O Fantas abre portas ao mundo esta Sexta-feira


O Fantasporto abre as suas portas ao mundo esta Sexta-feira, e promete um fim-de-semana excepcional!
A selecção de filmes deste ano, como sempre diversificada, e representativa do melhor cinema produzido a nível Mundial, foi construída em função da qualidade da produção actual, tendo em si própria três grandes vectores: um fortíssimo e alargado contingente de filmes vindos da Ásia, continente de onde vêm surgindo as obras mais cativantes e inovadoras – veja-se o número de prémios com que tem vindo a ser agraciada nos últimos poucos anos, da América quer da do Sul, quer do Norte e Canadá bem como da Europa, mas aí sobretudo vindas de países de leste, o que não deixa de traduzir também um crescimento da produção cinematográfica nesses países, não faltando ainda como é óbvio o Cinema Português, com os Prémios de Melhor Filme e Melhor Escola de Cinema (este ano 10).
Se a chamada Secção Oficial Semana dos Realizadores foi reforçada dada a qualidade e a diversidade dos temas muito actuais que os filmes selecionados abordam, sendo estes sobretudo primeiras obras e regressos de realizadores que se podem considerar “filhos” do Fantas, a Secção Oficial Orient Express, naturalmente é este ano muito mais ampla e alargada em termos da representatividade de países. No entanto tem sido no cinema fantástico que as grandes alterações se vêm fazendo sentir. Note-se que a produção cinematográfica cresceu de forma significativa a nível Mundial e tem permitido, em particular neste ano, dar a conhecer novos nomes que vêm marcando pontos no circuito internacional.
Por sua vez o cinema fantástico, muitas vezes marginalizado pelos grandes estúdios internacionais é agora a base principal das lógicas de produção. Tal deve-se sobretudo ao aparecimento de companhias especializadas na produção e distribuição internacional do chamado cinema de género, quer no cinema em que são preponderantes temas de filmes de ficção científica, super heróis, terror, quer nas plataformas VOD existentes em quase todos os países e têm sido marcantes para o aparecimento a nível Mundial de inúmeros festivais de género, o que permite aos produtores canais seguros de distribuição e de rentabilização do seu investimento nesta área. O Fantasporto – 40 anos é reflexo disso. Até se poderia dizer que existe um regresso às características de programação dos velhos tempos do Teatro Carlos Alberto.

“Adverse”, Filme de Abertura do Fantasporto 2020

No Grande Auditório
Adverse e horror na abertura

O Fantasporto recebe o conhecido actor THOMAS NICHOLAS e o seu realizador BRIAN A. METCALF, um dos mais promissores da nova geração de realizadores norte-americanos.
Um pouco contrariando a lógica de divulgação de cinematografias que não entram habitualmente no circuito comercial português o Fantasporto abre este ano com dois filmes bem distintos.

O filme de Abertura, Adverse, incluído na Semana dos Realizadores, muito embora seja um forte thriller, foi realizado por um repetente do Fantas, Brian A. Metcalf,  ele também argumentista, produtor e actor americano de origem asiática, o qual trabalhou já como director criativo, escritor, fotógrafo, técnico de efeitos visuais em vários jogos , clips musicais, e documentários e filmes para a Warner Bros., Sony, Disney, FOX, Paramount, Lionsgate e outros.  A sua primeira curta-metragem foi “Sorrows Lost“. Seguida da longa “Fading of the Cries”. A seguir veio “The Lost Tree” e “Living Among Us”, este já exibido no Fantasporto na presença do realizador, e cujo argumento faz parte da colecção permanente da Margaret Herrick Library da Academy of Motion Picture Arts & Sciences. Sendo exibido em Antestreia Mundial, algo que demonstra claramente o impacto do Fantasporto a nível Internacional, nos últimos anos e espaço para os realizadores e produtores antestrearem os seus filmes naquele que é geralmente considerado internacionalmente um dos três maiores festivais do género.  Adverse traz-nos uma narrativa fluente e cativante. Para salvar a irmã, um motorista tem de se infiltrar num perigoso grupo criminoso, sob indicação de um dos seus passageiros. A sua relação com um dos grandes chefes de gangs transforma-se num thriller cheio de acção.

Sessão de Abertura Oficial às 21h no Grande Auditório

Com fabulosas interpretações de nomeados para Oscares como Mickey Rourke (OWrestler) e Sean Patrick Astin (O Senhor dos Anéis), mas também de Lou Diamond Phillips e Thomas Ian Nicholas (que recentemente fez de Walt Disney no cinema). Esta á a 3ª longa de Brian Metcalf, que visitou Fantasporto com o seu filme anterior, a comédia de vampiros “Living Among Us”, em 2018 e que voltará ao Porto este ano.
Logo a seguir vem o terror à Fantas numa produção que conjuga países da Oceania, Europeus e da América do Sul. “A Night of Horror- Nightmare Radio”, um filme de episódios exibido na secção Oficial mas naturalmente fora de concurso. Produzido pelos Irmãos Onetti, Nicolás e Luciano, conta com pequenas preciosidades realizadas por Oliver Park, Jason Bognacki, A.J. Briones, Joshua Long, Sergio Morcillo. Adam O’Brien, Pablo S. Pastor e Matthew Richards.

“A Night of Horror – Nightmare Radio” às 23h15 no Grande Auditório

 

No Pequeno Auditório
Prolonga-se pela semana toda no Pequeno Auditório a secção oficial prémio de cinema português (PCP) arrancando no Sábado, 29 de Fevereiro à tarde com a longa de Luis Moya, “Por Detrás da Moeda”. Serão exibidos mais de 50 filmes inéditos entre longas e curtas que se dividem entre o Prémio para Melhor Filme Português e Melhor Escola, também aqui só com filmes inéditos.

 

O cinema de Julian Richard para recordar no Fantasporto

Julian Richards – Prémio Carreira do Fantasporto 2020
O homenageado deste ano e que irá receber o Prémio por uma Carreira trata-se de alguém muito especial. Há mais de 20 anos, onde antestreou o seu “Darklands”, que viria a ser premiado, Julian Richards será o homem do Fantas – 40 anos. Porquê? Porque é um amigo, porque é um realizador muito interessante e a redescobrir, um produtor e um homem que criou a primeira agência de vendas de filmes exclusivamente de características fantásticas. Foi o trabalho dele ao longo destes anos, outros o copiaram mais tarde. Abriu o mercado do cinema fantástico na Europa e no Mundo, com a sua JINGA. Com a abertura desse mercado deu imagem a novos realizadores e fez crescer o interesse, dando-lhe a dignidade que ele merece, ao Fantástico. Ele é alguém marcante e que não poderia ser esquecido por um festival como o Fantas, o qual desta forma lhe agradece o trabalho que vem realizando. A ele e à JINGA duas retrospectivas ocupam a sala pequena do Rivoli pelas noites.
De todos os que têm sido visitantes regulares do Fantasporto, o realizador, produtor e distribuidor britânico Julian Richards é assim um caso singular. Não só porque ele é um dos realizadores europeus que tem consistentemente – mas não exclusivamente- abordado nos seus filmes o reino da imaginação mas também como promotor e distribuidor de filmes fantásticos, como se disse. De facto, ele compra em todo o mundo, seja de países europeus, como nos Estados Unidos ou até em países pouco prováveis no género, como a Venezuela, Brasil ou Israel, enquanto ao mesmo tempo ainda arranja energia para escrever os argumentos e realizar os seus próprios filmes.
Nascido em Julho de 1965 em Newport, Gwent, Wales no Reino Unido, a sua carreira internacional  começa cedo, depois de terminar os seus estudos na National Film School, com cerca de 20 anos, com a realização de três curtas, “Pirates” (1987), Prémio de Novos Valores no Celtic Film Festival, “Queen Sacrifice “  (1988)  considerado Melhor Filme  no British Short Film Festival e “Bad Company” (1992) no  AFI Film Festival. O seu sucesso cedo o leva a ser contratado pela BBC onde realiza o docu-drama “A Mutter of Voices” (1994) acerca do genocídio no Ruanda, e pelo Channel 4 onde realizou doze episódios da novela de TV “Brookside” (1982).
Em 1994, Julian Richards foi contratado pela Amblin Entertainment de Steven Spielberg para fazer o argumento de um romance, “Calling All Monsters”. Dois anos mais tarde, regressa ao Reino Unido para escrever e realizar a sua primeira longa-metragem, “Darklands” (1996), um filme de horror e conspirações acerca do paganismo rural e sacrifícios humanos, considerado Mélies d’Argent para o Melhor Filme Europeu em 1997, depois de ter ganho no Fantasporto desse ano o Prémio da Crítica e o de Melhor Argumento. E a partir dessa data, Julian é imprescindível no Fantasporto.
A segunda longa-metragem de Julian, um thriller, “Silent Cry” (2002), recebeu o Gold Remi Award no Houston Worldfest e a sua terceira longa “The Last Horror Movie” (2005) volta a receber o Méliès d’Argent  com o Fantasporto a dar-lhe novamente o Prémio da Crítica e a considerar ainda o actor principal, Kevin Howarth, e na sua presença, o Melhor Actor. Depois o filme faz carreira e ganha outros prémios, nomeadamente na Argentina, nos Estados Unidos e no Uruguai. “Summer Scars” (2007) traz-nos uma história de adolescentes que ganhou dois BAFTAS no País de Gales, seguido de um documentário narrado por Sir Derek Jacobi, chamado “Charles Dickens’ England” em 2009.
A seguir, Richards regressa aos Estados Unidos para realizar “Shiver” (2012), um thriller psicológico para a Image Entertainment e em 2016 assina contrato com a New Line Cinema para ser produtor executivo do remake do filme venezuelano “The House at the End of Times”. (2013). Quatro anos mais tarde, realiza o terrífico “Daddy’s Girl” para a Seahorse FilmHouse e, meses mais tarde, “Reborn” (2018), um thriller sobrenatural, ambos apresentados no Fantasporto em 2019 e valendo ao realizador, no seu conjunto, o Prémio de Realização. Um feito notável num festival que tem apresentado a maioria dos seus filmes.
A história da sua vida também passa pelo seu papel como distribuidor do melhor cinema fantástico do mundo com a sua companhia baseada em Londres, a Jinga Films.  A sua rede em todo o mundo rivaliza com o seu entusiasmo na promoção e distribuição de filmes fantásticos.
Arranca dia 28 de Fevereiro no Pequeno Auditório do Rivoli a retrospectiva que lhe é dedicada.

“Our Evil” às 21h no Pequeno Auditório

A Jinga em Retrospectiva
A Jinga Films é uma companhia à parte. Não só porque se especializou em filmes fantásticos mas também pelo seu trabalho pioneiro. Foi fundada por Julian Richards que continua a ser a face do seu sucesso durante mais de 20 anos.
A criação de uma companhia dedicada a um género cinematográfico apenas, teve como resultado imediato a expansão dos filmes fantásticos em todo o mundo, apenas porque foram comprados e promovidos intensamente.  A popularidade do género teve também como consequência a aparição de numerosos festivais do fantástico por todo o mundo, facilitando assim as aquisições dos filmes que neles são exibidos.  Mais recentemente, as plataformas VOD também ajudaram ao aumento dos fãs do fantástico. Todos os países têm produção de filmes fantásticos, maior ou menor, mas falta-lhes sempre a divulgação. E fazê-lo com amor pelo género é o que a Jinga faz.
Depois da aparição da Jinga, outras companhias foram surgindo, assumindo a especialização nos sub-genéros, sejam eles o horror mais duro, as gentis histórias de fadas ou à ficção científica futurística. Contudo, a Jinga sobrevive, sob a direcção de Julian Richards com Rosana Coutinho e Kevin Law.  Sempre atentos, sempre ousando ir mais longe.
Para o benefício dos espectadores do Fantasporto, a Jinga tem sido uma presença contante, desde que foi fundada. E cá puderam ver, em Antestreia mundial muitas vezes, os seus filmes, ou seja, antes de iniciarem a ronda pelos festivais. Mas o que é mais admirável nesta companhia é a coragem de comprar filmes em todo o mundo. Os espectadores do Fantasporto, pelo menos em relação a Portugal, são os privilegiados que se podem sentar para ver filmes fantásticos, por vezes muito polémicos, da Venezuela, Argentina ou Brasil.
Dia 28 inicia-se a mostra dedicada à Jinga também no Pequeno Auditório.

“Still/Born” às 23h no Pequeno Auditório

Programa disponível aqui

  Greenland, com Gerard Butler, já tem trailer e póster

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

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