Dragonbane RPG: Arkand – City of Waves and Flames | Mais uma grande aventura?
Dragonbane: Arkand – City of Waves and Flames
Dragonbane: Arkand – City of Waves and Flames é uma nova expansão para o RPG de fantasia da Free League Publishing. Ela transforma a cidade de Arkand num palco para aventuras. Decisões, intrigas e combates criam uma experiência intensa. Oakland oferece novas possibilidades aos jogadores.

Escrita por Johan Sjöberg, com ilustrações de Johan Egerkrans e David Brasgalla, a expansão apresenta uma cidade construída sobre conflitos, segredos e oportunidades. Do imponente Templo do Fogo Verdadeiro, no topo de Dragonrock, às tabernas, antros de jogo e zonas mais perigosas do submundo, Arkand é um lugar onde praticamente cada esquina parece esconder uma nova complicação.
O livro apresenta 20 locais de aventura distribuídos por cinco distritos, acompanhados por personagens, facções, rumores, encontros e várias sementes de campanha. Entre as possibilidades estão confrontos com demónios, conspirações do submundo e a descoberta de segredos ligados ao passado de Arkand que podem alterar o destino da própria cidade.
A edição inclui ainda um mapa a cores de grandes dimensões, com 43,2 x 55,8 centímetros, ilustrado por Francesca Baerald, que ajuda a transformar Arkand num espaço mais fácil de explorar e utilizar durante as sessões.

Uma cidade onde é difícil ficar simplesmente a beber uma cerveja
Uma das grandes virtudes de Arkand – City of Waves and Flames é a quantidade de coisas que podem acontecer. A cidade não é apresentada apenas como um cenário bonito onde os personagens chegam, compram equipamento e partem novamente para uma masmorra.
Há tavernas, templos, locais de jogo, esconderijos, zonas comerciais, organizações criminosas e locais ligados ao passado da cidade, criando uma enorme quantidade de possibilidades para o Mestre.
Há uma grande quantidade de detalhes associados a cada local, com edifícios e espaços que contêm novos pontos de interesse, personagens e ligações a outras partes da cidade. O resultado é uma espécie de boneca russa de aventuras: abre-se uma porta e aparece outra coisa para investigar; investiga-se essa coisa e aparece outra complicação.

Uma enorme quantidade de aventuras
Por isso há muito para fazer. Os 20 locais de aventura proporcionam material suficiente para alimentar numerosas sessões e podem servir tanto como episódios independentes como pontos de partida para uma campanha maior.
A existência de várias facções e conflitos permite ainda que o Mestre construa uma narrativa própria em torno da cidade, em vez de simplesmente seguir uma aventura linear, oferecendo flexibilidade para adaptar encontros, motivações e finais conforme as decisões dos jogadores.
Por isso, personagens, acontecimentos e encontros estão frequentemente relacionados com aquilo que acontece noutras zonas. Os encontros aleatórios também procuram refletir a identidade de cada local, em vez de se limitarem ao clássico “aparecem três bandidos, rola iniciativa”. Isso ajuda a criar a sensação de que Arkand continua a funcionar mesmo quando os jogadores não estão presentes.

Personagens que podem ser reutilizadas
Arkand não está cheia apenas de nomes que o Mestre vai esquecer cinco minutos depois de os apresentar. Vários NPC possuem personalidade, funções específicas, estatísticas e informação suficiente para poderem ser utilizados noutras situações ou até transportados para outras campanhas. Isto aumenta o valor prático do livro, sobretudo para Mestres que gostam de adaptar material em vez de seguir tudo religiosamente.
E vejam só este mapa:

Nem tudo são rosas em Arkand.
Pois, sinceramente achei que 20 locais de aventura num pacote só pode ter sido demais. Deu-me a sensação que podia ter sido metade para as poder desenvolver mais. Alguns dos locais acabam por parecer mais importantes individualmente do que propriamente como partes orgânicas de Arkand. Ou seja, temos muitos ingredientes excelentes, mas nem sempre a receita parece misturá-los todos da mesma forma. E quem diz locais diz personagens, facções, conflitos e possibilidades que um Mestre pode acabar a olhar para o livro com a mesma expressão de alguém que abriu um menu com 147 pratos.-
Também é importante referir que nem todas as zonas da cidade possuem o mesmo nível de detalhe. Isto é compreensível, já que um bairro inteiro não precisa necessariamente do mesmo grau de pormenor que um templo, uma caverna ou um edifício onde os jogadores vão passar várias horas a procurar pistas. Ainda assim, significa que a profundidade da exploração varia de local para local.
Veredicto
Dragonbane: Arkand – City of Waves and Flames é uma expansão muito completa e visualmente impressionante, que transforma Arkand num verdadeiro campo de aventuras.
Os 20 locais de aventura, os cinco distritos, os NPC, as facções, os encontros, as sementes de campanha e os mapas proporcionam uma quantidade considerável de material para quem pretende prolongar as suas campanhas de Dragonbane.
O maior problema é também, de certa forma, uma consequência da sua maior qualidade: há tanta coisa para fazer que o Mestre pode precisar de algum tempo para perceber como quer utilizar tudo. E, embora os locais sejam individualmente muito bons, a ligação entre alguns deles e a própria estrutura urbana de Arkand poderia ser ainda mais profunda.
No entanto considero Arkand uma excelente adição a Dragonbane, sobretudo para grupos que gostam de aventuras urbanas e preferem receber uma caixa cheia de ideias em vez de uma campanha completamente fechada.
Dário é um fã de cultura pop em geral mas de banda desenhada e cinema em particular. Orgulha-se de não se ter rendido (ainda) às redes sociais.
