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Fantasporto 2022 anuncia FantasClassics

Honrar a História do Cinema apresentando os seus melhores filmes do passado e tal como foram concebidos, isto é, para grande ecrã, faz parte do DNA do Fantasporto desde a sua primeira edição em 1981. 

Neste 42º Fantasporto, o desafio é múltiplo. Comemorar efemérides especiais, exibir alguns filmes de culto e ainda, relembrar os rostos de grandes actores e actrizes dirigidos por grandes realizadores desde os anos 30 até aos 60, numa Hollywood de esplendor.

Casablanca



Começamos pelas efemérides de Filmes de Culto. 
Destaques vão para os 40 anos de “Blade Runner” de  Ridley Scott, um dos filmes charneira do Fantasporto onde teve a sua Antestreia europeia.
Na Los Angeles de 2019, um policial, Deckard, interpretado por Harrison Ford, está encarregado de caçar quatro replicantes que chegaram ilegalmente à Terra.
Filme revolucionário de ficção científica, filme-culto inquestionável, é ainda uma experiência audiovisual a não perder em grande écran e com som 5.1.

Também o percursor “THX 1138” de George Lucas festeja 50 Anos. 
No futuro, no século 25, os humanos são numerados. Um homem e uma mulher vão revoltar-se contra a sociedade rígida em que os forçam a viver. Com Robert Duvall, num início promissor como actor, e a mestria de George Lucas, na sua primeira longa-metragem, anos antes de iniciar a sua saga “Star Wars”. Um marco inovador e que hoje em dia se vê com grande agrado.

O verdadeiro FANTASCLASSICS sente-se honrado pela possibilidade de exibir o grande clássico “Casablanca” de Michael Curtiz que celebra este ano uns impressionantes 80 Anos da sua estreia. Num café em Casablanca, Marrocos, durante a governação francesa, o dono americano (Humphrey Bogart) divide-se entre manter o café aberto, agradando aos ocupantes nazis, e ajudar a sua antiga amante (Ingrid Bergman) e o marido desta a seguirem para Lisboa e daí para a América.
Filme vencedor de 3 óscares, Melhor Filme, Melhor Realização (Michael Curtiz) e Melhor Argumento; é considerado por muitos o melhor filme da História do Cinema. 

Não muito diferente em impacto é o grande “Singin’ in the Rain” de Stanley Donen e Gene Kelly que celebra neste próximo Fantasporto os 70 Anos da sua estreia .
Um glorioso exemplo do cinema musical norte-americano com a alegria transbordante de uma história de amor, coreografias fabulosas e música de não esquecer. Gene Kelly canta à chuva (e quase todas as canções são clássicas dos anos do pós-guerra), Debbie Reynolds torna-se numa das queridas da América e a sexy Cyd Charisse dança. 

Mas a grande História cinematográfica vai também para a mostra a que se denominou HOLLYWOOD STARS. “High Society” de Charles Walters é uma comédia musical em que uma jovem da alta sociedade (Grace Kelly) hesita entre um novo casamento e o ex-marido, um cantor de jazz. Gene Kelly e o “Old Blue Eyes”, Frank Sinatra, repartem os favores da “socialite” enquanto o fantástico Louis Armstrong toca e canta.
Este é o último filme da actriz favorita de Hitchcock, que abandona nesse ano o cinema para casar com o príncipe do Mónaco. 
Com música fabulosa de Cole Porter, este filme foi nomeado para dois Óscares.


Depois chegam as grandes paixões com Mogambo de John Ford, uma história de amor e ciúme passada em África. Um caçador branco, interpretado por Clark Gable, tem um triângulo amoroso com uma mulher da sociedade americana, Ava Gardner, e a mulher de um antropólogo, Grace Kelly.
Gable é novamente, e tal como em “Gone with the Wind”, o homem duro por fora que se devora por paixão. Por seu lado, o realizador John Ford foi responsável de alguns dos melhores filmes da História do Cinema como “The Quiet Man” (1952), “The Searchers” (1956) ou “The Man Who Shot Liberty Valance” (1962). 

Ninguém duvida do estatuto clássico de “All About Eve”. 
A mulher maquiavélica, a falsa ingénua, a insaciável que se insinua o círculo de amigos de uma estrela da Broadway já com uma certa idade, é o tema deste filme também de Joseph L. Mankiewicz. Nele brilham a fantástica Bette Davis, uma das grandes actrizes da altura, e ainda George Sanders, Anne Baxter e Celeste Holm, todos famosíssimos na época. O filme foi vencedor de 6 Óscares dos mais importantes, entre os quais Filme, Realização, Argumento, Actor Secundário (George Sanders), Guarda Roupa e Som, podemos ainda ver um pequeno papel, como Miss Casswell, Marilyn Monroe.


Um clássico pouco visto e que há décadas seguramente não tem à sua disposição uma sala de cinema, “Guess who’s Coming to Dinner de Stanley Kramer, mostra um casal de meia idade que tem de rever a sua atitude quando a filha lhes apresenta o seu noivo negro. Este filme foi uma pedrada positiva numa época em que as relações inter-raciais ainda eram muito problemáticas e bastante ausentes do cinema dos estúdios. Conta com três actores fabulosos, já na altura galardoados com Óscares. Spencer Tracy e Katharine Hepburn que encontram Sidney Poitier, na altura já vencedor de um Oscar por “Lilly of the Valley” (1964) e o primeiro actor negro a ser nomeado, em 1959.


 Ainda nesta retrospectiva dois filmes de Joseph L. Mankiewicz, “Suddenly, Last Summer” lança definitivamente uma Elizabeth Taylor como actriz adulta num filme baseado numa peça de Tennessee Williams. Mais tarde, Taylor brilha em “Cleopatra” realizado também por Joseph L. Mankiewicz em 1963, e torna-se depois vencedora de dois Óscares, por “Butterfield 8”, em 1960, e por “Who’s Afraid of Virginia Wolf?” em 1966. Taylor é neste filme uma mulher belíssima avaliada por um psiquiatra (Montgomery Cliff) para ser lobotomizada, a pedido da tia (Katharine Hepburn) depois de uma morte na família.

Finalmente, uma recuperação, um filme brasileiro que se pensava perdido. A Praga de José Mojica Marins chega-nos numa versão restaurada, e acompanhado de uma curta-metragem. Zé do Caixão (Mojica Marins) conta a história de Marina, a mulher de Juvenal, que não compreende os pesadelos do homem amado depois de fotos no campo, junto à casa de uma bruxa. Desaparecido durante muitos anos, este é o único filme ainda inédito do mestre do horror brasileiro, agora restaurado, que visitou o Porto em 2000 aquando da grande retrospectiva que o Fantasporto lhe dedicou.

José Mojica Marins, o eterno Zé do Caixão


 Uma magnífica mostra de filmes gourmet, para os gostos mais requintados, que o Fantas exibe nesta sua edição 42.
Com data de realização marcada de 1 a 10 de Abril, o FantasPorto regressa ao Teatro Rivoli, após o ano passado a pandemia ter obrigado a que o mesmo se tenha realizado no Mercado Ferreira Borges, outro ex-líbris da cidade do Porto.

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