Cinema: Crítica – Sputnik (2020)

O cinema russo por vezes ganha um destaque mundial e por mais raro que seja, quase nunca desaponta, pelo menos no surrealismo dos conceitos que apresenta. Tal foi o caso de um mega-blockbuster chamado Guardians, que na altura surpreendeu o mundo e foi apelidado de ser o Vingadores russo; no ano passado o tão falado Why Don’t You Just Die!, vencedor do Prémio MOTELX – Melhor Longa de Terror Europeia / Méliès d’Argent 2019; e agora Sputnik, que traz ao planeta Terra um ser do universo além.

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Realizado por Egor Abramenko, na sua estreia nas longas-metragens, e escrito por Oleg Malovichko e Andrei Zolotarev, em Sputnik o ano é 1983, onde conhecemos Tatyana (Oksana Akinshina), uma psiquiatra sob investigação devido aos seus métodos menos convencionais. Recrutada pelo Coronel Semiradov (Fedor Bondarchuk), para falar com o único sobrevivente da tripulação, Konstantin (Pyotr Fyodorov), este que esconde dentro do seu corpo um ser alienígena.

Para quem se lembra de Vida Inteligente, um filme de 2017 que passou ao lado de muitos, rapidamente se apercebe de uma possível pseudo-sequela russa, mostrando aquilo que um extraterrestre é capaz de fazer quando chegasse cá. O paralelismo com a obra de culto O Primeiro Encontro, de Denis Villeneuve, também são existentes, conseguindo fazer uma mescla interessante da qual James Cameron estaria razoavelmente orgulhoso.

Tal como seria esperado, a sua sensibilidade da União Soviética demonstra uma abordagem muito fria e sombria de um grande acontecimento deste género, aliado a uma limitação tecnológica que permite que as personagens ganhem uma profundidade emocional perante a situação particular da qual se encontram. De facto, o filme faz muito para que as explicações sejam o mais científicas possível, com um foco igualmente grande na análise psicológica, movido por uma narrativa com alguns elementos dramáticos, ainda que estes sejam menos bem conseguidos, sobretudo durante a parte final que parece um pouco apressada.

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Entretanto, é que louvar toda a experiência de terror que o filme propõe, enquanto conhecemos esta criatura espacial e como é estudada nas instalações industriais. Existe uma quantidade certa de violência, repleto de sangue e gore, muitas vezes remanescente do cinema de série-B, mas este é sobretudo contido numa frieza que jamais encontraríamos na sua versão espectacularmente fútil de Hollywood, que certamente iria reduzir a emoção em algo mais frenético.

Dito isto, Sputnik é um excelente esforço em trazer para a frente a qualidade do cinema russo, num contexto que com certeza irá agradar a fãs de género, principalmente aqueles que procuram uma proposta alternativa, valendo também pela possibilidade de ver as coisas noutra perspectiva que senão o patriotismo tradicional norte-americano.

Nota Final: 7/10

  • Sputnik passou no MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, na Terça-Feira, 8 de Setembro às 20h50 (Cinema São Jorge – Sala Manoel de Oliveira) e novamente no Sábado, 12 de Setembro às 00h15 (Cinema São Jorge – Sala 3). O filme está inserida na competição Prémio Melhor Longa de Terror Europeia / Méliès d’argent.

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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