Cinema: Top 30 Underrated Flicks – Parte I

Alguns filmes nunca acabam por receber aquela atenção que merecem, outros não passam de fascinantes curiosidades de Hollywood que são mais do que a soma das suas partes.[fbshare]
Logo fiz o que quase todo o ser humano por essa internet fora já fez. Um Top. 30 filmes em 3 partes.
Claro que não garanto que todos concordem com a lista, mas se ficarem demasiado zangados preparem as forquilhas que eu preparo a coquilha…

Cool World

Este é um caso clássico do “o que raio é que se passou na produção deste filme?”.  A Paramount Pictures, com sede de beber um pouco da água de Who Framed Roger Rabbit, decidiu seguir em frente com uma ideia pouco ortodoxa do (quase) sempre controverso Ralph Bakshi (Fritz the Cat, Heavy Traffic, Coonskin)  que apresentou o filme como sendo uma mistura entre comédia e terror que contava a história de um cartoon híbrido que tinha como missão assassinar o pai humano que o abandonou.

No entanto, o produtor Frank Mancuso Jr., os executivos da Paramount e Kim Basinger (que substituiu Drew Barrymore) acharam que seria melhor transformar o filme numa criatura amigável, mudando o tom da história para algo que conseguisse ter um PG-13 e re-escreveram  o argumento sem Bakshi.

O resultado: Mancuso Jr. levou literalmente um murro de Bakshi, Bakshi levou com uma ameaça de tribunal (cortesia do estúdio) se não completasse o filme, o filme fracassou, acabou com a carreira no grande ecrã de Ralph Bakshi (espera-se um regresso este ano com Last Days of Coney Island) e não fez favores nenhuns a Brad Pitt.

E sim, o tom do filme está por todo o lado, a história é difusa e a animação nunca condiz muito bem com a live action – mas vale a pena ser visto por esta mesma animação e pelo facto de servir como exemplo de como um estúdio pode diluir completamente um filme.

The Ladykillers

Antes de se revitalizarem com No Country for Old Men em 2007, os Coen encontravam-se num sítio um pouco desagradável depois das desilusões de Intolerable Cruelty e deste The Ladykillers (remake de uma comédia dos estúdios Ealing de 1955). Ambos os filmes estavam originalmente planeados para serem apenas escritos pelos Coen, mas depois de Ron Howard e Barry Sonnenfeld terem recusado o trabalho, os dois irmãos mudaram-se para a cadeira de realizadores.

Em vez de Alec Guiness e Peter Sellers, temos nomes como Tom Hanks, Marlon Wayans e J.K Simmons, a tentarem roubar um casino a partir da casa de Marva Munson (Irma P. Hall), uma velha viúva.
Eu confesso ainda não ter visto o original mas acho incrível o ódio que este remake recebe, o humor negro e offbeat dos Coen está mais do que presente em todo o filme através das personagens, das cenas em que os Coen as escrevem e na excelente contribuição gospel de T-Bone Burnett.

Posso ser o único no planeta a ter esta opinião, mas acho que é uma comédia mais bem conseguida que tentativas mais recentes como Burn After Reading e A Serious Man.
Para não falar numa excelente interpretação de Tom Hanks, que nos faz lembrar os irreverentes papéis cómicos do actor dos anos 80.

Ah e o grande Bruce Campbell tem um cameo. Razões suficientes para merecer outra oportunidade?

Doom

Um nome que não precisa de introdução. A série revolucionária da id Software dos anos 90 que popularizou o first person shooter e que ajudou a mudar a face dos videojogos para sempre teve direito a uma adaptação ao grande ecrã em 2005, depois de os direitos terem saltado de estúdio em estúdio durante uns anos.

Vamos ver o que está nos ingredientes: Excelente banda sonora? Check! Uma combinação entre CGI e criaturas da oficina de Stan Winston? Check! Dois actores bad ass? Check! Uma sequência em first-person? Yes sir! Criaturas vindas do Inferno? Eu repito… Criaturas vindas do Inferno? [Cantam os grilos]

Se eu tivesse que apostar, diria que foi aqui que o filme perdeu quase todos os fãs dos jogos originais que por esta altura juravam estar a ver o melhor Resident Evil de sempre.
E enquanto eu percebo parte da desilusão, seria mesmo o suficiente para pôr de parte um filme que tem The Rock e Karl Urban lado-a-lado e ainda uma cenas mais divertidas de sempre na história do cinema?
Talvez seja por eu ser um enorme fã de wrestling, mas a par com The Rundown, Doom é dos melhores filmes em que o The Rock já entrou (claro que ainda me falta ver o Southland Tales).

Robocop 2

[afino a garganta] Este filme não é tão bom como o original, este filme não foi realizado por Paul Verhoeven e não foi escrito pelos escritores do original.

Mas no outro lado da moeda, Frank Miller (depois do sucesso de The Dark Knight Returns) foi convidado pelo produtor Jon Davison para escrever a sequela e enquanto nem todas as suas ideias foram utilizadas, Miller continuou a ser uma presença activa no filme chegando a entrar a ter um pequeno papel.

Irvin Kershner, realiza o seu último filme e a sua segunda sequela de ficção científica (depois de um pequeno filme independente chamado The Empire Strikes Back) e não recua da mesma crítica e violência extrema que Verhoeven imprimiu no primeiro filme.
Foi também o último filme de Peter Weller como Murphy, tendo recusado o terceiro filme para ir trabalhar com Cronenberg na adaptação de Naked Lunch.

Talvez um dos pecados do filme é ser demasiado idêntico ao primeiro mas sabendo o que viria depois com o terceiro filme e com o reboot, dou graças por este filme ser o que é. Ao menos, consegue encontrar uns bons vilões em Tom Noonan e em Gabriel Damon (ser um vilão-miúdo estava na moda no início dos anos 90).
As ideias abandonadas de Frank Miller para o segundo e o terceiro filme foram mais tarde usadas pela Avatar Press para uma série de comics (sobrevisionadas pelo próprio).
Eu referi antes que era um fã de wrestling, e sinto que é meu dever informar que para promover o filme alguém teve a brilhante a ideia de meter o RoboCop num dos programas da World Championship Wrestling.
Marketing genial ou horrível? (A resposta é horrível, mas o filme é digno de ser mencionado na mesma frase que o primeiro).

Monkeybone

Este será o segundo filme na lista que entra na mesma categoria de Cool World, também ele uma mistura entre animação e live-action realizado por alguém talentoso que estava a entrar por caminhos novos.
Henry Selick, ainda com o culto de The Nightmare Before Christmas atrás de si, realizou o seu primeiro filme sem qualquer input de Tim Burton e o primeiro a ser maioritariamente composto por live-action (o anterior, James and the Giant Peach era na maior parte stop-motion).

Assim como Cool World, o filme passou por grandes mudanças antes de chegar ás salas. Primeiro,  o filme era para ter bastante mais animação do que acabou no ecrã, Ben Stiller era suposto ser o actor principal (mas com ele vinham os seus próprio escritores, uma decisão a que Selick se opôs) e mesmo na fase final, o filme contava com mais 15 minutos antes da Fox intervir.
O que acabou no ecrã é algo único, macabro e vindo directamente de um pesadelo. A animação é excelente, os cenários são impressionantes, Brendan Fraser funciona como Stu Miley e surpreendentemente o ex-SNL Chris Kattan é uma das melhores partes do filme que consegue ainda ter um breve espaço para o grande Bob Odenkirk.
Mas o argumento de Sam Hamm (que trabalhou com Tim Burton nas suas aventuras por Gotham) não consegue encontrar um equilíbrio entre o bizarro e o divertido, o que acaba por deixar o filme perdido no seu próprio humor negro. Por outras palavras, grande parte do humor acaba por não funcionar a 100%.

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Ah e John Turturro é a voz do próprio Monkeybone…

star wars o lobo mau

The Toolbox Murders

Tobe Hooper é um realizador que não se tem destacado desde The Texas Chainsaw Massacre 2 (outro filme subvalorizado) de 1986. Mas em 2004, o realizador lançou este remake do clássico de culto do mesmo nome e surpreendentemente, é um dos melhores slashers da última década e infelizmente não recebeu a atenção que merecia.

O filme conta a história de um casal (Angela Bettis e Brent Roam) que se muda para um velho apartamento em Hollywood, longe do seu auge, onde se vêem envolvidos numa série de misteriosos assassínios.

Uma história simples, mas que ao mesmo tempo se transforma em algo mais do que um tradicional slasher e como o original, são dois filmes pelo preço de um, juntando ainda um pouco de mistério, suspense e gore para um filme de terror eficaz que prova que um dos mestres dos anos 70 ainda tem alguma energia para dar.

Foi directo para DVD nos Estados Unidos em 2005, mas antes disso conseguiu estrear nas nossas salas e embora não sendo um filme perfeito, é claramente o melhor de Tobe Hooper desde à muito, muito tempo…

Broken Arrow

Depois de mudar novamente o cinema de acção com Hard Boiled, o realizador John Woo decidiu mudar-se para Hollywood (com a ajuda de Sam Raimi) para realizar Hard Target com Jean Claude Van-Damme. E embora não tenha estado ao nível de alguns dos seus filmes anteriores (boa parte da culpa vai para o próprio Van Damme), Hard Target tem as impressões digitais de John Woo por todo o lado (aquela sequência final é uma das melhores coisas que alguma vez poderão ver), um vilão excelente em Lance Henriksen e ainda Wilford Brimley como Wilford Brimley.

O filme teve sucesso, mas a relação pouco estável entre Van Damme e John Woo nunca permitiu um próximo filme e seguiu-se então Broken Arrow, onde Christian Slater tenta evitar John Travolta de roubar umas ogivas militares ao Exército dos EUA.

Mais uma vez, uma história simples, e Deus abençoe o grande Jean-Claude Van Damme mas é com a dinâmica entre John Travolta e Christian Slater que o filme verdadeiramente vence. Isso e mais um punhado de excelentes cenas de acção, não fosse este um filme do John Woo.

Se tivesse de escolher cenas a dedo ia para Hard Target, mas se é para escolher o conjunto completo, prefiro este filme. Os papéis principais são mais interessantes, a banda sonora é o sinónimo de cool e sente-se um John Woo um pouco mais confortável e confiante.

No One Lives

Love him or hate him, Ryûhei Kitamura tem na sua filmografia alguns dos filmes mais interessantes de acção e terror dos últimos anos, entre eles: Versus, The Midnight Meat Train (adaptação da short story de Clive Barker) e este No One Lives, entre outros…

A história: Luke Evans e Laura Ramsey são um casal numa viagem pelos Estados Unidos que é interrompida depois de se cruzarem com um grupo de criminosos num restaurante local.
Pouco tempo depois, o filme dá uma volta de 180º e consegue fazer o inesperado. Consegue genuinamente surpreender e transforma-se numa alucinante experiência repleta de gore ao extremo que inclui algumas sequências em particular que não vão ser fáceis de esquecer.

O filme foi co-produzido pela WWE Studios (num estilo completamente dos padrões actuais da companhia) e infelizmente, como The Midnight Meat Train recebeu um lançamento limitado nos cinemas, e embora tendo-se saído muito melhor que outros filmes da WWE (a competição também não é muito exigente), desapareceu rapidamente para o mercado do home video.

Nem tudo funciona no filme, mas é refrescante ver um filme com tanta atitude e coragem para mostrar o que mostra. Uma boa companhia para o excelente remake do Evil Dead e uma das melhores surpresas do ano passado.

Rampage

Não vou negar que o realizador Uwe Boll fez alguns dos melhores piores filmes de sempre (a maior parte já deve contar como franchises). Aliás, a lista é longa: House of the Dead, Bloodrayne,  Alone in the Dark, In the Name of the King, Postal,

Mas em 2009 saiu um pequeno e raro filme chamado Rampage sobre Bill Williamson, um jovem de 23 anos que decide comprar um fato Kevlar e começar um massacre, na sua pequena cidade no estado do Oregon.

Filmes como Elephant e Falling Down vêem-nos à cabeça, mas Rampage é ainda mais agressivo na sua atitude e perturbante na forma em como nos mostra o verdadeiro terror que Bill e a cidade de Tenderville (sim, Uwe…nós percebemos a ironia) estão a passar.

Quem viu o nome de Uwe Boll na capa do DVD decidiu-se afastar, mas quem decidiu arriscar viu um dos filmes mais subvalorizados do ano.
O único problema? Vem aí uma sequela…

Last Action Hero

Em 1993 este não era só mais um filme de verão e não era só mais um filme com Arnold Schwarzenegger. Era um absoluto bulldozer que esperava demolir tudo o que apanhasse no seu caminho (e com isto, quero dizer que queria fazer IMENSO dinheiro).

Toda a gente envolvida estava segura que este filme ia ser um êxito colossal. Vários videojogos divididos por 7 plataformas (um deles nunca lançado), um novo sistema de som digital da Sony, uma sequela planeada para 1994, $12 milhões pagos pelo Burger King para publicidade, $5 milhões gastos pela Mattel em brinquedos e ainda um infinito número de bandas desenhadas, trading cards, máquinas de pinball, t-shirts, pijamas e toalhas de praia.

E isto eram só os tie-ins, porque o marketing do filme continuava com 2 insufláveis do Arnie em Times Square e um misterioso caso de um foguetão na NASA que iria ser o primeiro a promover o filme no espaço (o que pelo menos permitiu ao Kang e ao Kodos saberem que o filme estava quase a sair).

E isto tudo, porquê? Porque o último filme do Arnie tinha feito um gazilião de dólares (cof…Terminator 2…cof) e uma paródia aos filmes de acção pareceu ser o passo correcto para dar a seguir (curioso que Shane Black foi um dos 4.999 escritores que mais tarde esteve envolvido no projecto).

A produção foi feita em fast forward, visto que o prazo total era de 9 meses e meio, e rumores começaram a surgir que o filme não iria conseguir atingir a sua data de lançamento, mas a 18 de Junho de 1993, Last Action Hero estreou e apesar de Jurassic Park não ser a única razão para a enorme desilusão que o filme causou, certamente não ajudou.

Com tantos cozinheiros na cozinha, o filme acabou por não conseguir acertar em nenhum dos elementos de fantasia, acção ou comédia. Mas é por esta mesma razão que é um filme único que merece ser visto e revisto…
Tem um dos melhores elencos de sempre (com mais cameos do que em qualquer outro filme de Hollywood), está constantemente a piscar o olho a Hollywood e ao próprio Schwarzenegger, tem Danny DeVito como um gato detective, foi realizado pelo grande John McTiernan e vai ficar para a história como o único filme do Arnie com referências a Hamlet e a The Seventh Seal.

Para não falar que teve direito a uma das melhores bandas sonoras dos anos 90 com AC/DC, Anthrax, Alice in Chains, Megadeth e Cypress Hill.

Desculpa, Tio Steven, mas eu prefiro ganhar este bilhete mágico do que uma visita ao Parque Jurássico.

PS: Um obrigado ao artigo do Indiewire por tão bem resumir a loucura que foi a produção deste filme.

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