisboa), El sembrador de estrellas, de Lois Patiño (presença recorrente no IndieLisboa desde 2014), How Do You Measure A Year?, de Jay Rosenblatt (herói independente na edição de 2006) e Bird in the Peninsula, de  Atsushi Wada, vencedor de uma menção honrosa em 2012, pela animação alegórica The Great Rabbit

 

O foco Light Cone mergulha no vasto catálogo desta mítica instituição do cinema experimental, com quatro programas temáticos. Netsploitation, Conforto, Intimidades, Erotismo e Sugestão. Aqui interrogam-se os modos narrativos e estéticos da internet ao longo das duas primeiras décadas do século XXI, a indução de sentimentos sexuais a partir de uma obra de arte, mediante sugestão, simbolismo ou alusão, numa espécie de viagem de imagens que formam corpos onde espreitam, latejam, sensações. 

Mato Seco em Chamas

A 19ª edição do IndieLisboa terá lugar entre o Cinema São Jorge, a Culturgest,a Cinemateca Portuguesa, o Cinema Ideal e a Biblioteca Palácio Galveias do dia 28 de Abril ao dia 8 de Maio. A programação completa, assim como a grelha de sessões e a venda de bilhetes, estarão disponíveis a partir do início de abril.

 

Competição Internacional – Longas

Freda, de Gessica Généus
Ghost Song, de Nicolas Peduzzi
El gran movimiento, de Kiro Russo
How to save a dead friend, de Marusya Syroechkovskaya
Kim Min-Young of the Report Card, de Lee Jae-eun e Lim Jisun
Mato Seco em Chamas, de Adirley Queirós e Joana Pimenta
Medusa, de Anita Rocha da Silveira
Pedro,de Natesh Hegde
Proyecto Fantasma,de Roberto Doveris
Soy libre,de Laure Portier
Unrueh, de Cyril Schäublin

Competição Internacional – Curtas
Are We There Yet, de Lazar Ivanov
Au revoir Jérôme!, de Gabrielle Selnet, Adam Sillard e Chloé Farr
Le Boug Doug, de Théo Jollet
Can Gardell, de Florencia Aliberti e Silvia Subirós
El Dia Que Volaron la Montaña, de Alba Bresolí
Displaced, de Samir Karahoda
Dog’s Field, de Michalina Musialik
Escasso, de Clara Anastácia e Gabriela Gaia Meirelles
Fantasma Neon, de Leonardo Martinelli
Five Minutes Older, de Sara Szymanska
Handbook, de Pavel Mozhar
Handstand, de Ovsanna Shekoyan
Have a Nice Day Forever, de Tatiana Delaunay
Hierophany, de Maria Nitek
I’m Trying To Remember, de Pegah Ahangarani
Intermezzo, de Kim Lêa Sakkal
Jeudi, Vendredi, Samedi, de Arthur Cahn
Lucienne Dans un Monde Sans Solitude, de Geordy Couturiau
Mistida, de Falcão Nhaga
North Pole, de Marija Apcevska
The Parents’ Room, de Diego Marcon
Precautionary Measure, de Lizzy Deacon e Ika Schwander
Sierra, de Sander Joon
Some Kind of Intimacy, de Toby Bull
Starfuckers, de Antonio Marziale
Steakhouse, de Špela Čadež
Un Mois Après la Nuit, de Héloïse Fressoz
Upwards Tide, de Daniela Zahlner
Urban Solutions, de Arne Hector, Minze Tummescheit, Luciana Mazeto e Vinícius Lopes
The Watchers, de Sandro Souladze

 

Silvestre – Longas
1970, de Tomasz Wolski
Camouflage, de Jonathan Perel
Cette Maison,de Miryam Charles
Convenience Store, de Michael Borodin
Lxs Desobedientes, de Nadir Medina
Detours,de Ekaterina Selenkina
The Girl from Dak Lak, de Pedro Román e Mai Huyền Chi
Nous, Étudiants!, de Rafiki Fariala
Saving One Who Was Dead, de Vaclav Kadrnka
Sonne, de Kurdwin Ayub
Red Africa, de Alexander Markov

Silvestre – Longas Fora de Competição
Coma, de Bertrand Bonello
Incroyable Mais Vrai, de Quentin Dupieux
Retour à Reims (Fragments), de Jean-Gabriel Périot

Silvestre – Curtas
At Least I’ve Been Outside, de Jan Soldat
Bird in the Peninsula, de Atsushi Wada
By Flavio, de Pedro Cabeleira
Churchill, Polar Bear Town, de Annabelle Amoros
Constant, de Beny Wagner e Sasha Litvintseva
Cucumbers, de Leonid Shmelkov
Glass Life, de Sara Cwynar
How Do You Measure A Year?, de Jay Rosenblatt
Lizuna Fair, de Sumito Sakakibara
Masks, de Olivier Smolders
Nosferasta: First Bite, de Adam Khalil e Bayley Sweitzer
Penalty Shot, de Rok Biček
Punctured Sky, de Jon Rafman
Sekundenarbeiten, de Christiana Perschon
El Sembrador de Estrellas, de Lois Patiño
Sideral, de Carlos Segundo
Triforium, de Jayne Parker
Une Embuscade en Suspens, de Simon Queheillard
Will My Parents Come to See Me, de Mo Harawe

Venda Antecipada Early Bird

Caderneta early bird de 10 bilhetes voucher: 25€
Venda exclusiva de 100 cadernetas de 14 de março a 13 de abril em www.ticketline.pt

Venda antecipada de bilhetes e cadernetas voucher
A caderneta early bird é válida para sessões de cinema. A caderneta terá de ser levantada e os vouchers trocados nas bilheteiras centrais do IndieLisboa, situadas no Cinema São Jorge e na Culturgest.

Abertura de Bilheteiras

14 de abril 2022

BILHETEIRAS INDIELISBOA

CINEMA SÃO JORGE
Av. da Liberdade, 175
De 25 a 27 de Abril, das 14h00 às 20h00.
De 28 de Abril a 8 de Maio, das 11h00 até ao início da última sessão no Cinema São Jorge.
Nota: No Cinema São Jorge, não é possível entrar ou circular nas salas depois do início das sessões.

CULTURGEST
Edifício Sede da CGD – Rua Arco do Cego, 50
De 14 a 27 de abril, das 11h00 às 18h00, excepto nos dias 15, 17 e 18 (encerrada).
De 28 de abril a 8 de maio, das 10h00 até ao início da última sessão na Culturgest.

 

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