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Cinema: Crítica – Destroyer: Ajuste de Contas (2019)

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Karyn Kusama é um nome ressoante por Hollywood. A realizadora foi considerada durante anos como alguém incapaz de fazer um bom filme que tivesse sucesso, com a adaptação live-action de Aeon Flux em 2006 ou o eterno sobvalorizado O Corpo de Jennifer, este último que tem recebido algum carinho tanto pelo público, como por alguns críticos, uma década depois. Foi só em 2015 que a sua abordagem no terror criou um filme de culto, com The Invitation, pondo-a novamente no mapa. Agora, regressa aos grandes ecrãs com um thriller noir em Destroyer: Ajuste de Contas.

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Nicole Kidman é Erin Bell, uma detective de Los Angeles que investiga a morte de um homem, encontrando algo que lhe remete para um roubo dum banco há muitos anos, enquanto esteve sob-disfarce. Esta investigação leva Erin a procurar velhos conhecidos que poderão encontrar o verdadeiro assassino, arriscando a própria vida pelo seu passado.

Este género de thriller noir introduz-se como bastante genérico. Temos o crime, no qual a detective com um passado obscuro tem um problema por resolver. No entanto, as coisas revelam-se ser mais complicadas quando a pessoa que está a investigar é uma personagem defeituosa, que carrega um enorme fardo sobre os seus ombros e uma atitude desleixada e negligente perante a lei. O melhor disso é que Kidman encarna uma personagem com um espírito quebrado numa transformação única com o cabelo escangalhado e olhos pesados.

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Tudo toma proporções pessoais e sérias quando investimos em conhecer o mundo destas personagens e como é que elas estão interligadas com a missão de Erin, algo que vamos acompanhando pelas várias cenas de flashback, onde conhecemos Chris (Sebastian Stan), alguém muito próximo dela que nos ajuda a compreender a narrativa.

Kusama cria uma relação hipnotizante com o espectador, com uma realização onde tudo parece ser delicado, numa cidade com muita beleza suja escondida, podendo fazer a comparação com a forma que Michael Mann mostrou Los Angeles em Heat – Cidade Sob Pressão, em 1995. Por consequência, a realizadora utiliza novamente o poder do suspense, deixando-nos constantemente atentos ao seguimento da narrativa, que passo a passo mostra uma realidade dura e fria que se sente na pele.

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Destroyer: Ajuste de Contas põe-nos no lugar do passageiro enquanto o mundo cruel vai passando ao lado e as peças se juntam para uma conclusão que certamente irá deixar muitos de boca aberta. No fim, ficamos com duas coisas em mente: Nicole Kidman é brilhante e Karyn Kusama tem um lugar muito especial no cinema moderno.

  • Destroyer: Ajuste de Contas estreia a 31 de janeiro 2019 nos cinemas

Nota Final: 8/10

Ricardo du Toit

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