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Cinema: Crítica – X (2022)

Ti West é um dos auteurs do cinema independente, cujas oportunidade de ver o seu talento são muito pouco frequentes – o seu último filme foi Terra Violenta, de 2016 – e por isso quando surgiram as primeiras notícias que o mesmo estava para lançar o caos com X, há um certo entusiasmo associado, com o selo de qualidade da A24.

O ano é 1979 e Maxine (Mia Goth) é uma stripper viciada em cocaína que tem a oportunidade de ser a estrela de um filme pornográfico, produzido pelo seu namorado Wayne (Martin Henderson), esperando que seja o papel que faz dela uma actriz de renome internacional e assim construir a sua vida de sonho. Com ela está Jackson (Kid Cudi), um veterano do Vietnam tornado actor de filmes para adultos, Bobby-Lynne (Brittany Snow), outra actriz profissional, e a dupla técnica R.J (Owen Campbell) na câmara e Lorraine (Jenna Ortega) no som.

A viagem leva-os até uma casa de hóspedes no meio do campo, para gravar “As Filhas do Agricultor”, mas a rodagem da sua obra-prima rapidamente se torna num autêntico pesadelo, quando os velhos donos da propriedade Howard (Stephen Ure) e Pearl (Goth) descobrem aquilo que está a ser feito debaixo dos seus narizes.

Ti West ainda é capaz de surpreender com as suas criações e X é talvez uma das melhores da sua carreira, onde conceitos perversos, alusivos aos filmes de exploitation, conseguem encaixar numa narrativa que é uma ode aos slashers da década de 70 e 80 com a maior das facilidades. Por baixo das aparentes marotices fúteis, esconde um filme que é muito bem vindo no panorama de um género que começa a mostrar alguma dificuldade em oferecer algo novo e memorável. X encapsula exactamente o espaço que o cinema de terror consegue oferecer, onde os limites da narrativa estão apenas limitados pelo seu autor.

Aliado a isto está um trabalho cinematográfico esplêndido, com cada imagem pensada para nos agradar, intrigar ou simplesmente, assustar. É o tipo de atenção que West nos habitou nas suas obras anteriores e fez dele um dos grandes realizadores da sua geração, mostrando o quão profundo é o seu amor pelo cinema e o cuidado que tem em criar algo que fique na memória de quem vê. X é um caso ainda mais especial, não apenas pelo seu elenco, mas também pela forma que narrativa evolve a cada segundo, escolhendo violência e deixando-nos de rastos.

Assim, X é um dos grandes filmes do ano, que certamente irá causar muito desconforto para quem estiver à espera de mais um filme de terror banal, provando mais uma vez que o género é capaz de ser muito mais que simples mortes, repletas de sangue e sustos.

Nota Final: 8/10

2 thoughts on “Cinema: Crítica – X (2022)

  1. Ótima crítica!
    Sou de São Paulo, e gostaria de assistir em algum cinema…
    Por onde você assistiu?

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