CineEco: 87 filmes de 34 países para ver na Serra da Estrela
O CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela regressa a Seia entre 9 e 17 de outubro, com uma programação que reúne 87 filmes de 34 países e coloca no centro do debate algumas das questões ambientais mais urgentes da atualidade. A 32.ª edição recebeu 410 candidaturas e apresenta obras provenientes de cinco continentes, incluindo dez longas-metragens em estreia absoluta em Portugal, com passagens por festivais como Cannes, Roterdão, Sundance, CPH:DOX e Visions du Réel.

Entre os destaques da Competição Internacional de Longas-Metragens encontram-se On The Sea, de Helen Walsh, um drama sobre a tensão entre tradição e natureza numa comunidade piscatória do País de Gales, e L’Espèce Explosive, de Sarah Arnold, que transforma o conflito entre agricultores, caçadores e javalis numa comédia de contornos pouco convencionais. A crise climática e a ameaça aos modos de vida tradicionais estão igualmente presentes em Let Our Mountains Live, de Håvard Bustnes, sobre pastores de renas sami que enfrentam a construção do maior parque eólico da Europa, e Iron Winter, de Kasimir Burgess, que acompanha dois amigos empenhados em proteger 2.000 cavalos durante o rigoroso inverno do deserto da Mongólia.
A programação percorre ainda os vestígios do colonialismo e a exploração de recursos em Kikuyu Land, de Bea Wangondu e Andrew H. Brown, e Matéria Prima, de Jens Schanze, enquanto Black Water, de Natxo Leuza, aborda o chamado apartheid climático através da crise dos refugiados no Bangladesh. Já Derek Vs Derek, de James Dawson, observa com humor os conflitos em torno dos modelos de produção agrícola. A relação entre ativismo e futuro surge em Plan C For Civilization, de Ben Kalina, e The System, de Joris Postema, documentário que conta com música de Lee Ranaldo, dos Sonic Youth.

Na competição dedicada às longas-metragens em língua portuguesa, o CineEco apresenta seis títulos, entre os quais Yellow Cake, de Tiago Melo, produzido por Kléber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, Nimuendajú, de Tania Anaya, e os documentários portugueses Água Mãe, de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres, e O Avesso Do Mundo, de Rita Palma. A seleção inclui ainda Rua Do Pescador Nº 6, de Bárbara Paz, e Baía Dos Tigres, de Carlos Conceição.
As curtas e médias-metragens ampliam o retrato das transformações ambientais e sociais, com 31 filmes na Competição Internacional e 14 na competição em língua portuguesa. Entre os títulos encontram-se Quietude, de Gonçalo Almeida, e Felicidad, de Francesco Mastroleo, realizados no âmbito de uma residência cinematográfica orientada por Werner Herzog em La Palma, em 2024. A biodiversidade, os ecossistemas aquáticos, a reflorestação, as migrações e a preservação das culturas indígenas atravessam ainda filmes como Love Birds, We Are Animals, Dawn Chorus, Replanting A Garden e Lost Songs Of Sundari.

O território português também assume um lugar de destaque. A Competição Panorama Regional inclui Maços E Martelos, de Tiago Cerveira, O Próximo Princípio, de Pedro Nogueira, e O Anjo Da Guarda, de Eduardo Pires. Fora de competição será exibido Lições De Fogo, do finlandês John Webster, documentário sobre os incêndios em Portugal filmado em Castelo Branco e na aldeia do Sabugueiro, em Seia. A programação inclui ainda, numa sessão especial, A Revolução Dos Bichos, longa-metragem de animação realizada por Andy Serkis a partir da obra de George Orwell.
Com uma história que remonta a 1995, o CineEco é um dos mais antigos festivais de cinema ambiental do mundo realizados de forma ininterrupta. Organizado pelo Município de Seia, o festival mantém entrada gratuita e combina a competição cinematográfica com conferências, concertos, workshops, exposições, mercado de filmes e atividades educativas. A programação é da responsabilidade de Cláudia Marques Santos, Daniel Oliveira e Tiago Alves e, ao longo do ano, o CineEco prolonga a sua atividade através de uma rede de extensões em diferentes pontos do país.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.
