Cinema: Nos bastidores de Zootrópolis

 “Em Zootrópolis, todos podem ser o que quiserem.”

 Ao longo da sua história, a Walt Disney Animation Studios criou um longo e célebre legado de filmes com animais que falam – desde a estreia da curta-metragem de Mickey Mouse “Steamboat Willie”, a “Bambi”, “Dumbo”, “O Livro da Selva”, “Robin dos Bosques” e “O Rei Leão.” A Walt Disney Animation Studios regressa à vida selvagem com o próximo filme ” Zootrópolis.” “Todos nós crescemos a ver os grandes filmes de animais da Disney – fomos imersos nesses mundos”, diz o realizador Byron Howard. “O filme favorito da minha infância era o ‘Robin dos Bosques’ e queríamos honrar esse legado, mas de uma maneira nova e diferente, de uma forma mais profunda. Começámos por perguntar: “Como é que é um mamífero de uma metrópole seria se fosse desenhado por animais?” A ideia era incrivelmente fascinante para nós.” [fbshare]

ZOOTOPIA. ©2016 Disney. All Rights Reserved.

ZOOTOPIA. ©2016 Disney. All Rights Reserved.

Zootrópolis é uma cidade única, composta por habitats que celebram culturas diferentes. Existe a luxuosa Praça Saara para os animais do deserto, o Distrito Tundra para ursos polares e alces, o quente e húmido Distrito da Selva Tropical e a Toca dos Coelhos para os milhões e milhões de coelhos. O centro da cidade, a Estação de Savanna, é uma mistura onde os vários mamíferos de cada local se reúnem – um sítio onde não interessa quem se é, desde o maior elefante até ao mais pequeno rato, pois cada um pode ser quem quiser. Mas quando a otimista Polícia Judy Hopps chega, descobre que ser a primeira coelha numa força policial de grandes e fortes animais, não é fácil. Determinada em vingar, agarra a oportunidade de resolver um caso, mesmo que isso signifique ser parceira de uma faladora, rápida e fraudulenta raposa, Nick Wilde, para resolver o mistério.

“Na sua essência, ‘Zootrópolis’ é um filme sobre amizade”, diz o realizador Rich Moore. “Judy e Nick – uma coelha e uma raposa – por lógica são inimigos naturais. Logo, estas personagens não se dão exatamente bem no início. Iniciaram a relação com ideias pré-concebidas um do outro – ideias que não são reais.

De acordo com Byron, o facto destes companheiros não se darem bem, alimenta a comédia do filme. “Judy é a eterna otimista que acredita que todos podem ser o que quiserem – o lema da cidade”, diz. “Nick é o completo oposto. É cínico. Acredita que somos o que somos. E por isso integrámos esta personagem inocente, cheia de força e vigor, no meio da grande cidade, ao lado de Nick – o realista – e este chega a divertir-se muito à conta dela. Mas Judy tem alguns truques na manga.”

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Os realizadores conceberam e construíram um vasto e detalhado mundo Zootrópolis, com uma população de 50 espécies de animais diferentes, apresentando o que cada tipo faz de tão especial no mundo real, com a diferença que estes animais falam e vestem calças. “A equipa esteve durante 18 meses a fazer pesquisa de animais”, diz o produtor Clark Spencer. “Reunimo-nos com especialistas em animais de todo o mundo, incluindo do Disney’s Animal Kingdom, na Walt Disney World. Viajámos até ao Quénia, em África, durante duas semanas para aprofundar o nosso conhecimento sobre a personalidade e o comportamento animal. Queríamos que cada espécie fosse real, para parecerem autênticos e baseados no seu comportamento natural.”

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“Acho que todos ficámos profundamente mudados com a nossa viagem a África”, acrescenta Jared Bush, o co-realizador e um dos argumentistas. “É uma experiência incrível, estar rodeado por milhares de animais. Neste filme, queremos dar a sensação de densidade, o que dá imenso trabalho. Regressámos daquela viagem com uma grande vontade de fazer tudo bem.”

Na versão original, “Zootrópolis” apresenta uma lista notável de vozes talentosas para ajudarem a dar vida à metrópole mamífera, como é o caso de Ginnifer Goodwin (da série da ABC “Era Uma Vez” ou dos filmes “Um Homem de Sonho” e “Walk the Line”) como a nova polícia coelho, Judy Hopps. “Ginnifer tem uma natureza tão doce”, diz Rich. “Mas é tenaz, assim como Judy e também tem um grande sentido cómico. Sabe como interpretar uma personagem de uma forma engraçada. Percebe em concreto o que torna Judy engraçada.”

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Jason Bateman (“Chefes Intragáveis 2”, “Sete Dias Sem Fim”) dá voz à raposa matreira, Nick Wilde. “Nick não é exatamente um bom rapaz”, diz Jared. “Mas Jason Bateman de certa forma faz com que seja agradável, atraente e estranhamente encantador. Nick é sarcástico e hilariante ao jeito de Jason Bateman.”

Também no elenco de vozes está Shakira, interpretando Gazelle, a maior estrela pop internacional de Zootrópolis, Idris Elba (da série Netflix, “Beasts of No Nation”, da série da BBC, “Luther”) como o búfalo Chefe Bogo, o chefe de Judy que não faz sentido, J.K. Simmons (“Juno” e vencedor de um ÓSCAR® por “Whiplash – Nos Limites”) como Presidente Lionheart, Nate Torrance (da série da HBO, “Hello Ladies”, da série da Fox “Weird Loners”) como a encantadora chita Clawhauser, Jenny Slate (“Obvious Child”, “Marcel the Shell”) como Ovina, a Assistente do Presidente, Tommy Chong (“E Tudo o Fumo Levou”, “Que Loucura de Família”) como Yax the Yak, Octavia Spencer (“Insurgente”, vencedora de um ÓSCAR® por “As Serviçais”) como a perturbada Sra. Lontra e Bonnie Hunt (“Regressa Para Mim”, “Jerry Maguire”) e Don Lake (“Doidos à Solta, de Novo”, “The Bonnie Hunt Show”) como os ansiosos mas compreensivos, pais de Judy.

“Sentimo-nos sortudos por termos este calibre de talentos – todos abraçaram com amor e humor esta história de uma forma que acho que não me lembro de alguma vez ter visto”, diz Clark. “Acho que temos algo especial a acontecer e isso é fascinante.”

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O filme da Walt Disney Animation Studios, “Zootrópolis” é realizado por Byron Howard (“Entrelaçados”, “Bolt”) e Rich Moore (“Força Ralph”, “Os Simpsons”) e produzido por Clark Spencer (“Força Ralph”, “Lilo& Stitch”). Jared Bush (“Penn Zero: Part-Time Hero”) é o co-realizador e um dos argumentistas. John Lasseter é o produtor executivo.

  Que se sentou no "trono" das bilheteiras?

“Zootrópolis” estreia a 25 de fevereiro de 2016.

UMA GRANDE IDEIA

Os Realizadores Equilibraram um Tema Complexo com Autenticidade, Diversão e Aventura

Fazer pesquisa é a base para todos os filmes da Walt Disney Animation Studios — e é algo que o produtor executivo John Lasseter acredita ser um requisito para se criar uma boa história. Por isso, quando os realizadores de “Zootrópolis” decidiram criar um mundo só animal, foram para a selva – literalmente – fazer a pesquisa “Fizemos durante cerca de 18 meses uma investigação profunda sobre animais”, diz o realizador Byron Howard. “Estudamos como interagem na natureza, como socializam e como é que as comunidades são construídas no mundo natural.”

Descobrimos que a maioria dos animais – 90 por cento – são presas”, continua Byron. “Apenas 10 por cento são predadores. Enquanto sempre se assumiu que os predadores são quem governa o mundo animal, a verdade é que estão em minoria. Falámos com antropólogos e sociólogos e olhámos para trás na história humana – sempre que temos uma maioria ou uma minoria, os problemas sociais surgem. Aprendemos e observámos que os animais de todas as espécies tendem a permanecer com os animais que são parecidos consigo; encontram refúgio e proteção dentro dos seus grupos individuais e tendem a evitar animais que são diferentes.”

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Desta forma, a pesquisa encaminhou os realizadores até uma história que lida com os estereótipos e preconceitos. “Propusemo-nos a fazer um filme animal engraçado”, diz Byron. “Mas quanto mais pesquisávamos, mais víamos uma oportunidade de falar sobre algo importante – continuando a ter uma grande diversão com o mundo, com as personagens e com a história.”

Segundo o realizador Rich Moore, a chave era encontrar o equilíbrio certo. “Trabalhámos muito para encontrar o ponto certo – contando uma história que entretenha, com coração e que conte alguma coisa significativa.”

“Falámos com Shakti Butler, um perito incrível em preconceito”, acrescenta o produtor Clark Spencer, “que disse que é difícil estar tendencialmente contra alguém quando se conhece a pessoa. Essa ideia fundamental é refutada na nossa história, entre um coelho e uma raposa, inimigos naturais, ambos com ideias predefinidas um sobre o outro, mas que aprendem que estão completamente errados, uma vez que são obrigados a formar uma equipa.”

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UM GRANDE PASSO

Desde que era pequena, Judy Hopps desejava ser polícia. As probabilidades estavam contra ela, porque nenhum coelho se tinha alguma vez juntado ao Departamento Policial de Zootrópolis – ou sequer se tinha atrevido a tentar. Os polícias em Zootrópolis são todos animais grandes, como rinocerontes, elefantes e hipopótamos. Mas isso não a impediu. “Ela tem um grande sentido de justiça”, diz Rich. “Faz frente aos rapazes, não gosta de valentões e leva a sério o lema da cidade: Em Zootrópolis, todos podem ser o que quiserem.”

No entanto, não vai ser uma tarefa fácil. Judy não foi feita para ser polícia, ou pelo menos é isso que toda a gente acha. Mas quando se apercebe que por ser um coelho, tem certas habilidades que lhe permitem ter sucesso, consegue evoluir com treino e acaba por se formar como a melhor da turma. “Por causa do seu desempenho”, diz Byron, “O Presidente Lionheart reconhece o seu valor, dando-lhe a hipótese de ser colocada como cadete na Esquadra 1, na Zootrópolis Central, que é a mais difícil e a mais importante na cidade.”

Mas o superior de Judy, o Chefe Bogo, um búfalo disparatado, não fica impressionado com o seu record na escola. Não quer uma coelha na sua equipa. Então, em vez de lhe dar um alto cargo, Bogo coloca-a a verificar os estacionamentos. “Mas ela decide ser a melhor funcionária de sempre”, diz Byron. “Ao tirar partido da sua audição incrível, emite 200 bilhetes de estacionamento antes do meio-dia, no seu primeiro dia.”

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Assim que Judy se começa a sentir bem no trabalho que lhe foi dado, encontra uma raposa suspeita, Nick Wilde. Os pais de Judy sempre lhe disseram que as raposas eram dissimuladas e em quem não se podia confiar e Nick parece-se com o estereótipo. “Ele viveu na cidade a sua vida toda”, diz Rich. “Nick acredita que se é aquilo que se é – não há como lutar contra isso. Se toda a gente acha que ele é um vigarista, então vai ser o melhor vigarista que conseguir. E tanto quanto Nick sabe, Judy não passa de uma coelha do campo e não tem medo de lhe dizer que o seu sonho de ser uma policia a sério, nunca vai acontecer.”

No entanto, Judy tem a sua grande oportunidade, quando o Chefe Bogo é obrigado a dar-lhe um caso. “Alguns mamíferos desapareceram”, diz Jared Bush que é o co-realizador e um dos argumentistas. “Um deles é o Sr. Lontra e a sua mulher, a Sra. Lontra, está desesperada para o encontrar. Mas como existem vários outros mamíferos desaparecidos, o Chefe Bogo não está a dar a atenção que ela desejava ao caso. Então Judy voluntaria-se para ajudar.”

Apesar do seu bom senso, Bogo permite a Judy trabalhar no caso, mas faz um acordo com ela: tem 48 horas para resolver o caso ou demite-se da polícia. E é exatamente isso que o Chefe Bogo está à espera que aconteça. Judy aceita o desafio e parte para a ação, ansiosa para deixar a sua marca, até que descobre a sua primeira pista. “Em algum momento antes de desaparecer, o Sr. Lontra esteve em contato com Nick Wilde”, diz Jared. “Essa é a sua única pista. Então tem de conseguir enganar o vigarista Nick de forma a que a ajude, sendo este o mote para o arranque desta viagem louca com os dois, que são o oposto um do outro, mas estão a tentar trabalhar juntos, ou não.”

Texto da Disney Portugal

 

Hugo Jesus

Co-criador e administrador do Central Comics desde 2001. É também legendador e paginador de banda desenhada, e ocasionalmente argumentista.

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