Cinema: MOTELx 2018 – Resumo do 5º Dia

O quinto dia do MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa trouxe uma animação japonesa muito diferente, um hipno-terror filmado a 16mm, histórias de fantasmas e um thriller queer francês.

Violence Voyager, Japão, 2017

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Quando pensamos que já se viu tudo no cinema asiático, eis que aparece Violence Voyager, uma animação feita em Geki-mation, ou seja, feita com recortes em cartolina pintados ao detalhe.

É por esta diferença que Ujicha prima, criando um universo bastante distinto daquilo que já se fez antes, com inspirações de filmes de kaiju e terror de série B dos anos ’70.

Bobby, um rapaz americano a viver no Japão decide ir com o seu amigo Akkun até às montanhas. Pelo caminho, os dois encontram um parque de diversões chamado Violence Voyager, que promete ser uma aventura única.

Uma vez lá dentro, os rapazes apercebem-se que afinal é tudo uma grande armadilha e fazem parte de um esquema de mutação biológica do qual não conseguem escapar.

Parecendo o pior pesadelo de qualquer um de nós, esta viagem ao estilo das histórias de sci-fi lidas em zines, bem no passado, leva-nos ao lado mais brutal e estranho do cinema de animação Japonês, onde é melhor ir de mente aberta, não vá causar demasiada estranheza.

Nota Final: 6/10

Luz, Alemanha, 2018

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Tilman Singer é um homem especial. Com apenas 30 anos, a sua estreia em longas-metragens tem feito furor no circuito de festivais pelo mundo.

Luz é sobre uma rapariga condutora dum taxi que se encontra numa esquadra de polícia para ser avaliada por um psicólogo. Dizer mais sobre isto é estragar a viagem este filme tem para nos oferecer. Uma viagem que aos olhos e aos ouvidos são um bel-prazer que não é bem possível traduzir em palavras.

Com apenas 1 hora e 10 minutos, Luz parece mais longo, com os seus segmentos compridos, uma fotografia fenomenal e um som que invade a mente, causado uma impressão para durar, não fosse o filme gravado no clássico formato de 16mm.

Entre a sua narrativa pouco convencional, as suas personagens intrigantes e toda um cuidado técnico, Luz vai mais longe do que ser apenas um filme. Luz é uma experiência que certamente não irá deixar ninguém indiferente.

Nota Final: 10/10

Ghost Stories, Reino Unido, 2017

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Um dos filmes britânicos mais esperados do ano, Ghost Stories, tem sido falado com bastante frequência, não fosse ele adaptado a partir da peça de teatro que deixou o West End em Londres de pernas para o ar.

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Jeremy Dyson e Andy Nyman, autores da peça, são também os escritores e realizadores desta antologia de terror, com Nyman a interpretar novamente o seu papel original como Phillip Goodman, um homem quebrado e dedicado a desmascarar mediums fraudulentos.

Isto até certo dia, que é atraído até a um dos seus ídolos, conhecido pelas suas investigações profundas, e lhe deixa com três casos que nunca foi capaz de resolver.

É assim que começa a viagem de Goodman, que visita três pessoas diferentes, cada uma com as suas experiências únicas, desde poltergeists à obsessão com o oculto.

Este sistema de antologia numa era em que Black Mirror subiu a fasquia da expectativa que deveríamos ter ao género, resulta de forma coesa e que passo-a-passo nos deixa intrigados, não só com os casos, mas também com as suas personagens.

O grande Martin Freeman também adiciona alguma substância, já que estamos habituados a vê-lo noutro tipo de papeis, mostrando a sua capacidades polivalentes.

No fim, este Ghost Stories é uma das melhores antologias de terror, embora discreta, que faz jus ao legado do género.

Nota Final: 9/10

Knife + Heart (Un couteau dans le coeur), França, 2018

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Do lado mais queer do cinema Europeu está a mais recente obra de Yann Gonzalez, com Knife + Heart, que conta a história de Anne (Vanessa Paradis), produtora de filmes de pornografia gay de baixo orçamento, que durante o verão de 1979 vê alguns dos seus actores serem assassinados sem motivo aparente, por uma pessoa que nem a polícia tem pistas onde o encontrar.

O que se segue é um filme com toques de noir, onde as luzes neon de Paris pairam num ambiente escuro.

Onde Knife + Heart é diferente, é o facto de não se focar na investigação dos crimes. O espectador apenas vê o rescaldo e como as restantes personagens da produção reagem, deixando-nos também conhecer toda a cena homossexual presente naquela altura.

Assim, o filme apela à nossa imaginação em pôr as peças do puzzle nos sítios certos, enquanto que se desenrola uma história de amor e amor-próprio entre Anne e o seu elenco.

Knife + Heart poderá não atrair toda a gente, mas, aqueles que decidirem meter o pé, serão recompensados com um filme que mostra todo um outro lado do cinema Francês.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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