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Cinema: Crítica – The Gray Man – O Agente Oculto (2022)

Ver um filme da Netflix no grande ecrã é uma experiência rara pelos cinemas nacionais, mas quando acontecem, fica sempre no ar se a experiência é assim tão diferente, considerando o produto. No caso do Roma, a experiência foi indolor, testemunhando um filme incrível pelo mestre Alfonso Cuarón. O mesmo definitivamente não aconteceu com Aviso Vermelho no final do ano passado. Insistindo nesta tendência, está no cartaz de estreias The Gray Man – O Agente Oculto, juntando novamente os irmãos Russo, que tentam enveredar pelo cinema de acção após o sucesso com os super-heróis da Marvel.

Sierra Six (Ryan Gosling) é um prisioneiro contractado pela CIA para fazer parte de um grupo de mercenários secretos, que vivem nas sombras. A meio de uma missão, Six descobre que um dos directores do programa, Denny Carmichael (Regé-Jean Page) está a esconder algo num cartão de armazenamento, despoletando assim uma perseguição global, liderada pelo psicopata prático Lloyd Hansen (Chris Evans).

Começa a cansar esta tendência de se fazer o filme mais caótico alguma vez visto, e The Gray Man – O Agente Oculto, merece muitos prémios por toda a destruição e violência sem sentido frequente nas duas horas de filme. Enquanto podemos contar com alguns momentos de desenvolvimento, sobretudo do misterioso Six, o restante filme é baseado em tiroteios, explosões e piadas atiradas ao ar, sem grande motivo; e não de uma forma minimamente divertida, com os Joe e Anthony Russo a parecerem estudantes amadores de Michael Bay – algo que absolutamente não são.

Felizmente, Gosling e Evans contracenam em opostos polares, encarnando bastante bem as suas personagens extremas, cada um com as suas vontades inerentes de causar dor, seja a quem se meter no caminho deles. Por outro lado, Ana de Armas, uma adição muito bem vinda num filme de acção, aqui demonstra uma amplitude de poder ser uma candidata perfeita para o género. Se em 007: Sem Tempo Para Morrer provou que está mais que apta para protagonizar um filme do género, pelo menos junto a James Bond o fez com muito mais classe que nesta obra, ficando perdida pelos momentos em que a sua presença era estritamente necessária para fazer andar a narrativa.

Com isto, percebemos que os irmãos Russo continuam a perder pontos como realizadores fora do universo da Marvel, onde o caos era mais fácil de gerir simplesmente pela quantidade de personagens e linhas de narrativa que tinham ao seu dispor. Já no ano passado, Cherry era suposto ser o primeiro passo de uma nova era para os criativos, não tendo sido bem recebido pela sua mensagem confusa. Em grande parte, o mesmo acontece em The Gray Man – O Agente Oculto, cuja mensagem desaparece no meio do fogo e da fúria das acções das suas personagens bi-dimensionais, que preferem resolver as coisas à lei da bala.

Assim, fica difícil justificar recomendar ver o filme no grande ecrã. Certamente é uma experiência diferente que ver em casa, mas quando o produto final é assim, será que vale a pena reavaliar se o cinema é no multiplex ou no sofá?

Nota Final: 5/10

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