Cinema: Crítica – Uma Luta Desigual (2019)

A Justiça Suprema Ruth Bader Gingsburg tem sido alvo de muita atenção este ano, seja pelos vários vídeos dela a fazer exercício físico, que aos 85 anos é uma inspiração para visitarmos o ginásio, como pelos dois filmes que retratam a sua vida, um deles o documentário RBG e a mais recente biopic Uma Luta Desigual.

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Neste filme, realizado por Mimi Leder, acompanhamos a vida de Ruth Bader Gingsburg (Felicity Jones) desde da sua entrada na Universidade de Harvard em 1956, onde ela foi uma das nove mulheres escolhidas no curso de advocacia. Com ela está o seu amor eterno, Martin Gingsburg (Armie Hammer), estudante no segundo ano do curso.

A vida não vai sendo fácil para Ruth, já que o seu maior obstáculo é estar num mundo dominado por homens, onde o papel da mulher é um de apenas servir de dona de casa e pouco mais. Insistente em mudar mentalidades, Ruth envereda por uma batalha árdua e o início do seu legado.

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Uma Luta Desigual poderá se dividir em duas partes. A fase de crescimento de RBG, onde a mesma se transferiu para a Universidade de Colombia em Nova Iorque, estando sempre entre os melhores alunos. Ainda assim, nenhuma firma de advocacia é capaz de a aceitar, acabando por se tornar professora da cadeira ‘A Lei e a Discriminação Sexual’, na Rutgers Law School. A outra parte leva-nos até 1970, quando Martin mostra a Ruth um caso relativo a um homem que toma conta da sua mãe idosa e que sofre discriminação por parte do governo, pois recusam-se a dar-lhe um apoio social com base no seu género.

Cabe a Ruth, com ajuda de Martin, provar o caso perante o Décimo Circuito da justiça suprema norte-americana, onde uma mulher terá que provar que aquela lei é inconstitucional, levando de assalto todo o sistema judicial e, com ele, definir novos precedentes.

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É certamente de interesse acompanhar a vida de uma das figuras mais importantes para a justiça, já que Ruth Bader Gingsburg fez da sua vida corrigir todas as leis possíveis que de alguma forma discriminaram pessoas na base de género. Felicity Jones encara bem esse papel, dando a oportunidade de vermos desde jovem como tudo começou.

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O grande problema reside na falta de entusiasmo que este tipo de biopics normalmente apelam. Enquanto que a primeira metade revela grandes intenções de ser algo revolucionário durante o inicio da vida de Ruth, é quando o foco se mantém no caso que as coisas mudam drasticamente de ritmo. Tendo a noção que estamos perante o que é o primeiro de muitos casos que irá mudar as vidas de muitas pessoas, Uma Luta Desigual vai, pouco a pouco, limitando-se a ser um retrato monótono da história, podendo-se confundir com um episódio de Lei e Ordem fora de cronologia.

Uma Luta Desigual, apesar de todas as suas qualidades históricas que valem como uma excelente introdução a uma das pessoas mais incríveis com um lugar no Tribunal Supremo dos Estados Unidos, acaba por sofrer pela sua perda de entusiasmo a meio do filme, que não deixa de ser interessante de ver num contexto histórico-social. No fim, apenas podemos admirar a sua capacidade em mudar o mundo, algo que ainda hoje faz com muito gosto.

  • Uma Luta Desigual estreia a 10 de janeiro 2019 nos cinemas.

Nota Final: 6/10

Ricardo Du Toit

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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