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Digimon Adventure: A última evolução Kizuna estreia com dobragem portuguesa

O Central Comics teve o prazer de responder ao convite para documentar os bastidores da dobragem de Digimon Adventure: A última evolução Kizuna, o mais recente regresso ao celebrado e nostálgico universo dos Digimon.

Digimon Adventure: Ultima Evolução Kizuna

Durante estas visitas, tive a oportunidade de conhecer as vozes das infâncias de milhares de portugueses, que regressam à franquia para trazer aos fãs esta última digivolução.

O projeto era assombroso, coordenado por uma santíssima Trindade que já se responsabilizou por grandes dobragens nestes últimos anos. Mas vamos rebobinar…

A noite estava calma, era dia da semana e, bem acompanhado, descia ruas para o Marquês de Pombal após uma noite de teatro.
Lembro-me bem dessa viagem, da narrativa nela tecida. Um receio constante borbulha a até à superfície, destila a em conversa o meu medo de estar a perder tempo, potencial, de viver sem deixar uma marca

Digimon Adventure: Ultima Evolução Kizuna

Foi aí que recebi a mensagem do Daniel.

Somos unha com carne há uns anos, e já tinha tido o prazer de trabalhar com ele nas “Henroclopedias”, projeto no qual atacava a minha nostalgia enquanto entretia um pequeno mas acolhedor público no YouTube.

Ai começou o sonho, “vamos gravar o Kizuna, queres vir fazer umas vozes no fundo?”

Com o passar dos dias a história complicou. Este projeto podia ainda chegar ao cinema, mas a antecipar rejeições, tudo estava pronto para arrancar com um crowdfunding.

Mas havia aqui um conjugar de valores que imediatamente me fez perceber que, no cinema ou não, era um projeto que queria acompanhar de perto.


O Daniel e a Vera traziam um amor profundo ao universo, algo que a cada visita ao estúdio mais provavam. Foram minuciosos na tradução, na direcção e nas suas próprias performances.

Por outro lado, Quimbé investiu todos os seus recursos neste projeto, porque quando há amor, não se produz nada pela metade. O seu estúdio foi equipado com todo o material que esta produção iria requerer, e logo começou a ligar a um vasto elenco para o ambicioso projeto.

Qualquer outra equipa teria pelo menos uma pessoa a apontar para esta perfeita tempestade, este caldo a ferver, enquanto dizia “vai dar molho, estão mas é malucos!”

Um elenco de vinte e poucos, com papéis mais longos ou mais curtos, atores de duas temporadas aqui conjugados para oferecer aos fãs e ao público geral o melhor e mais fiel elenco. Incluindo casos como os de Nara Madeira e Pedro Borges que se deslocaram do estrangeiro para gravar as suas falas.


Estes atores, movidos pela paixão da equipa e dos seus fãs, regressaram ao universo “Digimon” 20 anos mais tarde, algo que não se via desde Dragon Ball Super, e neste caso numa escala muito mais megalómana.

Mas toda a loucura precisa de um pouco de juízo, foi aí que João entrou, constantemente trabalhando para assegurar que o produto saia a tempo e horas, nesse aspeto coordenou a produção propriamente dita, pondo os pés desta gente toda assentes na terra.

Lembro-me da minha chamada de véspera, por saber dar “uns toques na câmara”. Fui prontamente colocado na produção como o editor de vídeo e operador de câmara para o behind the scenes.

No primeiro dia dei de caras com um estúdio cheio de malta da minha idade, a “nova vaga” chegava do Porto para gravar as suas falas, ainda sem confirmações se o filme seria lançado ou não.
O espírito “Guerrilha” era sempre presente, sentia-mo-no na boa disposição e na pressão de criar o nosso canto no mercado.

Nessa noite pisguei-me de madrugada já, primeira de muitas.

A proeza repetia-se, entrámos muitas vezes às 9, saímos muitas vezes às 3, movidos pela paixão e pelas power naps no sofá, bem como aquela vontade de mostrar o nosso valor, conhecer os nossos ídolos e rever os nosso amigos, provar que como artistas temos a faca e o queijo para sonhar alto de vez em quando.


O dia para entregar os primeiros trailers à NOS, fazer o pitch final à produtora que, na altura, já tinha inclusive datas de estreia para a versão legendada, foi pontuado por dores de cabeça, depois de mais uma matiné era preciso ir fazer malabarismos com codecs e bitrates, queríamos enviar tudo perfeito, apresentar não só o amor mas o talento e o profissionalismo.

Mais uma noite mal-dormida, mas disseram que sim!
Já com alguns atores despachados, agora sim tínhamos budgets e datas de entrega!
A primeira grande vitória trouxe a devida confiança, e a máquina já andava a todo o vapor.

Escrevo isto às 22:30 a caminho de casa ainda incrédulo, não obstante andar nestas andanças já há um mês.

Tive o prazer de conhecer grandes profissionais, incluindo os ídolos da minha infância, de trocar anedotas e agradecer aos que me ensinaram todas aquelas lições e aos que hoje me dão esta oportunidade.

Gostava de dizer que vou aterrar na cama, mas ainda tenho uma dúzia de vídeos promocionais para acabar hoje e amanhã é mais um dia de estúdio, como têm sido todos.

Só falta um mês, e ainda há tanto que fazer.
Às “crianças eleitas” por este mundo digital fora só vos peço, esperem por nós, vai valer tanto a pena!

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