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Cinema: Crítica – The Night House – Segredo Obscuro (2020)

David Brucker tem feito uma grande carreira nas curta-metragens, sobretudo integradas em antologias com V/H/S e o fantástico Southbound. Nos últimos anos tem crescido para novas áreas, produzindo a série SiREN, baseada no segmento Amateur Night de V/H/S e estreou-se nas longas-metragens em 2017 com The Ritual. Desta vez o realizador junta-se a uma dupla de sonho –
Ben Collins e Luke Piotrowski, argumentistas do filme de culto Super Dark Times – com produção de David S. Goyer, em The Night House – Segredo Obscuro.

Beth (Rebecca Hall) é uma mulher em luto, depois do seu marido Owen (Evan Jonigkeit) ter inexplicadamente cometido suicídio num barco no lago. Beth, procurando algum tipo de resposta, vasculha pelas coisas de Owen e descobre uma série de desenhos da sua casa e outro edifício, como também a fotografia de uma rapariga estranha. O que se segue é um enorme mistério, de uma mulher em busca de sentido e direcção, que não está preparada para o que está prestes a descobrir.

O filme começa de uma forma maioritariamente tradicional dentro do género, mas rapidamente abraça os seus elementos mais bizarros para nos oferecer uma abordagem muito diferente do que poderíamos esperar. De repente, as assombrações não são apenas uma trope, mas uma peça de uma imagem muito maior.

O que Brucker faz, e muito bem, é dar uma nuance aos eventos do filme, de forma muito subtil e sem agressivamente apresentar ao espectador uma resposta concreta, deixando-nos calmamente à beira da cadeira, à espera de ver como irão desvendar os eventos presentes. Esta pode não ser a típica história de fantasmas e em cada momento, o filme mostra um orgulho claro em tomar um rumo menos explorado para o bem do mistério.

Por vezes este é ambíguo em alguns dos seus conceitos e são várias as cenas que num abrir e fechar de olhos perdemos um possível detalhe importante, algo que pode fazer a diferença na nossa lógica em tentar perceber o que está a acontecer à nossa frente. Ainda assim, este é capaz de nos agarrar a atenção de forma sólida, aliada a uma actuação incrível de Rebecca Hall, que durante duas horas sofre uma série de transformações assustadores na sua personalidade.

Do outro lado, Brucker prova ser um realizador capaz de arriscar em dar um novo significado a conceitos já exaustos, com uma grande compatibilidade das histórias conhecidas por Collins e Piotrowski, esperando uma eventual segunda colaboração com eles, chegados agora aos filmes de maior orçamento, que também permitem ter uma certa segurança a nível de produção.

Assim, The Night House – Segredo Obscuro, é um dos grandes filmes do ano, pelo menos um dos mais diferentes que irá aparecer nos cartazes de estreia, com uma ideia diferente tão necessária dentro do género.

Nota Final: 8/10

The Night House – Segredo Obscuro foi o filme da Sessão de Encerramento da 15ª edição do MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa (Cinema São Jorge – Sala Manoel de Oliveira). 

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