Cinema: Crítica – Tenet (2020)

Em 1998, um jovem realizador britânico pelo nome de Christopher Nolan, desviou algumas atenções com a sua primeira longa-metragem, Following, sendo esse o verdadeiro inicio do seu caminho autoral, tendo catapultado com Memento, dois anos mais tarde, e considerado ainda hoje um dos seus maiores filmes de culto. Com um estilo que vem sido definido a cada novo filme, seja no seu estilo de realização, seja nos argumentos que escreve, eis que Tenet finalmente faz a sua estreia no grande ecrã, após ter sido adiado diversas vezes.

Neste filme, conhecemos The Protagonist (John David Washington), um homem sem nome com a missão de impedir a Terceira Guerra Mundial com apenas uma palavra: Tenet; entrando no perigoso mundo de espionagem, com um alto-conceito científico, onde a relatividade do tempo pode ser o fim do mundo.

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Revelar mais sobre o enredo de Tenet é de tanto perigoso, como seria incompreensível ao ser lido, sendo que a sua experiência física no cinema exige uma grande atenção por parte do espectador, como também este seja de compreensão rápida, correndo o risco de perder o fio à meada. Naturalmente, nem todos somos especialistas em física quântica e um conceito como a relatividade do espaço e tempo vai muito mais além do que aquilo que o filme apresenta. É este a maior dificuldade que se poderia ter em ver Tenet, que na sua forma, é uma evolução dos interesses temáticos de Nolan, após filmes A Origem (2010) e Interstellar (2014), também eles com a sua dose de ciência a ser compreendida.

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Por outro lado, tudo o resto que poderíamos esperar de um filme do realizador está mais que presente, desde a demonstração da beleza dos muitos locais da produção, que passou por sete países, entre Índia a Reino Unido, passando pela Estónia e Dinamarca; ao qual se juntam diversos altos e baixos na acção e tensão que o filme providencia, literalmente desde do primeiro segundo, com uma brilhante sequência de um ataque terrorista numa casa de ópera, ou mais tarde, com o tão publicitado acidente de avião.

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Adicionalmente, o elenco faz de John David Washington e Robert Pattinson, este último com um papel que está constantemente a surpreender, faz com que esta seja uma das duplas mais carismáticas do ano no cinema, ao qual também podemos contar com a presença de Elizabeth Debicki, Kenneth Branagh, Aaron Taylor-Johnson e, claro, Michael Caine. A banda sonora, desta vez cortesia do compositor Ludwig Göransson (Hans Zimmer estaria ocupado com o novo Duna), faz um trabalho impecável a acompanhar o vários momentos, inclusive contribuir activamente para a acção, como é hoje raro de se ouvir.

Com isto, Tenet é uma película que vai requerer vários visionamentos e uma análise até à exaustão, para que percebamos a dimensão do seu universo, algo que não é necessariamente mau, mas que pode se tornar um pouco frustrante. Mesmo com a sua base sólida visual e de talento, é claro que este é um filme que transcende o próprio cinema, com uma obra que será falada durante anos.

Nota Final: 9/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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