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Cinema: Crítica – Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo (2022)

Daniel Kwan e Daniel Scheinert são praticamente irmãos, uma dupla de realizadores fã do surreal, cuja obra de estreia Um Corpo Para Sobreviver deu tantos pesadelos quantos risos, ao ver Daniel Radcliffe e Paul Dano na aventura das suas vidas. Os Daniels regressam em força com Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo, um filme com o selo da A24, e produzido pelos irmãos Russo.

Evelyn (Michelle Yeoh) é uma mulher que simplesmente quer sobreviver até ao fim do dia, sem qualquer tipo de problema. Acontece que é Ano Novo e ela ainda tem muitas coisas para fazer, entre elas, ter uma auditoria do seu negócio de lavandaria. O inesperado põe-se no seu destino, quando Evelyn é confrontada com o conceito do multiverso, quando uma entidade maquiavélica põe em risco toda a sua existência, forçando-a a confrontar tudo aquilo que ela acredita.

Absolutamente nada nos prepara para este filme incrível, onde tudo o que pode acontecer, acontece, e em proporções bíblicas; levando-nos numa viagem cinematográfica como já não tínhamos há muito, muito, tempo. Isto porque os Daniels são mestres da sua arte e conseguem oferecer um filme que também é uma experiência cerebral, algo que muito poucos conseguem fazer.

Quando desconstruído, é fácil entender o coração por detrás desta obra. Desde a inclusão e mostra da cultura chinesa, onde as tradições são importantes de cumprir, como os imigrantes integraram os bairros norte-americanos, impulsionando a economia como nunca antes, é nestes detalhes de consideração que fazem justiça à sua visão.

É igualmente importante realçar Michelle Yeoh, uma actriz multifacetada, com um enorme leque de talentos. Conhecida como a rainha de acção dos cinema de Hong Kong nos anos 90, a actriz, treinada em diversas artes marciais, tem neste filme oportunidade de conjugar tudo aquilo que sabe muito bem fazer, como ainda cantar e ser incrível neste meio ambiente irreverente como nunca antes visto.

Cada momento de Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo é capaz de ser apreciado pelas suas qualidades, mesmo nas alturas mais descabidas, e aqui encontrarão muitas. Desde da sua qualidade técnica e capacidade de experimentar abordagens alternativas, ao elenco constantemente a adaptar-se a encarnar as suas versões pelo multiverso, este filme é garantida uma das experiências cinematográficas mais loucas que alguma vez assisti na minha vida, que ficará certamente na memória para sempre.

Entrem na sala com uma mente aberta, a esperar o inesperado e em troca levam para casa algo fascinante, que irão carregar para a vida.

Nota Final: 10/10

2 thoughts on “Cinema: Crítica – Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo (2022)

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