Cinema: Crítica – Guerra Sem Quartel (2019)

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Quando pensamos que já vimos tudo, eis que aparece algo que nos prova errados. Desta vez em forma de Guerra Sem Quartel, onde Jean-Claude Van Damme, um dos maiores heróis de acção dos anos ’80 e ’90, continua a sua carreira em filmes de baixo orçamento sem grande nível de produção.

Realizado pelo desconhecido Lior Geller, este conta a história a de Lucas (Elijah Rodriguez), um rapaz de 14 anos envolvido num gang mexicano, como passador de droga, determinado que o seu irmão mais novo, Miguel (Nicholas Sean Johnny), não prossiga no mesmo estilo de vida. Daniel (Jean-Claude Van Damme) é um dos seus clientes mais regulares, não contente com a dose receitada pelo seu médico de analgésicos, adormecendo as feridas da guerra do qual regressou.

Imediatamente somos confrontados com uma introdução daquilo que nos espera, algo que Lucas diz que “é o melhor e o pior dia da sua vida”, enquanto está em fuga dentro dum carro e membros dum gang atiram sobre ele; fiando-se na ingenuidade do espectador com o intuito de nos deixar com altas expectativas.

De facto o que se segue são várias sequências, praticamente todas filmadas à mão, não recomendável a quem sofrer de enjoo. Ainda que se admire a tentativa da técnica, mais conhecida pela sua utilização brilhante na série de culto The Shield, também a mesma com a sua dose de gangsters, aqui torna muitas das coisas difíceis de acompanhar.

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Por outro lado, há que congratular este filme pelo seu esforço em ter uma história minimamente interessante, com polpa suficiente para seguirmos a vida dum conjunto de pessoas que acredita estar acima da lei. Na verdade, o filme conta que o nosso preconceito seja que estamos perante algo previsível, havendo alguns momentos surpreendentes, ao custo de nos deixar a pensar se ele está a ir longe demais.

Claro que tudo isto não seria possível com o cabeça de cartaz, Van Damme, que não é merecedor de tal título, já que o foco é principalmente em Lucas e a situação infeliz ao qual se colocou. Mesmo assim, há que dar os parabéns à produção, que conseguiu fazer de Van Damme uma personagem aborrecida, com zero número de diálogos, limitando-se a poucos grunhidos e acenos de cabeça, enquanto é vulnerável o suficiente para se esquecer de todo o seu treino de artes marciais.

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Ainda que a portuguesa internacional Joana Metrass continue a fazer o seu bom trabalho em Hollywood, a actriz merece muito melhor que uma personagem secundária com pouca relevância para a história.

Assim, Guerra Sem Quartel é um filme sem estilo, nem substância suficiente para cativar qualquer público,  ao qual recomenda-se literalmente qualquer outra tarefa diária, que certamente será mais produtiva. Fica para a próxima.

Nota Final: 1/10

Ricardo du Toit

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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