Crítica: Cinema – “It”, de Andy Muschietti

Um dos filmes mais aguardados deste final de Verão, senão mesmo do ano, é “It“, um filme de terror realizado por Andy Muschietti. Ao contrário do que se possa pensar, este não é um remake do filme de 1990, e sim uma readaptação do livro de Stephen King.

O filme começa com o assassinato de uma criança, Georgie Denbrough (Jackson Robert Scott), numa pequena vala para escoamento de águas local. Um ano depois, no verão de 1989, o irmão mais velho de Georgie, Bill (Jaeden Lieberher) e o seu grupo de amigos, iniciam a busca do assassino, descobrindo que o crime foi cometido por uma entidade do mal: Pennywise (Bill Skarsgård), um palhaço assassino que anda a matar crianças, supostamente desaparecidas.

A cada vinte e sete anos acontece uma desgraça na pequena cidade de Derry, e Bill Denbrough juntamente com o seu grupo, o “Loser’s Club”, vão em busca de Pennywise para travar todos os assassinatos que tem feito ao longo do tempo. Pennywise, o palhaço dançarino, explora os medos e fobias das suas presas, e com isso consegue atraí-las para onde quer, transformando-se nos seus próprios medos ou fobias. Exemplo disso é o de Richie Tozier (Finn Wolfhard) que tem medo de palhaços e quando o grupo de crianças vai pela primeira vez à casa onde está Pennywise, eles são separados uns dos outros, deixando então Richie trancado num quarto cheio de palhaços de brincar. Um dos palhaços que podemos ver nesse quarto, é um easter egg de Pennywise protagonizado por Tim Curry, na mini-série de 1990 “It – Palhaço Assassino

Este é um filme de terror tem momentos de tensão e de descontração. Quando o ambiente é calmo, consegue-se relaxar um pouco e concentrar-nos na história, qual a razão da sequência dos acontecimentos, quem são as personagens, etc.. Quando o ambiente fica tenso, sentimos algum desconforto, até porque os medos e fobias retratados no filme são reais. É interessante a forma como Gary Dauberman, Chase Palmer, Cary Fukunag, e David Kajganich escreveram o guião, os medos e/ou fobias das pessoas, algumas difíceis de retratar, são representados de forma criativa conseguindo então agarrar-nos ao filme  do princípio ao fim.

Estes  momentos de tensão e descontração são conseguidos por um montagem inteligente de som e imagem de uma forma harmoniosa e adequada a este género cinematográfico. Os momentos de tensão estão então representados pela imagem e pelo som de maneira a que nos sintamos desconfortáveis, visto que se trata de um filme de terror. O som é importante, mesmo quando nada acontece de assustador, brincando com agudos, graves e por vezes a ausência de som é tão ou mais importante que haver sonoplastia. A banda sonora do filme também complementa estes momentos. A imagem sombria ajuda a perceber que naquele momento ou espaço poderá haver mais um momento de terror, enquanto que nos momentos mais relaxantes e calmos a temperatura de cor da imagem é mais quente, mais clara, podemos quase até sentir que de facto a história se passa no Verão.

Bill Skarsgård consegue ser assustador como Pennywise, até mesmo quando está apenas parado à frente da câmara. O guarda roupa, a caracterização e claramente toda a representação dele ajuda de facto a que este filme se torne, talvez, o filme mais visto este ano. Sem dúvida dos melhores palhaços que houve no cinema. Finn Wolfhard, que se tornou conhecido como Mike Wheeler em “Stranger Things“, pode ser um dos novos actores promissores no cinema e em televisão, pelo facto de ser um actor versátil está também inserido numa série já bem sucedida e agora com este filme no curriculum.

O filme terá duas partes, visto que a obra original contém mais de 1000 páginas, sendo esta a parte onde nos mostra a jornada das crianças do “Loser’s Club” para encontrar seus amigos desaparecidos, além de enfrentar o palhaço assassino Pennywise, explorando então os medos e fobias das suas presas.

Classificação: 9/10

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