Cinema: Crítica – Novos Amigos Improváveis (2019)

Kevin Hart e Bryan Cranston criam uma amizade inesquecível em Novos Amigos Improváveis. Estará o remake ao nível do original?

Baseado numa história verídica e no filme francês “Amigos Improváveis”, este remake segue uma premissa semelhante, na qual Dell (Kevin Hart), um ex-recluso irresponsável e sem meios monetários para cuidar do filho, está à procura de assinaturas para ser considerado inválido para trabalhar e poder receber um subsídio do estado. Ao encontrar Phillip (Bryan Cranston), um bilionário tetraplégico, Dell recebe a oferta de se tornar no seu cuidador pessoal. Uma amizade improvável surgirá que mudará a vida destes dois.

Novos Amigos Improváveis (The Upside) está desenvolvido de modo a fazer o espetador sentir-se sempre bem e não seria de esperar que escolhessem Kevin Hart como protagonista. O enredo é sempre encaminhado para comédia, perdendo um pouco da naturalidade do original, cujo estava bastante bem equilibrado entre humor e drama sem nunca parecer forçado. Além disto, certas personagens possuem uma grande transformação e possibilitam uma melhor afinação no argumento pelo qual se baseia. Yvonne (Nicole Kidman), secretária pessoal de Phillip, tem uma maior relevância e contribui para a química entre os dois protagonistas, tornando-se hilariante observar o choque de personalidades entre si e Dell.

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Por consequência, esta nova abordagem tem um orçamento muito mais elevado, cujo é visível no ecrã. Phillips tem uma vida de luxo ao contrário de Dell que sempre viveu em bairros sociais onde o seu filho é diariamente influenciado para seguir uma vida irresponsável. Com este novo trabalho e, principalmente, esta nova amizade, Dell tem a capacidade de salvar a vida da sua ex-mulher e filho. É sem dúvida um filme previsível, mas que resulta pela sua qualidade humorística que só é possível devido à excelente química entre os protagonistas.

As piadas na sua maioria funcionam, sendo somente arruinadas quando se prolongam demasiado. Contudo, a introdução de novos detalhes humorísticos num argumento adaptado fazem com que ambos os filmes tenham a sua individualidade, para além das mudanças de personagens e rumos na narrativa. Enquanto que consegue melhorar cenas cómicas do original ou até mesmo adicionar novas, Novos Amigos Improváveis peca pelo desprezo que dá à música.

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Continuam a haver efetivamente cenas em que Dell se dirige à ópera ou no aniversário de Phillip a ouvir uma orquestra privada, no entanto, a ausência de Ludovico Einaudi (compositor do filme francês) com o seu piano divinal que dá esperança ao futuro destas personagens faz com que o remake se torne somente num produto humorístico com pouca criatividade.  Além disto, existem vários problemas de edição e cinematografia que dão a sensação de um improviso durante a produção do mesmo.

Todavia, Kevin Hart consegue afirmar-se num papel diferente do habitual e num argumento mais bem fundamentado pelo que Novos Amigos Improváveis consegue produzir os seus momentos cómicos eficientemente numa história de amizade emocionante e uma química credível entre os protagonistas. No entanto, falta-lhe a criatividade e imprevisibilidade que tornam o original único.

  • Novos Amigos Improváveis estreou a 31 de janeiro 2019 nos cinemas.

5/10

Tiago Ferreira

Tiago Ferreira

Estudante de Cinema e Teatro, Crítico de Cinema, Fotógrafo novato e Cosplayer.

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