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Entrevista a Yves Sente e Francois Boucq (O Guardião)

A Gradiva, editora do recém-lançado O Guardião, Agente Secreto do Vaticano Vol 1: O Anjo de Malta, partilhou uma entrevista ao argumentista belga Yves Sente e ao ilustrador francês François Boucq.

O Guardião, Agente Secreto do Vaticano Vol 1: O Anjo de MaltaDecidiram criar esta série com o Vaticano como pano de fundo. É um ambiente complexo. Exactamente o que vos inspirou?

Yves Sente: Desde pequeno, sempre vi o Vaticano como um lugar misterioso. Não sabemos muito do que lá se passa e muitas fantasias alimentam essa imagem de um «mundo à parte». Quisemos vê ‑lo mais de perto e, através das minhas leituras, dei ‑me conta de que, por trás da instituição propriamente religiosa, existia uma organização sensacional, na verdade algo semelhante a outros Estados no mundo inteiro. Um chefe (o papa) eleito (pelo colégio de cardeais) para toda a vida (este aspecto é mais específico), um primeiro‑ministro (o secretário‑geral da Cúria), ministros, uma hierarquia muito organizada… E uma força de influência internacional enorme. O Vaticano é um dos Estados com maior número de embaixadas do mundo… e isso não é por acaso. Quem diz influência, diz poder. E quem diz poder… diz cenário!

O Guardião, Agente Secreto do Vaticano Vol 1: O Anjo de MaltaFrançois Boucq: Foi, por um lado, o aspecto enigmático do Vaticano, mas também, por outro, o desejo de trazer um novo ponto de vista, o do mundo visto através de uma concepção espiritualista. Um encontro com os Jesuítas, uma das mais antigas irmandades no que se refere a informação religiosa, foi igualmente fonte de inspiração para o meu trabalho. Parece ‑nos que esta série pode interessar a quem gosta de banda desenhada, de thrillers, de livros com investigação e serviços secretos.

Foi vossa preocupação fazer uma série para uma larga audiência?

Yves Sente: Claro. O Guardião destina ‑se ao grande público, no sentido nobre do termo. Pretendo dizer com isso que as nossas histórias devem oferecer espectáculo visual, suspense, emoção… Mas também esperamos que, no final da leitura, os nossos leitores tenham descoberto alguns aspectos inesperados dos problemas que o Vaticano pode ter de enfrentar, em particular, e o mundo de hoje, em geral. Além disso, esperamos que os leitores tenham descoberto lugares que desconheciam ou conheciam mal sob o ângulo pelo qual optámos (Malta, Roma, Davos, Porto Cervo, etc.). Na minha opinião, é isto a banda desenhada popular «nobre». Aquela que nos abre para assuntos e lugares através de ficção destinada a descontrair. Um pouco como a «boa banda desenhada» da minha infância…

François Boucq: Não penso num público específico quando estou a criar uma série. Estou sempre à procura de algo que possa animar o leitor, oferecer‑lhe um novo ponto de vista. Para mim, a banda desenhada é o espaço mais favorável à liberdade de expressão, porque não está sujeita a constrangimentos de censura ou económicos.

Como tem sido a reacção internacional a esta série?

Yves Sente: O Vaticano é conhecido por toda a gente no mundo. Portanto, trata‑se de um assunto que naturalmente interessa aos editores (inclusive aos produtores) fora dos territórios de língua francesa. Estamos muito satisfeitos e temos sempre em mente que, quando trabalhamos nesta série, não trabalhamos apenas para os nossos leitores habituais, que são em grande medida francófonos. É um prazer… e é uma responsabilidade. Esperamos que as nossas histórias ficcionadas não entrem em conflito com os leitores cuja sensibilidade católica provavelmente os fará olhar para o nosso trabalho com olhos particularmente atentos e críticos. É um desafio!

François Boucq: Parece ‑me que os editores e os leitores estrangeiros receberam bem esse novo ponto de vista e que a originalidade da série foi bem percepcionada. Esta concepção espiritual de O Guardião facilita a alusão a acontecimentos contemporâneos, nacionais ou internacionais

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