Cinema: Crítica – The Grudge: Maldição (2020)

Em 2002, quando o primeiro Ju-on: a maldição estreou no Japão, uma nova onda do cinema de terror espalhou-se pelo mundo a olhos vistos, contando com inúmeras sequelas e remakes, tanto asiáticos como norte-americanos, todos baseando na premissa de um espírito vingativo que segue aqueles que ousam entrar na casa onde reside. Por alguma razão, alheia a muitos, o mito regressa pelas mãos de Nicholas Pesce com The Grudge: Maldição.

Conhecemos a Detective Muldoon (Andrea Riseborough) que se muda com o seu filho para uma pequena cidade nos Estados Unidos, após a morte do seu marido. O seu primeiro caso, em parceria com o Detective Goodman (Demián Bichir), envolve uma mulher encontrada num estado de descomposição, que relembra Goodman de um caso antigo, referente a uma casa assombrada. Esse mesmo caso levou o seu antigo parceiro à loucura e o pior cenário possível parece ser novamente real, agora que enfrentam novamente a ameaça.

Tudo o que sabemos sobre Ju-on, The Grudge, casas assombradas e espíritos maléficos como os conhecemos, já foi abordado em dezenas de filmes nos últimos 20 anos, não encontrando aqui qualquer justificação para a falta de originalidade, ou sequer uma tentativa disfarçada de introduzir uma ideia minimamente interessante. Tendo em conta que em 2020 vivemos num mundo onde David Robert Mitchell nos deliciou com Vai Seguir-te, agarrando na mesma trupe e dando uma reviravolta que o fez um dos grandes filmes de terror da década, esta nova entrada de nada serve a não ser para perder tempo.

  Dartacão no grande ecrã

A revolta continua quando temos noção que o filme foi escrito e realizado por Nicholas Pesce, auteur de dois incríveis filmes de género, Os Olhos da Minha Mãe, que contou com a participação da actriz portuguesa Kika Magalhães; e o grande Piercing, que deixou os espectadores boquiabertos no MOTELX em 2018 e que passou pelas salas nacionais em Abril deste ano. Duas obras que mostram distintamente o talento do realizador nova-iorquino, que fora uma mão cheia de planos intrigantes, segue o resto do filme tal e qual aos que vimos nos remakes da década passada, fúteis e sem qualquer tipo de impacto. É grave quando um filme de terror causa risos que não são nervosos, e que recorre a sustos básicos para tentar ganhar algum tipo de reacção.

Com isto, The Grudge: Maldição é completamente passível, provando que até os autores mais respeitados podem comprometer a sua integridade com meros truques cinematográficos, esperando que seja apenas uma fase e não o inicio do fim de um dos artistas mais interessantes dos últimos tempos. Sobre o filme, ganham mais em ir passear à beira-mar. Pelo menos para a vossa sanidade mental.

Nota Final: 1/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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