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Cinema: Crítica – Wolfkin (2022)

O cinema europeu raramente segue as mesmas tendências que o cinema norte-americano, muitas vezes preferindo abordar certas temáticas de uma forma mais pensada e concisa, com as suas próprias ideias e intenções. Este é o caso de Wolfkin, um filme vindo do Luxemburgo, e realizado por Jacques Molitor.

Elaine (Louise Manteau) é a mãe solteira de Martin (Victor Dieu), que após um incidente na escola, onde o jovem mordeu um colega, estes acabam por sair da cidade e visitar os familiares paternos de Martin, que possam dar algum tipo de explicação ao que está a acontecer.

Contado de uma perspectiva familiar, Wolfkin pode ser descrito como um misto entre coming-of-age, com uma pitada de terror, onde esta versão da puberdade é um bocadinho mais perturbadora. Ao acompanharmos Martin e a sua nova família descoberta, estes últimos que bem lhe tentam ensinar as suas maneiras, há naturalmente várias coisas que saem um bocadinho fora de uma adolescência normal, sobretudo toda a parte lobishomem.

É fantástico ver uma história assim conseguir-se traduzir para um amplo grupo de fãs do género, à medida que vemos Martin a encarar a sua nova vida e descobrir os muitos segredos obscuros da família dele, que muito lhe tentam ensinar as formas de ser e viver., com a sua nova fome por carne e uma sede por sangue, criando assim muitos momentos de conflito. Os homens têm uma dieta diferente das mulheres, e recebem tratamentos médicos, tudo para acomodar a sua condição inerente. O outro lado disso é quando Martin se mal comporta, e é tratado como um animal selvagem. Este tipo de detalhes é o que nos liga ao filme e nos mantém agarrados até ao fim.

Na cadeira da realização, Molitor oferece-nos uma obra relativamente directa, que faz bom uso da hora e meia de película, conseguindo com sucesso apresentar as suas ideias deste universo que estabelece, e meter algum medo com a potencial realidade num mundo onde isto é real. Infelizmente o último acto do mesmo parece que se deixa ultrapassar, com alguns dos seus pontos a serem passado com alguma rapidez.

Assim Wolfkin é uma obra interessante vindo daquele lado da Europa, agarrando no conceito clássico do lobishomem e dá-lhe uma vida alternativa, capaz de satisfazer os fãs do género. Focando-se na parte mais humana e quotidiana do ser, a conjugação entre elenco e realização dá-nos tensão mais que suficiente para uma história que sabe o que quer mostrar, provando que mantendo as coisas simples por vezes é a melhor decisão.

Nota Final: 7/10

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