Crítica – À Deriva (2018)

À Deriva (estreia nacional a 14 de Junho) é o novo filme do realizador Baltasar Kormákur. Conhecido por realizar o filme Evereste, Baltasar torna a focar-se numa história verídica sobre coragem e sobrevivência e a trazer a mesma para os ecrãs do Mundo.

Desta vez, Baltasar conta-nos a história de um casal jovem, protagonizado por Shailene Woodley e Sam Claflin, que se comprometem a viajar pelo mar para entregar o barco onde estão aos seus donos. Nesta viagem, enfrentam um dos furacões mais catastróficos alguma vez visto, que os deixa à deriva, longe do seu rumo. Assim, a sua sobrevivência estará dependente dos poucos recursos que têm e terão de lutar para chegar a bom porto, contra todas as probabilidades.

Comecemos por aquilo que considero que seja o ponto mais forte que este filme tem para oferecer – Shailene Woodley. A actriz tem vindo a demonstrar que cresceu desde os tempos idos da saga Divergente e neste filme dá 100% de si, deixando-nos nas mãos com provavelmente a sua melhor performance até ao momento. Depois de ver o filme, não consigo prever nada senão um futuro risonho para a actriz, com uns quantos prémios na sua mesa de cabeceira.

O mesmo já não se poderá dizer sobre Sam Clafin, que não dá nem metade do empenho que a Woodley dá à sua personagem. Num filme que conta totalmente no apoio da relação amorosa entre as duas personagens principais, quando uma não é convincente no seu papel, então não transmite a química necessária para fazer com que nos preocupemos com ambos e a sua relação. Ao lado de Woodley, o Sam fica aquém das expectativas.

Para além da performance da actriz, o filme ainda oferece uma bonita fotografia, através da qual nos consegue maravilhar e aterrorizar com a Mãe Natureza. Longos takes dentro do barco e a captar a ação em água, deixando-nos de queixo caído em algumas ocasiões e a pensar como alguns momentos deverão ter sido um processo complicado de filmar de forma tão cinematográfica.

Porém, verdade seja dita, não conseguimos contar quantos filmes inspirados em histórias reais existem. São sempre histórias inspiradoras, que merecem ser contadas e recordadas, que nos ensinam lições importantes para a nossa vida. Mas, pelo motivo de existirem tantos filmes deste género, existem certos pontos comuns nestas histórias, presentes em todos os filmes, e as quais conseguimos prever ainda antes do filme começar.

Para fugir a esses pontos comuns e inovar uma história verídica, os argumentistas e realizador de À Deriva decidiram contar a história deste casal de um momento não linear, apresentando-nos passado e presente em intervalos intercalados. Porém, considero que seja aí onde reside o ponto mais fraco deste filme. O filme torna-se demasiado partido, cortando a tensão em momentos-chave da narrativa, para além de que existem certos flashbacks que nem têm necessidade de existir, muito menos no meio da acção iminente que estamos à espera que ocorra desde o início do filme, não nos deixando envolver no momento.

Em suma, À Deriva apresenta uma história verídica incrível num filme, infelizmente, descartável.  Não é um mau filme per se, mas não será visto como um dos filmes marcantes do ano.

  • À Deriva estreia dia 14 de junho de 2018 nos cinemas

3 / 5

João Borrega

  Abre em Portugal primeira sala de cinema ScreenX (ecrã 270º) | NOS NorteShopping

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