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Na Companhia das Estrelas – O fim do mundo de Ridley Scott

Na Companhia das Estrelas vê Ridley Scott a realizar um western pós apocalítico, adaptado do livro de Peter Heller, e protagonizado por Jacob Elordi.

Ridley Scott é um dos cineastas mais consagrados de sempre, com uma filmografia variada e invejável, que inclui dezenas de filmes reconhecidos numa multiplicidade de géneros, praticamente todos eles marcados por uma abordagem que só ele parece conseguir imprimir. Embora os resultados sejam bastante variáveis, a verdade é que, nos últimos anos, Scott parece ainda mais focado em explorar temas e géneros distintos – até o seu regresso, em Gladiador II, foi muito diferente do original, lançado um quarto de século antes. Em Na Companhia das Estrelas, uma adaptação do livro de Peter Heller, Scott entra no território do western pós-apocalíptico, à semelhança do que séries como The Walking Dead e The Last of Us, entre muitas outras, fizeram ao fundir um género clássico com um mundo não tão futurista.

O fim do mundo com o conhecemos

Quando uma pandemia quase erradica a humanidade, acompanhamos a vida de Hig (Jacob Elordi), um mecânico sobrevivente que, acompanhado pelo seu cão Jasper, tenta regularmente ajudar as famílias que vivem nas proximidades e preservar a sua fé no lado bom das pessoas. Na mesma base encontra-se Bangley (Josh Brolin), um homem endurecido pelos acontecimentos, que representa o outro lado da moeda enquanto sobrevivencialista e defensor armado do seu território. Quando, durante uma das suas viagens, Hig ouve uma chamada de rádio, começa a sonhar com um lugar onde a normalidade ainda não morreu.

Há uma identidade visual imediatamente reconhecível, sobretudo considerando que, ao longo da última década e meia, fomos sendo introduzidos a universos onde a sociedade simplesmente colapsa por uma variedade de motivos. Neste caso, embora a causa do desastre permaneça algo em aberto e o foco esteja colocado no conjunto de personagens e na forma como sobrevivem, é cativante observar mais de perto esse mundo e as suas consequências.

Uma viagem em busca da esperança na humanidade

Entre paisagens vastas, que transmitem uma pacificidade capaz de fazer contrapeso à morte e ao caos, Jasper, o cão, representa também uma forma de empatia numa época em que todos se limitam a sobreviver, recorrendo sobretudo à violência. É nesse contexto que entram Pops (Guy Pearce) e Cima (Margaret Qualley), pai e filha que trabalham como agricultores e cuidam simplesmente do seu recanto resguardado, longe de qualquer vestígio de civilização.

Há um exercício de gestão de expectativas que Na Companhia das Estrelas exige ao espectador, nunca cedendo totalmente aos clichés do género de ação intensa, nem recorrendo ao uso de armas, salvo quando é absolutamente necessário. É uma abordagem deliberadamente contida, que poderá não agradar a quem procura uma proposta mais direta, mas que aqui utiliza a inteligência emocional com maior consciência, oferecendo-nos algo mais próximo de um western situado num mundo novo — indo para além da simples sobrevivência. As personagens lidam, cada uma à sua maneira, com a solidão, enquanto Hig prossegue a sua missão perpétua de encontrar um motivo para continuar vivo.

É precisamente nessa procura de sentido, mais do que na ameaça exterior, que o filme encontra a sua maior força: num mundo reduzido ao essencial, onde cada encontro pode representar uma escolha entre o isolamento e a possibilidade de voltar a confiar nos outros.

Assim, Na Companhia das Estrelas é uma adaptação fiel do livro de Heller, ajustada para o grande ecrã com razoável equilíbrio. É um filme que demora o seu tempo a desenvolver não apenas o quem, mas também o onde e o porquê, avançando com a calma de uma tempestade que já passou.

Nota final: 6/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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