Cinema: Crítica – Perigo Iminente

Filmes baseados em factos históricos aparecem todos os anos e, naturalmente, um dos géneros que esta categoria mais utilizado é os filmes baseados em guerra. Será este Perigo Iminente apenas mais um?

Primeiramente, a abordagem do filme é tudo menos convencional. É um filme sobre a guerra do Vietname? É. É um filme para falar sobre americanos? Não. Este filme é sobre australianos. Passo a explicar o que quero dizer. Perigo Iminente baseia-se na batalha de Long Tan, onde perto de 200 soldados australianos (a maioria de tenra idade) batalhou contra 2000 soldados vietnamitas. E, a história do filme e dos acontecimentos reais são o ponto forte desta película, já que tentam ir ao pormenor em mostrar como realmente a batalha se travou, dando destaque a personagens interessantes, principalmente ao Major Harry Smith ( que é protagonizado por Travis Finnel) e ao soldado Paul Large ( um fantástico Daniel Webber). No entanto, mesmo que estas duas personagens tenham o maior destaque, todas elas são bem abordadas e caracterizadas. Além disso, todos os soldados que acompanhamos durante o filme tem o cuidado de se destacarem de pequenas formas, com pequenos gestos que nos fazem sofrer com eles e ficar felizes com as pequenas vitorias que vão conseguindo ao longo da hora e cinquenta que o filme tem.

 

Porém, o ponto alto do filme tem mesmo de ser os visuais deslumbrantes. Mesmo num cenário de guerra e com muitas cenas passadas em locais com vegetação alta, a realidade é que o filme consegue transmitir a beleza do Vietname. E há locais, maioritariamente selva, que visto de cima tem um visual fantástico. Atrevo-me até a dizer que, se pudéssemos parar o filme a meio tínhamos vários cenários que seriam papeis de parede soberbos.

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Trata-se de um filme sólido, mas que, ao chegar ao seu último terço peca por entrar pelos lugares-comuns dos filmes de guerra. As personagens clichés “assaltam-nos” de um momento para o outro, quando começamos a perceber que existem aquelas personagens típicas como o “chefe” que todos pensam que é má pessoa, mas que na realidade tem coração ou, o jovem que está prestes a casar e que esta será a sua última missão antes de voltar a casa. No entanto, temos também tudo o que não é cliché, especialmente personagens que são diferentes do que aparentam à primeira vista e que constroem laços ao longo do filme. Outra questão muito má retratada no filme é o som e o visual das explosões. Sabemos que é um filme de guerra, mas, a certa altura parece que estamos a ver uma obra de Michael Bay.

Resta concluir que, a grande novidade de Perigo Iminente é mesmo o facto de abordarem os soldados australianos. É um filme sólido, até ao momento em que vai tudo pelo cano abaixo por culpa de todos os clichês a que nos submetem.

Nota final: 6/10

Perigo Iminente estreia a 21 de novembro nos cinemas portugueses

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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